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Sala B1

27/08 · 11h00–12h0060 min de oficinaresumo em 11 min

On e off-line : Como ser criativo no mercado imobiliário

Dos posts de um cemitério no Piauí à letra gravada por Toquinho em campanha nacional do sistema COFECI-CRECI, a palestra sustentou que criatividade é habilidade que se treina — e que humor e emoção vendem imóvel sem anunciar imóvel.

Mirelle Costa

O essencial

Contexto

Palestra da Sala 1 do Bloco B (B1) em 27/08, apresentada em duas sessões — 11h00 e 15h00 — com a mesma espinha e cases adicionais à tarde, como anunciado no encerramento da manhã. Formato de oficina interativa: enquetes com a plateia, exibição de vídeos de campanhas reais e um convite final à prática. A condução partiu de 19 anos de trajetória em comunicação, marketing e jornalismo no Ceará e do trabalho de comunicação institucional no CRECI-Ceará, de onde saiu a maior parte dos cases mostrados.

A sessão em detalhe

Abertura

O que é criatividade

A sessão abriu no ritmo das redes: se o vídeo que se consome dura os 15 segundos do TikTok, a definição de criatividade também teve que caber em uma palavra — e da plateia vieram respostas como "fora do normal", "objetividade" e "improvisar", sintetizadas na sequência como transformar o simples em algo extraordinário. Na sequência, a definição de dicionário: inventividade, inteligência e talento, natos ou adquiridos, para criar, inventar e inovar, no campo artístico ou científico. E duas ideias de apoio: onde houver padrão e costume haverá possibilidade de inovação, porque sempre será possível quebrá-los ou inovar a partir do seu rearranjo; e criamos quando descobrimos e exprimimos uma ideia, um produto ou um comportamento novo em certo grupo social.

A enquete seguinte dividiu a sala entre dom e habilidade — e a tese defendida na sessão ficou com a segunda: criatividade se desenvolve. O argumento veio da infância, quando todo mundo inventava brincadeira do nada — incluindo o relato de um Banco Imobiliário feito em casa com cartolina e dinheirinho recortado — e do diagnóstico de que a rotina adulta endurece e faz esquecer o que cada um gostava de criar. Entrou aí também a defesa de se admirar a própria criação: valorizar as ideias que se tem, sem confundir isso com narcisismo.

A provocação final da abertura mirou o comportamento nas redes: ficar olhando o perfil do colega corretor e repetir a trend, a dança e o áudio que todo mundo usa é se deixar levar. A pergunta deixada no ar: será que aquilo combina com o seu segmento — e será que vale a pena para ele?

Cases

Cases de humor: do cemitério às camisetas

O exercício proposto: imaginar por um instante que ninguém ali é corretor — qual seria o pior segmento para exercer criatividade? A resposta veio como case real, "de verdade, não inventado": o Cemitério Jardim da Ressurreição, no Piauí, sucesso nacional nas redes sociais fazendo piada com o próprio estigma. Entre posts e comentários lidos na sessão, a piada do "único terreno que meu dinheiro consegue pagar" e seguidores dizendo que dá até vontade de morrer de tão engraçado — um perfil que criou fãs e conexão. O espelho para a sala: o corretor existe justamente para mostrar que aquele não é o único terreno ao alcance do cliente — há financiamento, há a faixa 4 do Minha Casa Minha Vida — e, se um cemitério consegue ser criativo, quem trabalha com investimento, patrimônio, luxo e realização tem o céu como limite.

O segundo case foi uma boneca-personagem criada por dois profissionais que armavam barraca numa rua de São Paulo para vender papelaria. Nos vídeos exibidos, ela usa o repertório do aluguel — a vistoria marcada para terça, a taxa de vistoria e a multa de saída, o bancão imobiliário de regras sem sentido que parecem de verdade — tudo para vender a própria agenda, com direito a livro de colorir de raspadinha das paredes da sala. Hoje a personagem faz publicidade para marcas como Nubank e Itaú e já entrevistou Fernanda Torres. A leitura da sessão: storytelling leva longe, mesmo quando o produto não é imóvel — e o universo imobiliário rende narrativa até fora do setor.

A aplicação sugerida ao dia a dia do corretor: doses de humor em legendas e vídeos de redes sociais, comentário simpático como quebra-gelo na abordagem inicial com o cliente, histórias engraçadas em eventos e feiras — sempre de forma leve e respeitosa, porque humor torna o texto memorável e, como repetiu o slide, criatividade é coisa séria: pessoas compram de quem gostam e confiam.

A prova de que a piada fecha negócio veio das camisetas "vender sem vender": em vez de malhar fazendo propaganda de graça da academia — a provocação citou a camisa da Smart Fit —, estampas divertidas de corretor, como "financiamento aprovado é música para os meus ouvidos" com clave de sol para gerar identificação com músicos, ou "você pode estar solteiro, mas seu imóvel não deve ficar encalhado — me procure". No case relatado como real e validado, uma diretora fechou a venda de dois imóveis depois que as frases viraram assunto na academia. O resumo da estratégia: no mínimo se arranca uma risada de quem passa; no máximo, se efetua uma venda.

Case central

O case da música do corretor

O coração da palestra foi a história da música em homenagem à profissão de corretor de imóveis. Na pandemia, com o Ceará em lockdown, o CRECI-Ceará não parou de funcionar nem um dia — os computadores foram levados para casa e o atendimento seguiu pelas redes sociais —, e por ali chegavam mensagens de corretores sem saber como pôr comida na mesa se não podiam sair para vender. O sentimento descrito foi de impotência — o mesmo, comparou a sessão, de uma venda que não se concretiza ou da parceria que fecha com outro colega.

Desse caos, sem encomenda de ninguém, nasceu uma letra — de autoria da própria palestrante, escrita em home office no dia em que o feijão queimou no fogão. Gravada primeiro por um músico instrumentista cearense, a canção recebeu uma chuva de comentários dos corretores — descrita como um sopro de vida e de esperança naquele momento. Com a sensibilização da diretoria e do sistema COFECI-CRECI, o que seria uma campanha pequena no Ceará virou campanha nacional na voz de Toquinho.

Do case saiu uma régua conceitual: a paródia caseira era invenção — aquilo que se faz com mentalidade de criança; quando Toquinho gravou com a própria voz, virou inovação — jogo de gente grande. E saíram dois aprendizados repetidos nas duas edições: a criatividade muitas vezes nasce do caos, e é preciso suportar um pouco de caos para conseguir produzir; e antes de chegar ao "nível Toquinho" é preciso passar pelo ridículo — sem permanecer nele. Para ilustrar, a sessão exibiu uma paródia doméstica antiga, postada nas redes na época do casamento, apresentada entre risos como a vergonha que faz parte do caminho.

Institucional na prática

As campanhas do CRECI-Ceará

O bloco mais longo percorreu campanhas institucionais feitas no Ceará. No Dia do Trabalhador, em vez da arte de parabéns igual à de todo mundo, uma conta: quantos meses, semanas, horas, minutos e segundos o corretor dedica ao trabalho — com o mote de que a categoria trabalha os 365 dias do ano, porque cliente que quer visitar imóvel no sábado ou no domingo é atendido. A peça saiu em vídeo, com música, porque vídeo em rede social tem mais alcance que arte estática — mesma informação, forma diferente, e ainda respeitosa com a categoria: o retorno relatado foi de corretores agradecendo o reconhecimento.

Outubro Rosa e Novembro Azul ganharam a fala nordestina — a mulher que arrasta o homem para o exame, no tom de "vamo ver se tu não vai" — humor regional que gerou risada e identificação sem perder a mensagem de saúde. No Dia da Mulher, o caminho foi outro: corretoras falando da dor e da delícia de ser mulher, do cliente que trata a corretora com desrespeito ou prefere ser atendido pelo sócio homem à satisfação de ver mulheres empreendedoras à frente de negócios e com influência positiva na família — um vídeo "sobre gente, sobre vida", apresentado como mais importante que vender. Na valorização da profissão, a campanha com estética de videogame martelou que porteiro não é corretor, síndico não é corretor, zelador não é corretor — e o mesmo conceito virou outdoor com labirinto no sinal de trânsito, que o olhar não resiste a completar: só existe um caminho para vender, comprar ou alugar — imóvel é só com corretor de imóveis.

As campanhas emocionais fecharam o bloco. No Dia dos Pais, pais e filhos corretores foram convidados separadamente, sob segredo e com meia hora de diferença: o filho gravava primeiro e o pai, que chegava preparado para falar, descobria no estúdio que ia assistir ao depoimento do filho — histórias de tatuagem dada de presente de aniversário, da palavra resiliência aprendida em casa, de "meu pai sempre foi o meu forte". No Dia das Crianças, filhos pequenos de corretores explicaram diante da câmera a profissão dos pais — "ele vende a casinha do povo para outras pessoas" — no quadro do Fofurômetro, dentro da campanha do mês do corretor nas redes do CRECI-Ceará (YouTube, Instagram e Facebook); a campanha rendeu tanto que as falas das crianças viraram desenho e a ação durou dois anos. O argumento que costura tudo: a venda de imóvel é emocional, e as ações de comunicação precisam apelar para o emocional.

Fechamento

Repertório, IA e antropologia da casa

Todo corretor de imóveis foi apresentado como um bom contador de histórias em potencial: dos relatos lidos na sessão — como o do corretor que precisou ir a um velório para colher a assinatura do cliente — à visita que termina em banho de lama num dia de chuva, o dia a dia da profissão rende narrativa que merece ser contada. O sinal de que a profissão está em alta: as séries de corretores na Netflix, de Nova York à França, com gerações de uma mesma família à frente do negócio — enquanto, brincou-se, série sobre a profissão de jornalista ninguém tinha visto até ali.

No terreno das ferramentas, um tutorial passo a passo do efeito de vídeo "bullet time": gravar uma cena em movimento, tirar da galeria um print do momento exato, adicionar o pedido no prompt e baixar o efeito pronto. O lembrete: hoje há apoio de inteligência artificial e tecnologia acessíveis — o GPT foi citado, e a ferramenta do efeito, apresentada como gratuita —, algo que não existia quando a trajetória de quem conduzia começou. A receita sugerida foi a aliança de gerações: a experiência de quem já viveu as histórias somada à tecnologia que os mais jovens dominam.

Em repertório, a recomendação foi não consumir só conteúdo do próprio mercado — avaliação e documentação cartorária continuam obrigatórias — e estudar o comportamento das elites brasileiras, com a indicação do livro "Coisa de Rico", de um antropólogo que investigou como surge a riqueza no Brasil, sugerido a quem trabalha ou quer trabalhar com alto padrão. Na sequência, trechos de um vídeo sobre a antropologia do morar: a casa e o mobiliário como os melhores professores, "porque não gritam"; casas diferentes entregando performances diferentes num país desigual; a história do conforto — nascido na França do século XVIII, segundo o livro "História do Conforto" citado no vídeo — e o modelo de casa vitoriana do século XIX, com cada um no seu quarto, contraposto à casa aberta a mudanças e versátil, em que filhos vão e voltam e ninguém mais fica casado a vida toda; a casa que precisa ser, ao mesmo tempo, ponte para os outros e ilha de proteção. A frase destacada para a plateia postar ainda no mesmo dia: "mudar de casa é mudar o nosso eu". Completaram a lista de consumo Casa Vogue, os vídeos de casas de famosos no YouTube e o conteúdo das proptechs.

O fechamento nomeou o objetivo da oficina: sair apto a se comunicar de forma mais estratégica — porque criatividade não depende só de inspiração, mas de combinar linguagens e recursos de forma intencional, transformando o simples em inesquecível com uma pitada de ironia, do que surpreende, inspira ou faz sorrir. Na saída, o convite para conhecer o livro assinado pela palestrante, à venda no estande do evento.

O que ficou

Assentado

  • Criatividade é habilidade que se desenvolve, não dom de nascença — e a infância de cada um é a prova de que ela já existiu.
  • Humor em doses, leve e respeitoso, humaniza a relação e gera simpatia: pessoas compram de quem gostam e confiam.
  • Mesma informação em outra forma rende mais que a arte genérica de data comemorativa — e vídeo alcança mais que arte estática.
  • A compra de imóvel é emocional; a comunicação do corretor precisa apelar também para o emocional.
  • Invenção é a criação com mentalidade de criança; vira inovação quando entra no jogo de gente grande.
  • Com IA acessível, produzir conteúdo de aparência profissional ficou mais fácil — o diferencial é aliar a experiência de quem viveu as histórias à tecnologia dos mais jovens.

Em aberto

  • A trend que todo mundo repete combina com o seu segmento — e vale a pena para ele? A pergunta ficou para cada corretor responder antes de copiar.
  • Qual é o caos de cada um que pode virar criação — e quais histórias do dia a dia da corretagem merecem ser contadas.

Termos citados

Criatividade
Inventividade, inteligência e talento — natos ou adquiridos — para criar, inventar e inovar, no campo artístico ou científico; onde houver padrão e costume haverá possibilidade de inovação, porque sempre será possível quebrá-los ou inovar a partir do seu rearranjo.
definição de dicionário lida na abertura, antes da enquete dom × habilidade
Invenção × inovação
Invenção é o que se cria com mentalidade de criança; inovação é quando a criação vira jogo de gente grande — a paródia caseira era invenção e passou a inovação quando Toquinho a gravou.
régua usada para explicar a trajetória da música do corretor
Vender sem vender
Estar presente com humor onde ninguém espera anúncio — como camisetas de academia com frases de corretor — e colher o negócio como consequência da conexão.
nome dado à estratégia das estampas criadas para os corretores usarem fora do trabalho

Citados na oficinaCemitério Jardim da Ressurreição (Piauí)·CRECI-Ceará·Sistema COFECI-CRECI·Toquinho·Nubank·Itaú·Fernanda Torres·Netflix (séries de corretores)·TikTok·Minha Casa Minha Vida (faixa 4)·Smart Fit·GPT (ferramenta de IA)·Livro "Coisa de Rico"·Livro "História do Conforto"·Casa Vogue·Banco Imobiliário (jogo de tabuleiro)

TemasCriatividade·Marketing imobiliário·Redes sociais·Comunicação institucional·Humor

Quem falou

A seguir nesta sala

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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