27/08 · 11h00–12h0060 min de oficinaresumo em 11 min
On e off-line : Como ser criativo no mercado imobiliário
Dos posts de um cemitério no Piauí à letra gravada por Toquinho em campanha nacional do sistema COFECI-CRECI, a palestra sustentou que criatividade é habilidade que se treina — e que humor e emoção vendem imóvel sem anunciar imóvel.
365dias por ano de trabalho do corretor — o mote da campanha de 1º de maio: cliente que quer visitar no sábado ou no domingo é atendidocampanha do Dia do Trabalhador do CRECI-Ceará, exibida na sessão
15segundos de um vídeo consumido nas redes sociais — a régua de atenção citada na abertura para pedir definições de criatividade em uma palavraformato do TikTok, citado na sessão
2imóveis vendidos a partir das camisetas "vender sem vender", quando as estampas viraram assunto na academiacase das camisetas relatado na sessão
2 anosduração da campanha de Dia das Crianças, que rendeu tanto que os depoimentos dos filhos de corretores viraram desenho no ano seguintecase do CRECI-Ceará relatado na sessão
O essencial
Dom ou habilidade
A enquete com a plateia abriu a tese central: criatividade se desenvolve. Todo mundo já foi criativo na infância — do jogo de tabuleiro inventado com cartolina às brincadeiras criadas do nada — e a vida adulta faz esquecer; o caminho de volta é olhar menos para a trend dos outros e mais para o próprio repertório.
Humor como estratégia de venda
Dos posts do Cemitério Jardim da Ressurreição às camisetas de academia, os cases sustentaram a máxima repetida em slide: criatividade é coisa séria — pessoas compram de quem gostam e confiam, e o humor humaniza a relação e gera simpatia imediata.
A música gravada por Toquinho
O case central: uma letra escrita sem encomenda no lockdown, gravada primeiro por um músico cearense e nacionalizada pelo sistema COFECI-CRECI na voz de Toquinho — apresentada como prova de que a criatividade nasce do caos e exige passar pelo ridículo sem morar nele.
Datas comemorativas fora do padrão
Mesma informação, outra forma: o 1º de maio virou a conta dos 365 dias trabalhados, o Outubro Rosa e o Novembro Azul ganharam sotaque nordestino e o Dia da Mulher trocou a arte genérica pela dor e a delícia de ser mulher contadas por corretoras.
Emoção nas campanhas institucionais
As campanhas com pais, filhos e crianças de corretores ancoraram o argumento: a compra de imóvel é emocional, e a comunicação de quem vende precisa apelar também para o emocional — vídeo "sobre gente, sobre vida" foi apresentado como mais importante que vender.
IA acessível e repertório de fora
O caminho prático mostrado: efeitos de vídeo com apoio de inteligência artificial acessível, séries de corretores na Netflix, leitura sobre o comportamento das elites e um mergulho na antropologia do morar — porque buscar informação também é uma forma de criatividade.
Contexto
Palestra da Sala 1 do Bloco B (B1) em 27/08, apresentada em duas sessões — 11h00 e 15h00 — com a mesma espinha e cases adicionais à tarde, como anunciado no encerramento da manhã. Formato de oficina interativa: enquetes com a plateia, exibição de vídeos de campanhas reais e um convite final à prática. A condução partiu de 19 anos de trajetória em comunicação, marketing e jornalismo no Ceará e do trabalho de comunicação institucional no CRECI-Ceará, de onde saiu a maior parte dos cases mostrados.
A sessão em detalhe
Abertura
O que é criatividade
A sessão abriu no ritmo das redes: se o vídeo que se consome dura os 15 segundos do TikTok, a definição de criatividade também teve que caber em uma palavra — e da plateia vieram respostas como "fora do normal", "objetividade" e "improvisar", sintetizadas na sequência como transformar o simples em algo extraordinário. Na sequência, a definição de dicionário: inventividade, inteligência e talento, natos ou adquiridos, para criar, inventar e inovar, no campo artístico ou científico. E duas ideias de apoio: onde houver padrão e costume haverá possibilidade de inovação, porque sempre será possível quebrá-los ou inovar a partir do seu rearranjo; e criamos quando descobrimos e exprimimos uma ideia, um produto ou um comportamento novo em certo grupo social.
A enquete seguinte dividiu a sala entre dom e habilidade — e a tese defendida na sessão ficou com a segunda: criatividade se desenvolve. O argumento veio da infância, quando todo mundo inventava brincadeira do nada — incluindo o relato de um Banco Imobiliário feito em casa com cartolina e dinheirinho recortado — e do diagnóstico de que a rotina adulta endurece e faz esquecer o que cada um gostava de criar. Entrou aí também a defesa de se admirar a própria criação: valorizar as ideias que se tem, sem confundir isso com narcisismo.
A provocação final da abertura mirou o comportamento nas redes: ficar olhando o perfil do colega corretor e repetir a trend, a dança e o áudio que todo mundo usa é se deixar levar. A pergunta deixada no ar: será que aquilo combina com o seu segmento — e será que vale a pena para ele?
Cases
Cases de humor: do cemitério às camisetas
O exercício proposto: imaginar por um instante que ninguém ali é corretor — qual seria o pior segmento para exercer criatividade? A resposta veio como case real, "de verdade, não inventado": o Cemitério Jardim da Ressurreição, no Piauí, sucesso nacional nas redes sociais fazendo piada com o próprio estigma. Entre posts e comentários lidos na sessão, a piada do "único terreno que meu dinheiro consegue pagar" e seguidores dizendo que dá até vontade de morrer de tão engraçado — um perfil que criou fãs e conexão. O espelho para a sala: o corretor existe justamente para mostrar que aquele não é o único terreno ao alcance do cliente — há financiamento, há a faixa 4 do Minha Casa Minha Vida — e, se um cemitério consegue ser criativo, quem trabalha com investimento, patrimônio, luxo e realização tem o céu como limite.
O segundo case foi uma boneca-personagem criada por dois profissionais que armavam barraca numa rua de São Paulo para vender papelaria. Nos vídeos exibidos, ela usa o repertório do aluguel — a vistoria marcada para terça, a taxa de vistoria e a multa de saída, o bancão imobiliário de regras sem sentido que parecem de verdade — tudo para vender a própria agenda, com direito a livro de colorir de raspadinha das paredes da sala. Hoje a personagem faz publicidade para marcas como Nubank e Itaú e já entrevistou Fernanda Torres. A leitura da sessão: storytelling leva longe, mesmo quando o produto não é imóvel — e o universo imobiliário rende narrativa até fora do setor.
A aplicação sugerida ao dia a dia do corretor: doses de humor em legendas e vídeos de redes sociais, comentário simpático como quebra-gelo na abordagem inicial com o cliente, histórias engraçadas em eventos e feiras — sempre de forma leve e respeitosa, porque humor torna o texto memorável e, como repetiu o slide, criatividade é coisa séria: pessoas compram de quem gostam e confiam.
A prova de que a piada fecha negócio veio das camisetas "vender sem vender": em vez de malhar fazendo propaganda de graça da academia — a provocação citou a camisa da Smart Fit —, estampas divertidas de corretor, como "financiamento aprovado é música para os meus ouvidos" com clave de sol para gerar identificação com músicos, ou "você pode estar solteiro, mas seu imóvel não deve ficar encalhado — me procure". No case relatado como real e validado, uma diretora fechou a venda de dois imóveis depois que as frases viraram assunto na academia. O resumo da estratégia: no mínimo se arranca uma risada de quem passa; no máximo, se efetua uma venda.
Case central
O case da música do corretor
O coração da palestra foi a história da música em homenagem à profissão de corretor de imóveis. Na pandemia, com o Ceará em lockdown, o CRECI-Ceará não parou de funcionar nem um dia — os computadores foram levados para casa e o atendimento seguiu pelas redes sociais —, e por ali chegavam mensagens de corretores sem saber como pôr comida na mesa se não podiam sair para vender. O sentimento descrito foi de impotência — o mesmo, comparou a sessão, de uma venda que não se concretiza ou da parceria que fecha com outro colega.
Desse caos, sem encomenda de ninguém, nasceu uma letra — de autoria da própria palestrante, escrita em home office no dia em que o feijão queimou no fogão. Gravada primeiro por um músico instrumentista cearense, a canção recebeu uma chuva de comentários dos corretores — descrita como um sopro de vida e de esperança naquele momento. Com a sensibilização da diretoria e do sistema COFECI-CRECI, o que seria uma campanha pequena no Ceará virou campanha nacional na voz de Toquinho.
Do case saiu uma régua conceitual: a paródia caseira era invenção — aquilo que se faz com mentalidade de criança; quando Toquinho gravou com a própria voz, virou inovação — jogo de gente grande. E saíram dois aprendizados repetidos nas duas edições: a criatividade muitas vezes nasce do caos, e é preciso suportar um pouco de caos para conseguir produzir; e antes de chegar ao "nível Toquinho" é preciso passar pelo ridículo — sem permanecer nele. Para ilustrar, a sessão exibiu uma paródia doméstica antiga, postada nas redes na época do casamento, apresentada entre risos como a vergonha que faz parte do caminho.
Institucional na prática
As campanhas do CRECI-Ceará
O bloco mais longo percorreu campanhas institucionais feitas no Ceará. No Dia do Trabalhador, em vez da arte de parabéns igual à de todo mundo, uma conta: quantos meses, semanas, horas, minutos e segundos o corretor dedica ao trabalho — com o mote de que a categoria trabalha os 365 dias do ano, porque cliente que quer visitar imóvel no sábado ou no domingo é atendido. A peça saiu em vídeo, com música, porque vídeo em rede social tem mais alcance que arte estática — mesma informação, forma diferente, e ainda respeitosa com a categoria: o retorno relatado foi de corretores agradecendo o reconhecimento.
Outubro Rosa e Novembro Azul ganharam a fala nordestina — a mulher que arrasta o homem para o exame, no tom de "vamo ver se tu não vai" — humor regional que gerou risada e identificação sem perder a mensagem de saúde. No Dia da Mulher, o caminho foi outro: corretoras falando da dor e da delícia de ser mulher, do cliente que trata a corretora com desrespeito ou prefere ser atendido pelo sócio homem à satisfação de ver mulheres empreendedoras à frente de negócios e com influência positiva na família — um vídeo "sobre gente, sobre vida", apresentado como mais importante que vender. Na valorização da profissão, a campanha com estética de videogame martelou que porteiro não é corretor, síndico não é corretor, zelador não é corretor — e o mesmo conceito virou outdoor com labirinto no sinal de trânsito, que o olhar não resiste a completar: só existe um caminho para vender, comprar ou alugar — imóvel é só com corretor de imóveis.
As campanhas emocionais fecharam o bloco. No Dia dos Pais, pais e filhos corretores foram convidados separadamente, sob segredo e com meia hora de diferença: o filho gravava primeiro e o pai, que chegava preparado para falar, descobria no estúdio que ia assistir ao depoimento do filho — histórias de tatuagem dada de presente de aniversário, da palavra resiliência aprendida em casa, de "meu pai sempre foi o meu forte". No Dia das Crianças, filhos pequenos de corretores explicaram diante da câmera a profissão dos pais — "ele vende a casinha do povo para outras pessoas" — no quadro do Fofurômetro, dentro da campanha do mês do corretor nas redes do CRECI-Ceará (YouTube, Instagram e Facebook); a campanha rendeu tanto que as falas das crianças viraram desenho e a ação durou dois anos. O argumento que costura tudo: a venda de imóvel é emocional, e as ações de comunicação precisam apelar para o emocional.
Fechamento
Repertório, IA e antropologia da casa
Todo corretor de imóveis foi apresentado como um bom contador de histórias em potencial: dos relatos lidos na sessão — como o do corretor que precisou ir a um velório para colher a assinatura do cliente — à visita que termina em banho de lama num dia de chuva, o dia a dia da profissão rende narrativa que merece ser contada. O sinal de que a profissão está em alta: as séries de corretores na Netflix, de Nova York à França, com gerações de uma mesma família à frente do negócio — enquanto, brincou-se, série sobre a profissão de jornalista ninguém tinha visto até ali.
No terreno das ferramentas, um tutorial passo a passo do efeito de vídeo "bullet time": gravar uma cena em movimento, tirar da galeria um print do momento exato, adicionar o pedido no prompt e baixar o efeito pronto. O lembrete: hoje há apoio de inteligência artificial e tecnologia acessíveis — o GPT foi citado, e a ferramenta do efeito, apresentada como gratuita —, algo que não existia quando a trajetória de quem conduzia começou. A receita sugerida foi a aliança de gerações: a experiência de quem já viveu as histórias somada à tecnologia que os mais jovens dominam.
Em repertório, a recomendação foi não consumir só conteúdo do próprio mercado — avaliação e documentação cartorária continuam obrigatórias — e estudar o comportamento das elites brasileiras, com a indicação do livro "Coisa de Rico", de um antropólogo que investigou como surge a riqueza no Brasil, sugerido a quem trabalha ou quer trabalhar com alto padrão. Na sequência, trechos de um vídeo sobre a antropologia do morar: a casa e o mobiliário como os melhores professores, "porque não gritam"; casas diferentes entregando performances diferentes num país desigual; a história do conforto — nascido na França do século XVIII, segundo o livro "História do Conforto" citado no vídeo — e o modelo de casa vitoriana do século XIX, com cada um no seu quarto, contraposto à casa aberta a mudanças e versátil, em que filhos vão e voltam e ninguém mais fica casado a vida toda; a casa que precisa ser, ao mesmo tempo, ponte para os outros e ilha de proteção. A frase destacada para a plateia postar ainda no mesmo dia: "mudar de casa é mudar o nosso eu". Completaram a lista de consumo Casa Vogue, os vídeos de casas de famosos no YouTube e o conteúdo das proptechs.
O fechamento nomeou o objetivo da oficina: sair apto a se comunicar de forma mais estratégica — porque criatividade não depende só de inspiração, mas de combinar linguagens e recursos de forma intencional, transformando o simples em inesquecível com uma pitada de ironia, do que surpreende, inspira ou faz sorrir. Na saída, o convite para conhecer o livro assinado pela palestrante, à venda no estande do evento.
O que ficou
Assentado
Criatividade é habilidade que se desenvolve, não dom de nascença — e a infância de cada um é a prova de que ela já existiu.
Humor em doses, leve e respeitoso, humaniza a relação e gera simpatia: pessoas compram de quem gostam e confiam.
Mesma informação em outra forma rende mais que a arte genérica de data comemorativa — e vídeo alcança mais que arte estática.
A compra de imóvel é emocional; a comunicação do corretor precisa apelar também para o emocional.
Invenção é a criação com mentalidade de criança; vira inovação quando entra no jogo de gente grande.
Com IA acessível, produzir conteúdo de aparência profissional ficou mais fácil — o diferencial é aliar a experiência de quem viveu as histórias à tecnologia dos mais jovens.
Em aberto
A trend que todo mundo repete combina com o seu segmento — e vale a pena para ele? A pergunta ficou para cada corretor responder antes de copiar.
Qual é o caos de cada um que pode virar criação — e quais histórias do dia a dia da corretagem merecem ser contadas.
Termos citados
Criatividade
Inventividade, inteligência e talento — natos ou adquiridos — para criar, inventar e inovar, no campo artístico ou científico; onde houver padrão e costume haverá possibilidade de inovação, porque sempre será possível quebrá-los ou inovar a partir do seu rearranjo.
definição de dicionário lida na abertura, antes da enquete dom × habilidade
Invenção × inovação
Invenção é o que se cria com mentalidade de criança; inovação é quando a criação vira jogo de gente grande — a paródia caseira era invenção e passou a inovação quando Toquinho a gravou.
régua usada para explicar a trajetória da música do corretor
Vender sem vender
Estar presente com humor onde ninguém espera anúncio — como camisetas de academia com frases de corretor — e colher o negócio como consequência da conexão.
nome dado à estratégia das estampas criadas para os corretores usarem fora do trabalho
Citados na oficinaCemitério Jardim da Ressurreição (Piauí)·CRECI-Ceará·Sistema COFECI-CRECI·Toquinho·Nubank·Itaú·Fernanda Torres·Netflix (séries de corretores)·TikTok·Minha Casa Minha Vida (faixa 4)·Smart Fit·GPT (ferramenta de IA)·Livro "Coisa de Rico"·Livro "História do Conforto"·Casa Vogue·Banco Imobiliário (jogo de tabuleiro)