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Sala D1

28/08 · 12h00–13h0060 min de oficinaresumo em 13 min

Marca pessoal imobiliária assistida por IA

A inteligência artificial apresentada como potencializador, e não como substituto: da bio do Instagram ao plano de 30 dias, com prompts prontos no telão e uma pesquisa em que a internet lidera a captação e a maioria admite não gravar vídeo.

Paulo Leite

O essencial

Contexto

Oficina solo apresentada duas vezes na Sala 1 do Bloco D em 28/08 — às 12h00 e às 16h00 —, com o mesmo roteiro nas duas edições: uma pesquisa com corretores no início, prompts exibidos no telão para a plateia fotografar, tarefa de casa e a apresentação completa prometida por mensagem automática no Instagram a quem comentasse a palavra CIMI na primeira foto do perfil. A abertura da edição do meio-dia trouxe uma correção de viva voz sobre a programação: o nome impresso na grade é a versão curta da chamada, e o título anunciado do palco foi o de como a inteligência artificial pode potencializar a marca do corretor e fazê-lo vender mais. Houve ainda dinâmica com a plateia nas duas sessões e perguntas individuais depois do encerramento da edição da tarde.

A sessão em detalhe

Abertura

A frase de 1970 e o que a ferramenta não faz

As duas edições abriram do mesmo jeito: com a frase atribuída na fala ao escritor Alvin Toffler e datada de 1970 — os analfabetos do século XXI não são os que não sabem ler e escrever, mas os incapazes de aprender, desaprender e aprender de novo. A leitura feita dela foi de atualidade: o que se aprende de manhã já aparece à tarde numa versão descrita como dez, vinte, trinta vezes melhor, enquanto boa parte do mercado ainda não usa o que foi lançado há dois anos.

Daí a premissa que organizou a oficina e voltou várias vezes ao microfone: a inteligência artificial não constrói a marca de ninguém, ela potencializa quem a pessoa já é; não vai fazer o trabalho pelo corretor nem entregar o cliente pronto pedindo onde assina. Por isso o roteiro começou por perguntas de autoconhecimento profissional — quem sou eu no mercado, qual é o meu público, quantos clientes preciso prospectar para uma venda, que tipo de imóvel eu trabalho, se eu frequento o bairro em que vendo — com a afirmação de que o atendimento é a marca pessoal do corretor.

A dinâmica com a plateia fez o mesmo ponto sem slide: uma oportunidade colocada na mão — um lead novo, uma visita marcada, um cliente que aparentemente não tem capacidade de compra — é algo que pode e deve ser multiplicado, inclusive como treino de atendimento e de leitura das entrelinhas. O número que sustentou a ideia: a cada cem clientes que chegam procurando um imóvel, apenas 3% estão prontos para comprar; os outros 97 voltam em algum momento, desde que alguém caminhe com eles pela jornada.

O enquadramento da profissão veio junto: o setor vende o produto mais caro da prateleira, e venda foi definida como acompanhamento, transação e resiliência. A trajetória apresentada incluiu a primeira palestra criada há mais de uma década, batizada de "venda não é mágica, venda é técnica" — a mágica aprendida na dupla de palhaço entre os 7 e os 15 anos —, mais de 150 lançamentos imobiliários e mais de R$ 5 bilhões em VGV vendidos, além do hábito relatado de manter o CRECI ativo e voltar a se cadastrar como corretor em imobiliárias duas vezes por ano para testar atendimento por WhatsApp e por telefone; o último desses testes, de dois meses, terminou com duas vendas, uma de terceiro e uma de lançamento, tratadas do palco como resultado fora da curva.

Diagnóstico

O que os corretores respondem e o que eles fazem

A base do diagnóstico foi uma pesquisa própria, aplicada por formulário on-line com 1.200 corretores de imóveis e resumida em cinco perguntas no telão. Na primeira — qual a melhor forma de captar clientes, entre internet, ponto, ativo, indicação, disparo de e-mail e de WhatsApp e panfletagem —, 68% ficaram com a internet. Na segunda, sobre qual canal atrai mais clientes dentro da internet, entre site da imobiliária, e-mail, portais, Google e redes sociais, a resposta majoritária foram as redes sociais, com a ressalva feita ali mesmo de que a pesquisa não separou lançamento de imóvel de terceiro e de que, para imóvel de terceiro, o Google costuma ser o caminho mais direto.

A terceira pergunta desmontou as duas primeiras: 89% responderam que não gravam vídeos para as redes sociais. E a quarta explicou por quê — não gosto, faltam ideias, tenho vergonha, tenho medo, não sei editar. A síntese dita foi que todo mundo sabe o que funciona e quase ninguém faz. Medo e falta de técnica foram tratados como problema com solução: existe técnica para gravar e existem formatos em que não é preciso aparecer na frente da câmera.

Também foi citada da tribuna uma pesquisa apresentada como recém-divulgada, indicando queda de engajamento de quase 90% para quem publica vídeos gerados do começo ao fim por inteligência artificial. O limite tirado dali atravessou a oficina inteira: a ferramenta entra como apoio de texto, de edição e de imagem, não como autora do conteúdo.

O outro alerta do diagnóstico foi sobre expectativa de resultado. Postagem no orgânico depende de constância, de tempo e de qualidade, e uma ou duas publicações não geram venda; antes disso, é preciso conferir se o que se posta conversa com o público que se quer atender — quem vende um padrão e se comunica como quem vende outro está falando para a pessoa errada.

Passo 1

Ser encontrado: a bio e a estrutura do prompt

"Antes de vender, você precisa ser encontrado." A primeira peça trabalhada foi a bio do Instagram, descrita como a primeira coisa que o cliente lê ao chegar ao perfil: precisa dizer quem é a pessoa, o que ela faz, que tipo de imóvel vende e para quem, dentro do teto de 150 caracteres. O exemplo repetido nas duas edições foi o de se apresentar como corretor de imóveis especialista no Cambuí, em Campinas, em vez de dizer que vende em toda a cidade — e a bio pode ser trocada conforme o empreendimento, o bairro ou o condomínio do momento. É por essas palavras, foi dito, que o perfil é localizado no Google e também dentro do próprio ChatGPT.

Pedir simplesmente "crie uma bio para mim" foi apresentado como caminho para uma resposta rasa e fora do limite de caracteres, porque a ferramenta não recebeu o que precisava saber. A estrutura oferecida tem três passos: primeiro, dizer como ela deve se comportar — "você é um especialista em posicionamento digital para corretores de imóveis"; segundo, entregar as informações sobre você — nome, cidade e região de atuação, tipo de imóvel, se é lançamento, terceiro ou avulso, público principal e diferencial; terceiro, dizer o que ela não deve fazer e o que se espera receber. A observação feita sobre esse último passo veio de uma sociedade anterior em empresa de tecnologia, de antes das ferramentas generativas: é mais importante falar o que ela não pode fazer do que o que ela pode.

O prompt exibido pedia três opções de bio, cada uma com no máximo 149 caracteres — um a menos que o teto, para deixar margem, incluindo pontuação —, deixando claro quem é a pessoa, onde atua e como pode ajudar, destacando o diferencial, evitando frases genéricas, sem inventar informação, em linguagem direta, profissional e fácil de entender, terminando com uma chamada para ação e indicando ao final qual das três é a mais estratégica e por quê.

No meio do passo a passo entrou a pergunta que travou a sala: qual é o seu diferencial como corretor de imóveis? "Atendo com excelência", "tenho tantos anos de mercado" e "sou especialista no bairro X" foram tratados como resposta de todo mundo — a palavra especialista foi descrita como deturpada, de tão usada. O caminho sugerido foi olhar para os últimos atendimentos e identificar o que foi dito que fez aquele cliente confiar. A situação usada como espelho foi a de um cliente que acompanha uma apresentação inteira e, ao final, diz que ainda não entendeu qual é o diferencial de quem apresentou.

Passo 2

Analisar concorrentes e montar 30 dias de conteúdo

O segundo prompt coloca a ferramenta no papel de estrategista de marketing digital especializado no mercado imobiliário. O corretor informa o próprio posicionamento — o que vende, em que faixa de preço, em que cidade — e os perfis dos três ou quatro concorrentes que mais se destacam na praça, inclusive colegas da própria imobiliária. O pedido: como cada um se posiciona, para quem fala, que tipos de conteúdo publica, que formatos usa, que temas parecem gerar mais engajamento, quais são os principais diferenciais e o que está deixando de explorar.

As duas leituras dessa saída foram apresentadas como igualmente úteis. O que todos fazem igual muito provavelmente está funcionando, e replicar faz sentido — a imagem usada foi a de não inventar a roda, porque quem resolve criar uma roda quadrada muito provavelmente não vai conseguir vendê-la. O que ninguém está explorando é a brecha, e foi chamado do palco de a parte mais espetacular da resposta: pode ser que o concorrente não queira aquilo, ou pode ser exatamente o espaço para construir marca própria e relevante.

Com bio pronta e concorrência mapeada, o terceiro prompt monta um plano de conteúdo de 30 dias distribuído entre reels, vídeos, carrosséis e posts no feed, informando para cada peça o tema, o formato, o objetivo, a ideia principal e a chamada para ação. A regra sobre o que publicar veio antes do plano: definir o público, porque a linguagem muda conforme a faixa de renda de quem compra, e entender que o conteúdo que gera autoridade é o de educador, não o de propagandista — explicar o que é renda familiar, explicar como funciona o crédito, em vez de publicar imóvel a torto e a direito. A postagem, foi dito, não precisa ser bonita; precisa gerar venda.

Sobre o uso da resposta, a recomendação foi não pegar a primeira saída e sair aplicando: ler, discordar, retrucar, acrescentar o que se vive no mercado e ir conversando até a resposta incorporar as características de quem perguntou. A responsabilidade pela conferência foi colocada em quem usa, nunca na ferramenta.

A chamada para ação fechou o bloco e saiu das redes para o atendimento. A comunicação precisa ser bidirecional, uma via de mão dupla: fala-se do produto e devolve-se uma pergunta que obrigue o cliente a responder — a segurança reforçada e o cadastro na portaria antecipados antes da visita, seguidos de "segurança é importante para você e para a tua família?"; a maquete com apartamentos de uma e de duas vagas, seguida de "quantas vagas o senhor precisa?"; o playground dividido por faixas de idade, que revela se há filhos. O contraexemplo dado foi a sequência de perguntas diretas sobre renda e família, que ninguém responde, e o copiar e colar disparado no WhatsApp para todo lead que chega. A antecipação da segurança foi justificada pela pirâmide de Maslow, em que a segurança aparece logo depois das necessidades fisiológicas.

Passo 3

Vídeo sem produção, carrossel e o anúncio dentro da IA

A parte prática começou pelos formatos que dispensam aparecer. Gravar a visita ao imóvel com o celular na altura dos olhos, ou com um tripé rodando, sem fala e sem produção, e guardar o material; depois, usar a opção de modelos do CapCut, em que o vídeo é encaixado em quadradinhos prontos e sai editado com música, sem que o corretor precise ser editor. Um vídeo de três a cinco minutos vira vários cortes de 15 a 40 segundos, programados ao longo do dia — um às dez da manhã, um ao meio-dia, um às duas e um às quatro da tarde. Na frente, uma frase de impacto de três ou quatro segundos; por cima, quando for o caso, o formato narrado, com o texto pedido à ferramenta e a narração aplicada no próprio editor.

Outros formatos citados: o que foi chamado do palco de vídeo da mãozinha, em que só a mão do corretor aparece apresentando os ambientes, usado por um corretor de São Paulo mesmo depois de passar a produzir peças mais elaboradas; tela dividida; e o de contar uma história. O recado foi encontrar o próprio formato — o exemplo dado foi o de uma corretora cujas visualizações só deslancharam quando ela encontrou o formato de que gosta e passou a produzir em quantidade. E a lembrança de que o descritivo e a legenda precisam trazer as palavras pelas quais alguém procura aquele imóvel, porque muitas vezes o cliente não lê o texto inteiro.

Para quem está começando e trava na frente da câmera, o primeiro passo sugerido foi o carrossel. Na versão gratuita, a ferramenta permite enviar três imagens por dia: com as três melhores fotos do imóvel e um prompt que define formato, estilo e as cores da imobiliária, sai um carrossel com identidade visual constante — e o ponto é o branding, o cliente reconhecer de quem é a peça só pelas características visuais que se repetem. Foi mencionado que a versão paga amplia os limites de resposta e de geração de imagem, e que passar do limite degrada o resultado.

A última parte foi apresentada como a quinta era da tecnologia, a da inteligência artificial, e chegou nos anúncios. Além do gerenciador da Meta, que anuncia no Instagram e no Facebook, e do Google Ads, a novidade levada à sala foi o sistema de anúncios dentro do ChatGPT, apresentado como liberado havia duas semanas: a campanha aparece logo abaixo da resposta da pesquisa, inclusive para quem usa a versão paga, e o formato foi descrito como parecido com o do gerenciador da Meta. A sugestão foi entrar cedo e barato, com R$ 10 por dia que seja, porque a tendência apontada é a busca por imóvel migrar para a inteligência artificial — o cliente perguntando por formato, número de dormitórios ou pelos documentos necessários e vendo, ali embaixo, o anúncio de uma imobiliária ou de um corretor.

O caso usado para mostrar o uso profissional dessa busca foi o de um cliente que pediu estudo de viabilidade para lançar 22 salas em um endereço de escritórios em Alphaville: a consulta pediu todos os imóveis em oferta para locação naquela localização e devolveu mais de 65 endereços; a checagem seguinte apontou 35 ainda disponíveis, com o restante já alugado. O fecho das duas edições ficou com o convite para seguir o perfil e comentar a palavra CIMI na primeira foto, o que dispara automaticamente o envio da apresentação com todos os prompts.

O que ficou

Assentado

  • A inteligência artificial foi posicionada como potencializador do que o corretor já é e já faz: ela não constrói a marca, não gera o cliente pronto e não assume a responsabilidade pela conferência da informação.
  • Ser encontrado vem antes de vender, e a bio do Instagram é a primeira peça: quem é, o que faz, que imóvel vende e para quem, dentro dos 150 caracteres, com as palavras pelas quais o cliente procura.
  • O prompt tem três passos — comportamento, informações e restrições mais entrega esperada —, e dizer o que a ferramenta não deve fazer foi apresentado como mais importante do que listar o que ela deve.
  • Conteúdo de autoridade é o de educador, não o de propagandista; e a postagem não precisa ser bonita, precisa gerar venda.
  • Prompts, apresentação e passo a passo de edição ficaram prometidos por mensagem automática no Instagram, acionada pelo comentário da palavra CIMI na primeira foto do perfil.

Em aberto

  • A entrada dos anúncios dentro do ChatGPT foi apresentada como movimento de duas semanas: o efeito sobre a busca de imóveis e sobre o custo de aparecer ali fica para ser observado por quem entrar agora.
  • A pesquisa citada da tribuna sobre queda de engajamento em vídeos inteiramente gerados por inteligência artificial ficou como alerta a acompanhar por quem já produz nesse formato.
  • Qual formato de vídeo funciona para cada corretor foi deixado como teste individual — a orientação foi replicar o que a concorrência faz igual e explorar o que ela não faz.
  • A tarefa deixada à plateia — rodar o prompt da bio, preencher com as próprias informações e testar qual das três opções funciona — depende de execução depois do congresso.

Termos citados

Bio do Instagram
A linha de apresentação do perfil, descrita como a primeira coisa que o cliente lê: precisa dizer quem é a pessoa, o que ela faz, que tipo de imóvel vende e para quem, em no máximo 150 caracteres, e pode ser trocada conforme o produto do momento.
Primeiro passo da oficina, nas duas edições.
Prompt
O pedido feito à inteligência artificial. Foi simplificado em três passos: como ela deve se comportar, as informações sobre quem pergunta e, por último, o que ela não deve fazer somado ao que se espera receber de volta.
Estrutura repetida nos prompts exibidos no telão.
Comunicação bidirecional
Via de mão dupla no atendimento: falar de uma característica do produto e devolver uma pergunta que obrigue o cliente a responder, em vez de emendar perguntas diretas sobre renda e família ou disparar texto copiado.
Bloco de chamada para ação, aplicado ao plantão, ao telefone e ao WhatsApp.
Vídeo da mãozinha
Nome dado na fala ao formato em que apenas a mão do corretor aparece apresentando os ambientes do imóvel, sem edição e sem o corretor na frente da câmera.
Lista de formatos para quem trava diante da câmera.
Quinta era da tecnologia
Como a sessão nomeou o momento atual, o da inteligência artificial, em que a busca e os anúncios começam a migrar das plataformas tradicionais para dentro das ferramentas de IA.
Bloco final, sobre anúncios e busca de imóveis.
Marcos citados
  1. Duas semanas antes do congressoLiberação do sistema de anúncios dentro do ChatGPT, apresentada na oficina como novidade para o corretor acompanhar desde já
  2. Até a terça ou quarta seguintePrazo combinado com a plateia para rodar o prompt da bio, preencher com as próprias informações e testar as três opções geradas

Citados na oficinaInstagram·Facebook·Google·Google Ads·Meta Ads·ChatGPT·ChatGPT Ads·CapCut·Google Forms·CRECI·CIMI360·STARTALK·Minha Casa, Minha Vida (programa habitacional)·Alvin Toffler (escritor citado)·Pirâmide de Maslow

TemasMarca pessoal·Inteligência artificial·Instagram·Prompt·Marketing imobiliário·Captação de clientes

Quem falou

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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