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Sala D2

27/08 · 12h00–13h0060 min de oficinaresumo em 8 min

Apresente o Brasil ao investidor global

A formulação dita em aula — o imóvel abre a porta, a rede de confiança constrói a ponte — organizou uma oficina sobre o visto por investimento em vigor desde 2018, na ordem de US$ 200 mil, e sobre como montar e validar a rede de parceiros que o investidor estrangeiro exige do corretor.

Daniela Almeida

O essencial

Contexto

Aula-oficina da Sala 2 do Bloco D (D2) no dia 27/08, programada na grade em duas edições — 12h00 e 16h00 — e conduzida por Daniela Almeida, da Porta Nova Negócios Imobiliários. O formato foi mão na massa: provocações respondidas ao microfone, mapeamento dos próprios contatos na dinâmica 'minha ponte internacional' e, no encerramento, troca de contatos e QR Codes entre os participantes — a sala saiu fazendo as conexões que a aula propôs.

A sessão em detalhe

Abertura

A provocação de abertura e a tese da rede

A aula abriu com uma cena concreta: se amanhã, na sua imobiliária ou escritório, chegar um investidor estrangeiro, você está preparado para vender o imóvel para esse cliente? Das respostas colhidas ao microfone veio o tom da sessão: houve quem apresentasse os melhores bairros da zona sul do Rio; e um participante de Boa Vista (RR), na fronteira com a Guiana, contou que já contrata apoio bilíngue para a parte de documentação dessas negociações — e pretende se especializar.

A tese veio em seguida, na formulação usada em aula: o imóvel 'abre a porta', mas é a rede de confiança que 'constrói a ponte'. Não basta ter imóveis para atrair o investidor — o que o corretor precisa ter são conexões. Dali em diante o formato foi de oficina, mão na massa, com a proposta de começar as conexões não amanhã, mas ainda durante a própria aula, a partir dos contatos que cada um já tem.

A sessão marcou posição sobre a direção do fluxo: em vez de levar o cliente brasileiro para comprar nos Estados Unidos, o movimento proposto foi o inverso — trazer o investidor global para comprar no Brasil.

Oportunidade

Golden Visa brasileiro: lei de 2018, pouco conhecida

O Brasil tem legislação de Golden Visa desde 2018 — e, segundo o exposto em aula, nem os próprios corretores a conhecem. Na ordem de US$ 200 mil aplicados em imóvel, o estrangeiro consegue comprar e ter a documentação brasileira, com caminho para a dupla cidadania e para um passaporte que dá acesso a mais de 170 países. A oportunidade estaria, inclusive, dentro de casa: muitos estrangeiros que já vivem no Brasil não sabem que ela existe.

Por que o Brasil atrai? Na leitura construída com a plateia: mercado aquecido, SELIC alta e moeda desvalorizada — atrativa para quem chega de fora —, além de destinos turísticos, recursos naturais, muitas terras e a ausência de conflito armado com os vizinhos. O paralelo citado foi Portugal, cujo programa equivalente mudou de formato depois de atrair grande volume de estrangeiros.

A divulgação da lei brasileira, porém, foi descrita como recente e escassa — teria começado no ano passado e segue como 'trabalho de formiguinha', tocado inclusive por um grupo de divulgação dentro do CRECI. A figura usada em aula foi a de um 'oceano literalmente azul': pouca gente conhece o assunto, e quem se posicionar agora encontra pouca concorrência. O tema, anunciou-se, voltaria em painel central do congresso.

Processo

O que o comprador estrangeiro exige além do imóvel

O estrangeiro não chega pedindo para ver o imóvel. Enquanto o cliente nacional responde quantas pessoas vão morar, se tem pet e perto de onde quer ficar — e entra no carro para visitar —, o comprador de fora quer primeiro entender o processo: como funciona a compra, a tributação, o uso do passaporte. São outras perguntas, e foi diante delas, relatou-se em aula, que ficou clara a necessidade de procurar as pessoas certas antes de sair mostrando imóvel.

O checklist apresentado é longo: CPF e documentação; entrevista prévia para checar a possibilidade de dupla cidadania e o risco de bitributação — há países cujo comprador paga o imposto duas vezes; câmbio e internalização do dinheiro vindo de fora por banco que o Banco Central valide — conta digital de internet, como a Wise citada em aula, não resolve essa etapa; advogado que entenda das leis de imigração; e, quando a compra é para morar, escola para os filhos, mudança e reforma.

Fechada a operação, a relação não termina — vira laço, não mais só uma venda. Se o imóvel foi comprado como investimento, entram locação, contrato, consultoria, manutenção e condomínio, e o corretor 'pode ganhar em todas essas etapas', como braço do cliente no Brasil. O efeito é multiplicador: o estrangeiro não vem sozinho — traz no mínimo uma família, costuma pertencer a uma empresa, associação ou comunidade — e, sentindo confiança, devolve divulgação, indicações e novos investimentos, inclusive em leilões.

Método

De contato a parceiro: validação antes da indicação

Contato não é parceiro — a diferença estruturou o miolo da aula. Conhecer alguém hoje e sair indicando é 'um risco muito grande': indicar é dar uma chancela, e chancela exige validação. O roteiro dito em sala: encontrar a pessoa, conversar muito, pesquisar; exigir cases e experiência, referências profissionais, histórico e reputação; comunicação clara — o cliente fala outra língua; registro e habilitação, situação regular. Amizade, sozinha, não conta como validação: a pessoa tem que ser muito profissional.

Validar inclui respeitar o próprio limite: falar até onde se domina — o imóvel — e encaminhar o que é técnico de imigração e de câmbio a especialistas. Como exemplo, citou-se parceria com um banco validado para operações de câmbio, apto a receber o dinheiro do estrangeiro, e parcerias jurídicas cobrindo imigração, tributário, câmbio e família.

A relação certa é ganha-ganha: 'o relacionamento profissional não começa pedindo, começa criando contexto' — apresentar o que se tem a oferecer, compreender o que o outro faz, buscar sinergia e valor para os dois lados. E a parceria territorial resolve o cliente que você não alcança: quem atua em região de chácaras e recebe um cliente que quer ficar do lado do metrô não perde o negócio — aciona o parceiro de outra praça, que atende no local ou por vídeo, porque quem conhece o processo continua no circuito. O que não dá, resumiu-se, é esperar o cliente chegar para sair ligando para vários locais.

Prática

Onde encontrar o investidor e a oficina das pontes

À pergunta vinda da plateia — qual o melhor canal para buscar esses investidores? — a resposta começou desmontando o reflexo do tráfego pago para outro país: não que seja impossível, mas muitos desses clientes já estão aqui. O estrangeiro provavelmente participa de alguma associação; consulados, comunidades de imigrantes — o bairro japonês foi o exemplo —, o Sul do país, com muitos estrangeiros, e os colégios internacionais entraram no mapa. Nesses colégios, relatou-se, profissionais vindos de fora chegam com contratos de dois anos precisando de documentação; executivos vêm para cargos de direção e gerência, o contrato se estende, surge um negócio — e a pessoa permanece no Brasil.

A rede profissional indicada foi o LinkedIn — rede profissional internacional, onde se vê a ficha completa, a trajetória e os títulos de cada um — em contraste com o Instagram usado para foto de praia. O relato levado à sala foi o de uma carreira de 25 anos no mercado que enxergava o LinkedIn como coisa de quem procura emprego, até os negócios começarem a chegar por ali. A recomendação: atualizar o perfil, fazer contatos, pedir conexões — e usar a IA a favor, 'ou ela vai ser nossa concorrente'.

A dinâmica 'minha ponte internacional' fez cada um mapear os próprios contatos: que conexões a rede já oferece, que lacuna importante apareceu — talvez a ponte que falta esteja, literalmente, ao lado. As perguntas finais cobraram ação: 'qual ponte você vai construir amanhã?', transformando uma descoberta da oficina em ação concreta, a começar por perguntar aos próprios parceiros se conhecem o Golden Visa.

A sala então virou o exercício: propôs-se montar ali uma comunidade em que todo mundo presente é um canal de parceria. Participantes trocaram contatos e QR Codes gerados com IA; apareceu o nicho dos investidores russos — bloqueados de investir nos Estados Unidos e na Europa — e o relato de um grupo estrangeiro em visita ao país que não procurava uma casa, e sim um prédio. Houve parabéns aos corretores de imóveis presentes pelo seu dia, e o fecho amarrou a tese: 'o Brasil abre oportunidades'; 'a confiança conecta o investidor global'.

O que ficou

Assentado

  • Vender ao investidor estrangeiro é operação de rede: sem parceiros validados de imigração, câmbio, jurídico e pós-compra, o imóvel sozinho não fecha a venda.
  • O visto por investimento brasileiro está em vigor desde 2018 e é pouco conhecido — inclusive por corretores e pelos estrangeiros que já vivem no país.
  • Parceiro se valida antes da indicação: encontro, pesquisa, cases, referências, registro e reputação — indicar é dar chancela.
  • A prospecção começa onde o estrangeiro já está — consulados, colégios internacionais, comunidades, associações, o próprio congresso — e passa por um LinkedIn atualizado.

Em aberto

  • Como escalar a divulgação do Golden Visa brasileiro além do 'trabalho de formiguinha' descrito em aula — o tema ficou encaminhado para o painel central do congresso.
  • O canal para originar o investidor que ainda não está no Brasil: a pergunta da plateia foi respondida com caminhos — consulados, comunidades de imigrantes, colégios internacionais, LinkedIn — e o tráfego pago internacional ficou como possibilidade não descartada.

Termos citados

Golden Visa (Brasil)
Legislação em vigor desde 2018 pela qual o estrangeiro que compra imóvel — na ordem citada de US$ 200 mil — acessa a documentação brasileira, com caminho para dupla cidadania e passaporte.
eixo central da aula; a divulgação foi descrita como recente e ainda em 'trabalho de formiguinha'
Bitributação
Pagar o imposto duas vezes, a depender do país de origem do comprador; a checagem entra na entrevista prévia à compra.
etapas do processo de compra por estrangeiros
Ponte
Figura usada em aula para a conexão profissional validada que liga o corretor aos especialistas de que o cliente estrangeiro precisa — em oposição ao contato não verificado.
dá nome à dinâmica da oficina, 'minha ponte internacional'
Oceano azul
Figura usada em aula para o mercado do visto por investimento: poucos profissionais conhecem o assunto, logo há pouca concorrência para quem se posicionar agora.
trecho sobre a baixa divulgação da legislação
Marcos citados
  1. 2018Entra em vigor a legislação brasileira de visto por investimento (Golden Visa) apresentada na aula

Citados na oficinaPorta Nova Negócios Imobiliários·Golden Visa — legislação brasileira de 2018·Golden Visa de Portugal·CRECI·Banco Central·Wise·LinkedIn·Instagram·CIMI360

TemasInvestidor estrangeiro·Golden Visa·Parcerias e networking·Corretagem internacional·Oficina prática

Quem falou

A seguir nesta sala

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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