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Sala B3

28/08 · 11h00–12h0060 min de oficinaresumo em 13 min

Estruture seu funil e venda mais

O desperdício de leads apresentado como o gargalo real da operação imobiliária: na média descrita, cinco de cada cem contatos viram venda — e recuperar três dos noventa e cinco descartados foi apresentado como 60% a mais de resultado, sem comprar um lead a mais.

Rodrigo Calfa

O essencial

Contexto

Oficina apresentada duas vezes na Sala 3 do Bloco B em 28/08 — às 11h00 e às 15h00 —, em fala única com perguntas abertas à plateia o tempo todo (quem é corretor de ponta, quem é dono ou gestor de imobiliária, quem usa CRM). As duas edições abriram e fecharam com a mesma pergunta: quem ainda acredita que precisa de mais leads? O percurso vai do cálculo do custo por lead ao painel de leads abandonados, passa pela cadência de primeiro contato, pelo diagnóstico do cliente e pela ordem entre valor e preço, e termina nas métricas da operação e no cliente depois da venda. Apresentação e material de apoio ficaram prometidos por link e QR code aos presentes.

A sessão em detalhe

Abertura

Mais leads ou mais aproveitamento

A abertura foi a mesma nas duas edições: uma pergunta direta à plateia sobre quem acredita precisar de mais leads, seguida da provocação de que ou se diminui o sonho ou se aumenta a capacidade e a habilidade — a escolha de cada um. Antes de entrar no tema, a sala foi levantada por composição: quem é corretor na ponta, quem é dono ou gestor de imobiliária, quem cuida de tráfego. O objetivo declarado para o fim da oficina foi sair apto a vender mais com os mesmos leads, reduzindo desperdício e melhorando a rentabilidade da operação.

A trajetória apresentada de quem conduziu a sessão: entre 15 e 16 anos à frente de uma imobiliária, equipe de mais de cem corretores, mais de dez mil imóveis vendidos e mais de R$ 1 bilhão em vendas, com pós-graduação em marketing imobiliário e mídias sociais e MBA em marketing de serviços, além de assento como conselheiro federal do Sistema COFECI-CRECI. A frase que resume a aposta apareceu nas duas edições: faturamento é ego, o que importa é o que sobra no final.

A tese que organizou o resto: o marketing compra a atenção, e é a inteligência comercial que transforma essa atenção em resultado. Contra a queixa recorrente de lead frio, lead desqualificado e culpa do marketing, a oficina insistiu na autorresponsabilidade — o corretor que não faz a autorreflexão sobre o próprio papel em esfriar aquele contato. A demanda constante por mais lead foi nomeada do palco como droga e doença do mercado, com o pedido repetido de "cadê meu lead" descrito como o refrão do dia a dia.

O mapa de origem do cliente listado incluiu Google — com participação crescente e a leitura de que pode atropelar os portais —, Meta com Facebook e Instagram, o próprio WhatsApp, o orgânico de quem passa na porta, feirões, plantões e eventos presenciais, e a indicação, apontada como o melhor canal disponível. Sobre o contexto, a comparação feita foi com quem tinha imobiliária vinte anos atrás e não precisava saber o que é capital de giro; hoje portais e tráfego encarecem mês a mês. E a pergunta que fecha o raciocínio veio em números: qual é a sua capacidade de atendimento hoje — se chegassem 200 leads, daria para atender todos com qualidade?

CPL e desperdício

O que custa um lead e o que fica na mesa

O cálculo apresentado foi o mais didático possível e repetido igual nas duas edições: investimento em marketing dividido pela quantidade de leads gerados dá o custo por lead. R$ 10 mil investidos, 450 leads gerados, R$ 22 por lead. A partir daí, a delimitação: o marketing encerra quando o lead chega, e é o corretor que faz a diferença dali em diante — se cada oportunidade que entra não é aproveitada, o dinheiro do tráfego, do portal e do feirão está sendo jogado fora.

O fluxo padrão do mercado foi descrito passo a passo para ser criticado: o lead chega, vai direto para o WhatsApp, recebe tabela, recebe book, recebe simulação feita no site da Caixa — e o cliente some. Na média citada, de cada cem leads gerados cinco positivam, e a pergunta que a oficina fez à plateia foi para onde foram os outros 95. O painel mostrado é a resposta em dinheiro: quase 3.600 leads sem atendimento ou com atendimento atrasado numa única operação, a R$ 22 de CPL médio, dão quase R$ 80 mil literalmente descartados.

E os R$ 80 mil foram apresentados como a menor parte da conta — troco de pão, na expressão usada. O lead perdido leva junto o custo de aquisição do cliente e o valor que aquele cliente renderia ao longo do tempo: a locação, se ele fosse colocar o imóvel para alugar; a revenda de quem compra na planta e vende na entrega; as indicações que viriam de um cliente já conectado, que chegam com confiança pré-estabelecida e ciclo adiantado; a prova social de mais uma venda publicada; e a participação de mercado que a empresa ao lado ganha enquanto a sua encolhe. A imagem repetida nas duas edições foi a do balde furado: ninguém quer colocar mais água num balde que vaza.

O outro fator apontado foi o tempo. A jornada de compra descrita passa de doze meses em média, com o cliente precisando preparar renda e situação bancária antes de comprar — e o corretor imediatista antecipando esse momento. Daí a virada de figura oferecida: o trabalho deixou de ser caça e virou plantio, com semente, rega e colheita. E o alerta de que aquele contato não é propriedade de ninguém: ao clicar num anúncio, o cliente passa a ser bombardeado por dezenas de outros anúncios e abordado por vários corretores ao mesmo tempo.

Primeiro contato

A cadência de contato até a visita

O objetivo do primeiro atendimento, na proposta da oficina, não é apresentar imóvel nem preço: é conseguir que o cliente pare para ouvir e aceite a visita, o olho no olho. Nada de tabela, book ou simulação nessa etapa — o argumento é que quem só envia informação está no lugar do site, e esse é o corretor que corre risco de ser substituído por ferramenta. Nas duas edições apareceu o relato de corretores da equipe reclamando de dezenas de simulações enviadas sem retorno — mais de cem num único mês —, enquanto a venda ficou com quem gerou curiosidade e conexão.

A cadência descrita começa pela ligação telefônica, com o reconhecimento de que o telefone anda difícil de ser atendido por causa do volume de telemarketing. Não atendeu, vem a ligação pelo WhatsApp — e aí entra o cuidado com a foto de perfil, ilustrado nas duas edições pelo caso do corretor cuja foto era uma bola com uma chuteira: a recomendação é foto profissional e apresentável, porque a primeira impressão é a que fica. Depois, uma mensagem curta que se apresenta como responsável pelo atendimento, pede horário para retornar e não fala de produto. Depois, áudio. E, por fim, o áudio mudo — ideia creditada no palco a Alfredo Soares, a partir de um áudio enviado e apagado que despertou curiosidade em quem recebeu. A régua sugerida foi de três tentativas, com o encerramento na quarta por um áudio cordial que deixa o contato à disposição, e o registro de que há corretor na equipe que insiste mais, chegando a oito.

O princípio por trás da cadência foi resumido em uma frase repetida nas duas edições: em terra de WhatsApp, quem liga é rei. A mensagem escrita é interpretada como o leitor quiser — o exemplo dado foi a mensagem que soou como briga e exigiu outra mensagem para consertar. O telefone já devolve entonação e energia; o presencial devolve gesto. O estudo citado do palco, atribuído a um professor da Universidade da Califórnia mencionado pelo primeiro nome, Albert, sustentou que apenas 7% do que se comunica está nas palavras, e que o restante está em como se fala e, principalmente, no gesto e na postura diante do cliente.

Sobre onde receber esse cliente, a preferência declarada foi levar para a imobiliária, descrita como quartel-general e ambiente que o corretor domina — e a máxima que fecha o bloco é que venda é domínio. A visita, nessa leitura, é o momento em que o interesse vira negócio.

Atendimento

Conexão, diagnóstico e a ordem entre valor e preço

Venda é conexão — e conexão engloba a confiança, sem se reduzir a ela. O raciocínio apresentado: confiar 100% em alguém que se acha antipático não faz ninguém comprar; um negócio com quem não se confia até acontece, com o cliente se resguardando por todos os lados, mas com quem não gera conexão não acontece. As técnicas listadas para construir essa sintonia foram o espelhamento corporal — não ser rígido demais com um cliente despojado nem despojado demais com um cliente formal — e o gatilho da semelhança, usar o que se tem em comum, do futebol à viagem, com o lembrete de que o som de que a pessoa mais gosta é o próprio nome. O contraexemplo, contado nas duas edições, é o corretor mexendo no celular durante o atendimento: o gesto diz ao cliente que ele não é interessante, e o jogo muda quando o corretor é percebido como interessado em servir, não como interesseiro atrás do bolso do outro.

O diagnóstico proposto tem quatro etapas — situação, problema, implicação e necessidade — encadeadas em pergunta aberta, nunca em pergunta de sim ou não. Em vez de "gostou do imóvel?", o que esse imóvel muda na vida do senhor. Os exemplos usados: quem acorda às cinco da manhã para levar o filho à escola do outro lado da cidade; quem precisa comprar em outra cidade por causa de tratamento médico do filho, urgência que muda o time da compra; o investidor que não quer casa nem apartamento e sim rentabilidade, para quem tanto faz mobiliado ou não desde que a conta feche no fim do mês; e o cliente que recusa condomínio fechado porque enxerga ali um aluguel a pagar todo mês. Do conjunto saem dor, urgência, capacidade e momento de compra — entender para atender. A proporção de tempo sugerida no atendimento foi de 10% para a venda e 90% para conexão, escuta e conhecimento do cliente; e a régua repetida é que corretor bom não é o que fala bem, é o que escuta e faz as melhores perguntas, porque ganha a negociação quem pergunta melhor.

A ordem entre valor e preço foi tratada como regra sem exceção: nunca falar de preço antes que o cliente tenha comprado o valor do produto, porque, sem valor, o que ele tem para comparar é preço — e vai negociar dizendo que está caro. Mandar a tabela cedo, nessa leitura, já melou a venda. Vencidas as etapas — conexão, diagnóstico, valor —, aí entram tabela, condição de pagamento, flexibilidade de entrada, simulação e pergunta de fechamento. A pergunta de fechamento feita antes da hora foi classificada como preguiça e pressão para o cliente ir embora.

Na negociação, a orientação foi tratar informação como moeda de troca e não conceder sem contrapartida: diante do pedido de parcelar a entrada em dez vezes, a resposta modelada foi perguntar se, conseguindo, o negócio está fechado — arrancando o compromisso antes de brigar internamente pela condição. E, depois do sim, formalizar e calar a boca: ao longo dos dezesseis anos citados de mercado, perder venda já feita porque o corretor continuou falando foi apontado como talvez o maior erro do corretor de imóveis. O que cabe ali é desformalizar a conversa, agradecer e pedir indicação.

Métrica e pós-venda

Métricas da operação e o cliente depois da venda

A parte final foi um inventário de números que a oficina propôs colocar num painel de inteligência comercial: custo por lead, custo de aquisição de cliente, valor do cliente ao longo do tempo, payback do investimento, taxa de conversão, origem que mais converte e retorno sobre o investido. O critério repetido nas duas edições é que quem mede identifica erro e acerto — corrige onde errou, potencializa onde acertou — e que sem métrica não se sabe que caminho está sendo seguido. O CRM entrou como condição desse processo, alimentado e atualizado, com o contraste de que o celular é reativo: só devolve o que se vai buscar. Um link de CRM ficou de ser acrescentado ao material enviado depois da sessão.

A conta tradicional de custo de aquisição — investimento do mês dividido pelo número de clientes fechados — foi apresentada como necessária, porém subvalorizada. O que ela não captura: a nova compra do mesmo cliente, a locação, a revenda, as indicações que ele traz, as parcerias que ele abre ao pedir arquiteto ou loja de móveis, e o ticket médio que a imobiliária poderia crescer dentro da própria casa. A pergunta feita à plateia — quanto vale um cliente que você já conquistou, já conectou e já vendeu — apareceu nas duas edições.

O pós-venda foi tratado como o ponto mais displicente da operação. A política descrita na imobiliária de origem é que todo cliente que compra ganha um champanhe, entregue pelo corretor, sem custo para ele, com foto para virar prova social — e o registro feito do palco é que metade da equipe não entrega. Na mesma linha vieram as perguntas devolvidas à sala: quem lembra da primeira venda que fez, quantas indicações aquele primeiro cliente gerou, e quantas vezes o corretor voltou a falar com ele nos últimos dez anos. A leitura oferecida é que a ansiedade pelo próximo lead é o que faz o dever de casa ficar por fazer — o feijão com arroz, na expressão usada, alimenta melhor.

O fechamento voltou à conta da abertura. Sobre uma base de cinco vendas em cem leads, recuperar mais três dos 95 descartados significa 60% a mais de resultado; recuperar cinco, o dobro. O ajuste foi apresentado como pequeno e possível, sem promessa milagrosa e sem comprar um lead a mais — a expectativa declarada foi que cada um saísse com um ou dois itens aplicáveis, não com o método inteiro implantado no dia seguinte. Sobre expectativa de aproveitamento, a fala contestou a promessa de 80% a 90% atribuída a discurso de palestrante citado e disse que põe no pedestal o corretor que chega a 20%. E a última pergunta foi a mesma da abertura: quem ainda acredita que precisa de mais leads, e por quê.

O que ficou

Assentado

  • O lead desperdiçado não custa só o CPL: leva junto o custo de aquisição, o que o cliente renderia ao longo do tempo, locação, revenda, indicações, prova social e participação de mercado.
  • O funil serve para controlar o processo e a conduta do corretor, não o cliente; pular etapas por pressa custa a venda.
  • Preço só depois do valor — tabela, book e simulação enviados cedo encerram a conversa em comparação de preço.
  • O objetivo do primeiro contato é a visita: a cadência vai da ligação ao áudio de encerramento cordial, sem enviar produto pelo caminho.
  • Métrica e CRM alimentado são a base do ajuste: quem mede corrige o erro e potencializa o acerto; recuperar três de cada 95 leads descartados já muda o resultado em 60% na conta apresentada.

Em aberto

  • Apresentação, QR code de contato e o link do CRM citado ficaram para envio aos presentes depois da sessão.
  • A pergunta de abertura voltou no encerramento das duas edições, dirigida de novo à plateia: quem ainda acredita que precisa de mais leads, e por quê.
  • Payback, taxa de conversão, LTV e origem que mais converte foram levantados como diagnóstico para cada operação fazer em casa, com a conta variando de empresa para empresa.
  • A régua de tentativas antes de encerrar o atendimento ficou como escolha de cada operação — três na régua sugerida, até oito no corretor mais insistente da equipe citada —, conforme o ciclo que cada um medir.

Termos citados

CPL — custo por lead
Investimento em marketing dividido pela quantidade de leads gerados no período. No exemplo da sessão, R$ 10 mil divididos por 450 leads dão R$ 22 por lead.
Base de toda a conta de desperdício apresentada.
CAC — custo de aquisição de cliente
Quanto se investiu no período dividido pelo número de clientes efetivamente fechados. Apresentado como métrica necessária, porém subvalorizada, por não captar o que o cliente rende depois da primeira compra.
Bloco de métricas da operação.
LTV — valor do cliente ao longo do tempo
Tudo o que um cliente pode render enquanto for cliente: nova compra, locação, revenda, indicações e parcerias abertas a partir dele.
Usado para dimensionar o que se perde junto com o lead abandonado.
Payback
Quanto tempo o dinheiro investido leva para voltar — apresentado como métrica que falta ao lado do CPL e do CAC.
Painel de inteligência comercial proposto.
Espelhamento e gatilho da semelhança
Adaptar postura e linguagem ao perfil do cliente — não ser rígido demais com quem é despojado nem despojado demais com quem é formal — e usar o que se tem em comum com ele para criar sintonia.
Técnicas de conexão no atendimento presencial.
Áudio mudo
Áudio sem conteúdo enviado ao cliente que não responde, para ativar a curiosidade e provocar retorno; ideia creditada no palco a Alfredo Soares, a partir de um áudio enviado e apagado.
Última etapa da cadência antes do encerramento do atendimento.
Entender para atender
Fazer o diagnóstico do cliente — situação, problema, implicação e necessidade — antes de apresentar produto, preço ou condição de pagamento.
Frase repetida nas duas edições como resumo do método.

Citados na oficinaSistema COFECI-CRECI·Google·Meta (Facebook e Instagram)·WhatsApp·Caixa (simulação de financiamento)·Selic·Universidade da Califórnia (estudo sobre comunicação citado do palco)·Alfredo Soares (mentoria e técnica citadas)·Google Drive (envio do material da oficina)·Portais imobiliários

TemasFunil de vendas·Gestão de leads·Métricas da operação imobiliária·Atendimento e conexão·CRM·Pós-venda

Quem falou

A seguir nesta sala

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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