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Sala B1

28/08 · 12h00–13h0060 min de oficinaresumo em 12 min

Captação exclusiva: script e abordagem real

A exclusividade tratada como consequência de um pacote de serviços em três níveis — bronze, prata e ouro —, num método em que a exclusividade não é pedida ao proprietário e a captação é apresentada como venda do serviço do corretor, não do imóvel.

Renata Agalli

O essencial

Contexto

Palestra solo na Sala B1 do Bloco B em 28/08 — a programação lista a sessão às 12h00 e às 16h00 —, sobre captação de imóveis com exclusividade. A exposição percorreu os três pilares da apresentação do corretor, o pacote de serviços escalonado que substitui o pedido de exclusividade, a precificação assertiva apoiada em técnicas de PNL e ancoragem, e a carteira construída por indicação. O bloco final foi de perguntas da plateia, com dois temas trazidos por corretores: o ranqueamento de leads por pontuação e a resistência à exclusividade em imóveis econômicos.

A sessão em detalhe

Conceito

Angariação, captação e a venda do serviço

A sessão abriu pelo vocabulário: angariação é o termo usado no Sul, captação é como se fala de São Paulo para cima — e o objeto é o mesmo. A definição de dicionário foi lida do palco a partir do Google: prospecção e angariação de propriedades para serem disponibilizadas no mercado. A definição corrente entre corretores veio logo depois, em tom de piada: a arte de subir em poste e de pregar placas, do tempo do dinossauro até a IA, tudo se usa.

A tese que organizou toda a exposição é outra: captação é a arte de se vender como corretor. O que se vende na mesa do proprietário não é o imóvel, é o serviço — e, por isso, o principal produto é o próprio profissional. Sobre esse ponto vieram os três pilares apresentados, com a advertência de que se um cair, cai tudo: boa apresentação pessoal, boa apresentação do serviço prestado e boa apresentação do cenário atual, que já é a preparação da precificação.

A apresentação pessoal foi tratada como precificação implícita do serviço. O exemplo dado partiu do imóvel mais barato: num imóvel de R$ 100 mil, a remuneração citada como piso é de R$ 6 mil — o suficiente, argumentou-se, para que o serviço não seja barato e não se chegue de qualquer jeito. O contraste apontado é o captador mal arrumado que sai de camisa polo para falar com o proprietário e vira mais um na fila de corretores que aparecem no mesmo imóvel, sem construir autoridade.

A apresentação do serviço foi a segunda falha diagnosticada: o corretor chega dizendo que é fácil — assina aqui, coloco no site, coloco nos portais — e passa a impressão de que não há custo nem risco. As perguntas devolvidas à plateia foram diretas: e se der errado, quem devolve? O lembrete que atravessou o bloco é que corretor também tem boleto, ainda que o cliente imagine gasolina e almoço de graça.

O fecho conceitual do bloco liga captação a propriedade: captar é o que transforma um corretor em dono de imobiliária, porque é o que enche a loja e cria carteira. Vendedor que abre imobiliária sem saber captar, disse-se, dificilmente passa dos seis meses — o percentual citado para essa mortalidade ficou entre 90% e 95%. Quem sabe vender e não tem o que vender não tem negócio.

Método

Bronze, prata e ouro: o pacote de serviços

A analogia que abriu o método foi bancária: no banco, o cliente que deposita só o salário fica no clássico; quem usa o crédito sobe para o exclusivo e ganha o cartão dourado; no prime vêm o cartão preto, o suco de laranja e alguém que o recebe. Ninguém acha isso injusto — a entrega acompanha o que o cliente entrega. Na captação, argumentou-se, acontece o contrário: o proprietário entrega o clássico — não dá documento, não arruma o imóvel, não libera visita — e espera o serviço completo.

Daí a divisão em pacotes, apresentada ao proprietário num folder. No bronze, o imóvel entra no site e nas plataformas, e a fala é explícita: aqui não precisa ser exclusivo, fique tranquilo. No prata entram fotógrafo e a colocação em rede imobiliária. No ouro, o prazo é de 180 dias, com plataformas, visibilidade e um vídeo gravado com o próprio cliente. Fotografia, fotógrafo e drone só a partir do prata — no bronze, nada disso.

O ponto que a sessão marcou como virada é que em nenhum momento se pede exclusividade. A decisão de ser exclusivo é colocada na mão do proprietário, junto com a escolha da categoria — o que se descreveu como tirar a conversa do terreno da comissão do corretor e levá-la para o terreno do serviço. Um detalhe operacional foi acrescentado: há três ou quatro anos o prata não é escolhido; a escolha se concentra nos extremos.

As palavras da negociação também entraram no método. "Exclusividade" foi tratada como palavra proibida na conversa com o proprietário, e trocá-la por "fidelidade" foi descartado como papo de vendedor — dá na mesma. O que fica no lugar é a comparação entre pacotes e a contrapartida: investir em fotógrafo, rede e tráfego pago pressupõe que o cliente também invista algo, ainda que apenas a escolha. A objeção mais comum — o medo de que a imobiliária não faça parceria com outros corretores — é respondida com o oposto: a parceria é feita e não gera custo ao proprietário.

Sobre a praça, registrou-se que Curitiba é hoje onde mais se consegue exclusividade nas angariações, atribuído a uma cultura local de negociar entrega em troca de escolha. Também se registrou o movimento contrário no topo do mercado: o alto padrão foi descrito como o segmento que não quer dar exclusividade.

Precificação

Pesquisa prévia, ancoragem e repetição

A precificação foi chamada de dor do captador: convencer o proprietário de que o imóvel não vale o que ele sonha. E a sessão retirou da conversa a figura do cliente bonzinho — a própria experiência relatada como proprietária e investidora foi usada como prova: na hora de vender o que é seu, quer-se cerca de 20% a mais, mesmo sendo do ramo. Pode aparecer um desinformado, mas a regra é essa.

Duas condutas foram apresentadas como inegociáveis. A primeira: a pesquisa é feita antes de ir ao imóvel — quem concorre com o imóvel é outro imóvel, não a imobiliária nem o corretor. A segunda: não se dá avaliação na hora. Perguntar de saída quanto o proprietário está pedindo foi apontado como o erro que compromete tudo em uma frase só, comparado à consulta em que se pergunta pela dor e não se chega à doença.

A parte de PNL veio do exemplo escolar: o professor manda escrever cinco vezes porque cinco é o tempo de que o cérebro precisa para guardar a informação. Aplicado à captação, isso vira repetir a palavra "profissional" ao longo de toda a conversa — como profissional, minha avaliação é tal; como profissional, farei isso e isso — até o proprietário devolver a palavra por conta própria. O mesmo mecanismo apareceu num exemplo de lançamento: repetir de passagem, semana após semana, os trinta mil de entrada ao lado do shopping até a plateia repetir o dado.

A ancoragem foi definida como a arte de preparar o fechamento. Na prática descrita: nunca repetir o valor pedido pelo proprietário — se ele quer 800 mil, a resposta é que se pode trabalhar nesse valor, seguida da faixa real dos imóveis da região; deixar avisado desde o início que toda proposta será repassada, inclusive as que ele considerar audaciosas, porque isso é obrigação do profissional; e usar o encarte com um campo de valor profissional, preenchendo o campo de valor do cliente apenas se ele pedir. No caso narrado, a terceira proposta foi aceita — e o ponto sublinhado é que o preparo veio antes, não na hora de apresentar a oferta.

Dois argumentos externos completaram o bloco. O motivo da venda — a mudança para a praia, a partilha entre filhos, o imóvel que ficou grande — foi tratado como gancho de fechamento e por isso registrado no cadastro do imóvel; quem tem o motivo na mão tem metade do aceite. E o mercado financeiro como régua de comparação: o argumento oferecido é o de trocar a aplicação por imóvel de locação, com a renda citada na faixa de 6% a 8% ao ano somada à valorização — o que pressupõe que o captador saiba, ao menos em ordem de grandeza, o que o dinheiro está rendendo no banco. A moldura de tudo isso é a era da informação: com dois cliques o proprietário confere a faixa do bairro, e imóvel fora de preço não sustenta anúncio. O caso citado foi o de uma proprietária que pedia um milhão num prédio cuja faixa ia de 600 a 690 mil, com exigências para liberar o imóvel — o encaminhamento relatado foi deixá-lo apenas no portal.

Carteira

Locação, investidor e indicação

A locação apareceu como o que os corretores menos gostam de captar: muita burocracia e comissão baixa. A sessão inverteu a leitura. Quem entrega um imóvel para locação entra na carteira, e de lá sai venda, revenda e troca — depois de mais de quinze anos de aluguel, o argumento oferecido ao proprietário é o de uma poupança de baixo rendimento que pode ser trocada por um imóvel mais novo. Para quem não trabalha com locação, a saída indicada é a parceria, não a recusa.

O mesmo raciocínio se estendeu ao investidor, com uma definição larga: qualquer pessoa com um imóvel sobrando é investidora. O caso contado foi o de um cliente de catorze anos, que começou com dois imóveis e chegou à imobiliária quando ela ainda funcionava na sala de casa; a relação passou pelas filhas e pelo filho, e depois do falecimento a própria família sinalizou que voltaria a procurar a imobiliária assim que o inventário fosse concluído. Consórcio e formação de patrimônio para aposentadoria entraram nesse mesmo bloco, como conversa que o captador precisa saber puxar.

A tecnologia foi medida contra essa competência. Reconheceu-se o que já é rotina: IA que faz oferta ativa por telefone — na operação descrita, ligando para duas mil pessoas por dia —, IA que responde em WhatsApp, IA que faz a triagem de quem liga. Tudo isso foi classificado como telemarketing. O que não se automatiza, segundo a exposição, é sentar duas horas no imóvel e ouvir a história do proprietário, e é responder ao comprador se cabe uma piscina no fundo daquela casa ou se a bicicleta cabe na garagem do prédio.

O argumento econômico fechou o bloco. Quem vende costuma ser esquecido pelo comprador; quem capta é lembrado e indicado. Na operação relatada, 99% das vendas não são fechadas por quem captou o imóvel, e mesmo assim voltam como indicação — e a taxa de fechamento citada para clientes vindos de indicação é de 87%. Daí a rotina de captar por indicação sem sair da imobiliária, com mais de R$ 30 mil por mês, e o episódio de viagem à Itália e à Espanha durante o qual três imóveis captados foram vendidos, rendendo R$ 36 mil. Também se registrou o inverso do funil de estoque: não há estoque parado, pega e vende, pega e vende — e, no ano anterior, houve casos de proprietário oferecendo 8% de comissão para que o imóvel fosse trabalhado.

Gestão e plateia

Equipe, pontuação de leads e perguntas da plateia

A parte de gestão descreveu uma imobiliária de 24 corretores, com estrutura de gerência enxuta, e uma orientação de comissionamento: a fatia do captador deve ser igual ou maior que a de quem vende, porque é a captação que sustenta o resto. Junto veio o alerta sobre volume: o dito de mercado de que volume protege foi contestado — captar muito e mal não protege, porque imóvel sem preço, sem sinergia e sem entendimento da dor do proprietário não vende. O caso interno citado foi o de uma captadora com um mês de casa, chegando a vinte captações no mês pegando imóveis do mercado, sem nenhuma venda até então: boa de vender o serviço, ruim de precificar. O encaminhamento relatado foi treinamento e processo, não mais volume.

O medo de confrontar o proprietário foi respondido com uma pergunta devolvida à plateia: qual é a dor de perder aquilo que ainda não se tem. A leitura oferecida é que, quando o serviço é bom, quem mais ganha com o acordo é o próprio proprietário — e o corretor não perde nada ao explicitar as condições.

A primeira pergunta da plateia pediu que fosse compartilhado o ranqueamento de pontuação usado para distribuição de leads. A descrição dada: existe uma escala de pontuação que define quem está apto a receber lead, o corretor entra ou sai dela na semana seguinte conforme a pontuação, e quem quer entrar precisa visitar — quanto mais visita o corretor faz, mais lead recebe. O efeito relatado foi empurrar para a rua o corretor com preguiça de sair para visita, e o resultado citado depois da implantação foi de R$ 6 milhões fechados em 15 dias, com a avaliação de que essa foi a melhor mudança feita na imobiliária.

A segunda pergunta veio de uma imobiliária que trabalha com laudos e atua com imóveis econômicos na zona norte do Rio de Janeiro, onde a exclusividade encontra resistência e o proprietário chega frustrado de experiências anteriores com outras casas. A resposta reafirmou o método e acrescentou o limite: se o corretor não vai conseguir vender aquele imóvel, não deve pegar exclusivo — em alguns casos a orientação ao próprio cliente é ficar no bronze mesmo. O raciocínio apresentado é que o exclusivo mal precificado gera cobrança de tráfego pago e de serviços que não vão gerar venda, e não há tráfego que salve imóvel fora de preço na era da informação. Como concessão possível, apareceu testar por trinta dias o valor que o proprietário quer, mantida a posição de profissional.

O que ficou

Assentado

  • Captação é venda de serviço: o corretor se apresenta e se precifica como profissional antes de falar do imóvel, e os três pilares — apresentação pessoal, apresentação do serviço e apresentação do cenário atual — caem juntos se um falhar.
  • O pacote em três níveis transfere ao proprietário a decisão de ser exclusivo, sem que a exclusividade seja pedida — a palavra foi tratada como proibida na negociação; fotógrafo e vídeo passam a ser contrapartida de escolha, não cortesia.
  • Precificação assertiva exige pesquisa antes da visita; dar avaliação na hora e repetir o valor pedido pelo proprietário foram apresentados como erros que comprometem o fechamento.
  • O motivo da venda é gancho de fechamento e deve ser registrado no cadastro do imóvel.
  • A carteira é o ativo que só a captação constrói: quem capta é indicado, quem vende é esquecido, e a comissão passa a chegar sem ida a campo.

Em aberto

  • Como sustentar exclusividade nas faixas em que o proprietário resiste: o alto padrão foi citado como o segmento que não quer dar exclusividade, e a pergunta da plateia trouxe o mesmo impasse em imóveis econômicos da zona norte do Rio.
  • Como replicar a escala de pontuação que define quem recebe lead: a plateia pediu que o ranqueamento fosse disponibilizado, e a resposta ficou no critério geral — quanto mais visita o corretor faz, mais lead recebe.
  • A subida da operação para o alto padrão foi anunciada como próximo passo, com a ressalva de que a exclusividade é mais difícil nesse segmento.
  • A revisão do comissionamento interno para privilegiar o captador foi anunciada como mudança ainda por aplicar.

Termos citados

Angariação
Termo usado no Sul para o que, de São Paulo para cima, se chama captação: o processo de prospecção e angariação de propriedades para serem disponibilizadas no mercado.
Abertura da sessão, com a definição lida a partir do Google e contraposta à definição corrente entre corretores.
Ancoragem
A arte de preparar o fechamento: deixar o proprietário preparado para a proposta antes de ela existir, com faixa de mercado, repetição e aviso prévio de que toda oferta será repassada.
Bloco de PNL e precificação.
Pacote de serviços bronze, prata e ouro
Três níveis de serviço apresentados em folder ao proprietário: do anúncio em site e plataformas, sem exigência de exclusividade, até fotógrafo, rede imobiliária, vídeo com o cliente e prazo de 180 dias. A exclusividade entra como consequência da escolha do nível.
Núcleo do método apresentado.
Motivo da venda
A razão pela qual o proprietário quer vender, tratada como gancho de fechamento e por isso registrada no cadastro do imóvel.
Bloco de precificação e argumentação.
Volume protege
Dito de mercado sobre captar em quantidade para se proteger da falta de vendas, contestado na sessão: captação em volume, mal precificada e sem diagnóstico, não protege.
Bloco de gestão de equipe.

Citados na oficinaGoogle (citado como fonte da definição de angariação)·Meta (citada a propósito do custo do tráfego pago)·Instagram·WhatsApp·Bradesco (analogia dos níveis de conta: clássico, exclusivo e prime)

TemasCaptação de imóveis·Exclusividade·Precificação·PNL·Pacote de serviços·Carteira de clientes

Quem falou

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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