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Sala B4

28/08 · 12h00–13h0060 min de oficinaresumo em 13 min

Treine seu discurso e venda com método

Uma oficina que trocou a teoria por duas dinâmicas de treino para sustentar que o atendimento do corretor fala do produto, da imobiliária e dele mesmo — quase nunca do cliente — e ofereceu o SPIN como método de perguntar.

Bruno Filgueiras

O essencial

Contexto

Oficina prática apresentada duas vezes na Sala B4 do Bloco B em 28/08 — às 12h00 e às 16h00 —, anunciada nas duas edições como treinamento e não como palestra: a plateia foi dividida em duplas para o jogo do ping-pong, ouviu o bloco teórico sobre as quatro etapas do SPIN e assistiu a um roleplay de atendimento com dois voluntários de microfone na mão, seguido de feedback da plateia e do palco. Na abertura do meio-dia, a escala do tema foi fixada: dentro do mercado imobiliário, locação é venda e captação é venda. Ao fim das duas edições, um QR code encaminhou os presentes a um grupo com a apresentação e um playbook de perguntas.

A sessão em detalhe

Abertura

A provocação sobre o atendimento

As duas edições abriram com o mesmo aviso: a sessão não seria uma oficina teórica, e sim o treinamento prático descrito do palco como o que é levado a várias imobiliárias no país — a plateia colocaria a mão na massa. Na edição do meio-dia o escopo foi delimitado antes de tudo: quando se fala de vendas dentro do mercado imobiliário, locação é venda e captação é venda. A sala foi mapeada por levantamento de mãos entre quem trabalha com venda, com locação, com captação, com o administrativo de locação, quem é gestor e quem é corretor.

A provocação veio em seguida, nas duas edições nos mesmos termos: se os atendimentos daquela sala fossem ouvidos um a um, a grande maioria de quem trabalha com venda ou locação estaria falando sobre o produto; quem faz captação estaria falando sobre a imobiliária; muitos estariam falando sobre si mesmos; e raros estariam falando sobre o cliente — como ele mora hoje, com quem mora, se tem filhos, onde trabalha. Na edição da tarde, o diagnóstico foi ancorado na prática de cliente oculto relatada do palco, aplicada tanto em imobiliárias atendidas quanto em concorrentes.

A tese que sustentou o resto da oficina: o maior ativo de um corretor não é o conhecimento que ele tem sobre imóveis, é a qualidade das perguntas que ele faz — "bom corretor é bom perguntador", na frase citada do palco. Vender não foi tratado como dom, e sim como técnica que se treina; e a arte de vender começaria na arte de perguntar, porque vender não é falar, é ouvir. Daí a cadeia repetida nas duas edições: pergunta gera informação, informação é poder e poder é influência — e o cliente não entrega informação de bandeja, muitos omitem de propósito, porque sabem que ela é preciosa.

Dinâmica 1

O jogo do ping-pong em duplas

A primeira dinâmica pôs a sala em duplas, um de frente para o outro: um no papel de corretor, outro no papel de cliente. O corretor abre com uma pergunta; o cliente responde e só pode devolver a palavra fazendo uma nova pergunta, e assim sucessivamente. Quem passa a bola sem perguntar perde e os papéis se invertem; quem fica mais de três segundos procurando a pergunta também perde e inverte. A rodada foi anunciada em cinco minutos, com o objetivo dado do palco.

Os objetivos mudaram ao longo do jogo nas duas edições. As duas abriram com o mesmo mote — descobrir se o cliente estava comprando para morar ou para investir — e passaram em seguida a entender a configuração familiar de quem compra para morar. Na edição da tarde houve ainda uma virada final: trocar o papel de corretor de vendas pelo de captador, para entender os motivos que levam o proprietário a colocar o imóvel à venda.

O debrief foi igual nas duas edições e começou por votação de mãos entre quem achou o jogo fácil, médio ou difícil. A percepção puxada do palco: é muito mais fácil responder do que perguntar. As perguntas teriam saído curtas, rasas e sobre o produto — quantos quartos, quantos metros, qual o valor, qual a localização — e poucas sobre o cliente: com o que ele trabalha, onde os filhos estudam, quem decide a compra, se é o primeiro imóvel, como ele mora hoje e o que está deixando para trás. Houve ainda quem atropelasse a resposta do colega antes do fim, e poucos equilibraram boas perguntas com boas respostas.

A leitura oferecida sobre o exercício: responder é o papel passivo do jogo, e a proatividade de criar perguntas é o que diferencia um vendedor — desde que a pergunta tenha linha de raciocínio, porque criar pergunta por criar não vale de nada. Foi esse o gancho para o bloco teórico.

Método

SPIN: situação, problema, implicação, necessidade

A técnica foi apresentada como a espinha dorsal do treinamento e soletrada do palco: S de situação, P de problema, I de implicação e N de necessidade. Ela chegou pelo enquadramento da venda consultiva — "a gente não tira pedido de Coca-Cola", na frase da edição da tarde —, num mercado em que deixar de fazer venda consultiva significa deixar lead na mesa e jogar fora investimento de marketing. Duas ressalvas acompanharam o bloco: no meio-dia, a de que toda venda é emocional, mesmo a do investidor; e, nas duas edições, a de que o SPIN não é técnica de primeiro atendimento — atravessa a jornada do cliente do primeiro contato ao fechamento, e volta ao ciclo no pós-visita, quando a situação do cliente já é outra.

Situação é a fase de investigar e fazer a leitura do cliente antes de falar de produto. As perguntas listadas são de circunstância: o que fez você começar a procurar um imóvel agora, onde e em que tipo de imóvel você mora, qual é a configuração familiar, qual localização facilitaria sua rotina, quando pretende se mudar, quantas propostas recebeu até agora. O contraexemplo veio do palco: abrir a conversa perguntando quantos quartos, qual metragem, qual a forma de pagamento e quanto o cliente ganha — sem conhecer o cliente não há confiança para pedir um dado de renda, e é a confiança que a fase de situação constrói.

Problema partiu de uma premissa geral: toda empresa existe para solucionar problemas. A Coca-Cola mata a sede; a imobiliária resolve moradia e ponto comercial. Se não tem problema, não tem cliente — e os exemplos citados foram do dia a dia da carteira: quem se separa e precisa alugar, o casal que vai casar e precisa comprar. Muitas vezes o cliente não sabe que tem um problema, e o corretor não faz questão de entender qual é. Nas duas edições o P foi apontado como o ponto central da técnica: sem extração do problema — ou sem criá-lo para o cliente — nada do que vem depois se sustenta. As perguntas dadas como exemplo: o que mais incomoda você, o que está dificultando encontrar o imóvel certo, por que você ainda não fechou negócio.

Implicação é onde a dor é mostrada ao cliente, na imagem usada nas duas edições de colocar o dedo na ferida. O exemplo de captação foi o do proprietário com o imóvel parado: paga condomínio, paga IPTU, o aluguel está dois meses sem entrar e não vem retorno — e, no exemplo dado, o dinheiro preso no imóvel parado era o que faltava para pagar um plano de saúde da família. O segundo exemplo foi a dor que o cliente não sabia que tinha: o proprietário que aluga por conta própria e desconhece os problemas de uma locação sem imobiliária, da inadimplência à garantia que paga o aluguel mesmo quando o inquilino não paga. Perguntas de implicação citadas: se você não encontrar imóvel dentro desse prazo, o que acontece; quanto custa, por mês, manter esse imóvel.

Necessidade é onde a solução aparece — e, segundo a sessão, é onde se gasta menos energia quando a implicação foi bem feita: o cliente muitas vezes interrompe antes e já pede a proposta. Não seria preciso argumentar nem convencer, apenas mostrar o cenário, e as objeções teriam sido antecipadas. O bloco fechou ligando o encadeamento a outra técnica citada, a escada do sim: perguntas conduzidas de forma que o cliente responda sim, porque cada sim aumenta a aprovação do corretor, do produto e da imobiliária.

Dinâmica 2

O roleplay de atendimento e os feedbacks

A segunda dinâmica foi o roleplay: dois voluntários com microfone, um no papel de corretor e outro no papel de cliente, encenando um atendimento como o fariam no dia a dia. O cenário dado do palco foi o mesmo nas duas edições: o cliente havia chegado pelo site da imobiliária e demonstrado interesse em um imóvel. Na edição da tarde vieram junto a instrução de que o foco fosse o cliente, e não o produto, e o objetivo declarado de chegar ao agendamento da visita. Terminada a cena, a plateia dava o feedback primeiro; o feedback do palco vinha depois, ponto a ponto.

Na edição do meio-dia, a simulação girou em torno de um apartamento frente-mar de dois dormitórios. Da plateia veio o elogio ao diagnóstico e a crítica de que a conversa não terminou em visita agendada, além da observação de que, sendo investimento, faltou mostrar retorno e valorização para aumentar a percepção de valor. Do palco, o balanço reconheceu que a abordagem partiu do produto mas foi buscar contexto, extraiu bem a situação — moradia ou investimento, composição familiar, recurso próprio ou financiamento, simulação bancária, quem decide, melhor horário — e usou perguntas abertas, transformando o roteiro em bate-papo em vez do script mecânico comum nos primeiros roleplays. As correções: se o caminho é investimento, é preciso chegar com taxa, Selic, inflação, perspectiva de retorno e prazo de payback; faltou entender a urgência; houve informalidade demais para um primeiro contato; e o corretor acabou falando mais que o cliente no fim.

O palco listou então as perguntas que faltaram e que valem para qualquer atendimento. Há quanto tempo você está procurando imóvel — que revela em que etapa do funil o cliente está e quanta informação ele ainda precisa receber, já que o mesmo tempo de procura pesa de um jeito na venda e de outro na locação. O que você visitou e o que gostou. E a que quase ninguém faz: o que você não gostou nos imóveis que visitou — apresentada como a pergunta que traz o nível de detalhe que o cliente não entrega espontaneamente, ilustrada com o caso de uma simulação anterior em que a resposta foi o azulejo de formas geométricas que causava labirintite. Por fim, para quem já procura há tempo: o que fez você não fechar negócio até agora.

Outro ponto de correção foi o agendamento, que ficou confuso na simulação do meio-dia. A orientação: na primeira conversa, agende a visita — não importa se ela será frutífera ou se o imóvel é o adequado, porque é ali que a conexão se cria e a técnica se aplica na frente do cliente. E o agendamento se fecha oferecendo duas opções de horário, do tipo amanhã às 14h ou às 17h, em vez de deixar o cliente escolher a semana. Da brincadeira de fechamento entre os voluntários saiu ainda um alerta: promessa de rentabilidade tem de ser real, e cuidado redobrado com o que se fala sobre retorno de investimento.

Na edição da tarde, o cliente simulado se mudava para o Rio de Janeiro, era casado, tinha cinco filhos e dois pets e procurava imóvel — casa, não apartamento — na Barra da Tijuca e imediações, até Copacabana, com segurança e conforto. A plateia apontou que faltou conexão — os cinco filhos e o cachorro apareceram e não entraram na conversa, e o cliente que não se conecta vai com o próximo corretor — e que faltou buscar o ponto de dor. Do palco, o diagnóstico foi que a resposta do corretor foi para o produto: o cliente abriu família e origem e o corretor não se aprofundou no que ele mesmo entregou. Faltaram orçamento e urgência, faltou a bifurcação inicial entre moradia e investimento, e a pergunta final — qual era o problema daquele cliente — recebeu da plateia a resposta "confesso que eu não sei", porque a conversa toda ficara no produto.

Consequência

De apresentador de imóveis a consultor

O ganho prometido pelo método foi apresentado em números de rotina: entendidas a situação e o problema, a indicação fica assertiva e o corretor faz menos visitas, mais rápidas, e tira mais propostas. Não adiantaria mostrar 15, 20 ou 30 imóveis, porque o cliente consegue comparar no máximo cinco opções para decidir — quanto menos imóveis apresentados, mais chance de fechar. A ressalva veio junto: a primeira visita não precisa ser frutífera; ela serve para criar conexão e relacionamento.

O outro deslocamento é do preço para o valor. Feita a implicação e apresentada a necessidade, a conversa deixaria de ser sobre preço e passaria a ser sobre proposta de valor — e o alerta que acompanhou a tese na edição da tarde foi que o cliente que briga por preço tende a ser o que dá trabalho depois, para o administrativo de locação, para o corretor e para o gerente.

A conexão foi o fecho teórico. A base é a escuta ativa — interessar-se de fato pelo cliente — e o argumento é o egocentrismo: o ser humano gosta de falar de si, e quanto mais o cliente fala dele, mais empatia sente por quem pergunta. A referência citada nas duas edições foi um livro de Jack Schafer sobre persuasão, descrito do palco como escrito por quem captava espiões estrangeiros e os convertia em espiões americanos: se quem fazia isso usava a regra de que, para as pessoas gostarem de você, é preciso fazê-las se sentir bem — o que determinaria de que lado você será colocado —, converter um cliente de imóvel seria tarefa menor.

O resultado desejado é o corretor deixar de ser apresentador de imóveis e virar consultor: quem faz o diagnóstico antes de recomendar não vende só aquele imóvel, ganha o negócio da família, a indicação e a próxima transação anos depois. As duas edições fecharam com a mesma frase — investir em conhecimento sempre rende os melhores juros —, atribuída na edição da tarde a Benjamin Franklin, seguida do QR code de um grupo em que ficaram prometidos a apresentação, um playbook com centenas de perguntas de SPIN e a oferta de uma rodada de roleplay no formato voltado a imobiliárias e incorporadoras.

O que ficou

Assentado

  • Vender foi tratado como técnica treinável, e o treino aconteceu na sala: duas dinâmicas com feedback, em vez de exposição teórica.
  • O atendimento do corretor tende a falar do produto, da imobiliária e dele mesmo; o cliente é quem menos aparece — e informação só chega por pergunta.
  • O SPIN organiza a conversa em quatro etapas e vale da primeira abordagem ao fechamento, não apenas no primeiro atendimento.
  • Sem extrair o problema não há implicação nem necessidade; nas duas simulações, o problema do cliente foi o ponto mais frágil.
  • Menos imóveis apresentados significa mais assertividade: até cinco opções, e a visita agendada com duas opções de horário em vez de escolha aberta.

Em aberto

  • Apresentação, playbook de perguntas de SPIN e a lista completa de perguntas de situação, implicação e necessidade ficaram para envio no grupo aberto pelo QR code.
  • A oferta de uma rodada de roleplay dentro da imobiliária, no formato voltado a imobiliárias e incorporadoras, ficou de pé para quem entrasse no grupo.
  • Na simulação da tarde, a identificação do problema do cliente ficou para depois da sessão: a resposta que veio da plateia foi que não sabia, e o palco atribuiu isso ao foco no produto.

Termos citados

SPIN
Acrônimo soletrado do palco para as quatro etapas da conversa de venda: S de situação, P de problema, I de implicação e N de necessidade. Apresentado como técnica de venda consultiva aplicável do primeiro contato ao fechamento, e não só na primeira abordagem.
Bloco teórico das duas edições.
Venda consultiva
Modelo em que o corretor diagnostica antes de recomendar, em oposição a tirar pedido — "a gente não tira pedido de Coca-Cola". Sem ela, segundo a sessão, sobra lead na mesa e se joga fora investimento de marketing.
Abertura do bloco de método, edição da tarde.
Jogo do ping-pong
Dinâmica em duplas: um faz de corretor e outro de cliente; a palavra só é devolvida com uma nova pergunta. Passar a bola sem perguntar, ou levar mais de três segundos para formular a pergunta, inverte os papéis.
Primeira dinâmica das duas edições.
Roleplay
Simulação de atendimento com dois voluntários, um no papel de corretor e outro no de cliente, seguida de feedback aberto da plateia e do feedback do palco.
Segunda dinâmica das duas edições.
Escada do sim
Técnica citada de encadear perguntas que o cliente responde com sim: quanto mais sins ele diz, mais aprova o corretor, o produto e a imobiliária.
Bloco de implicação e necessidade, edição do meio-dia.
Cliente oculto
Avaliação de atendimento feita passando-se por cliente, descrita do palco como aplicada tanto nas imobiliárias atendidas quanto nas concorrentes, e usada como diagnóstico da abordagem comercial.
Abertura da edição da tarde.
Marcos citados
  1. Até segunda-feiraPrazo anunciado na edição da tarde para disponibilizar, no grupo aberto pelo QR code, o playbook de perguntas de SPIN e a apresentação da oficina

Citados na oficinaLink Trainer·Cúpula (agência citada na trajetória apresentada)·Cúpula Summit·Coca-Cola (exemplo citado)·Selic·Jack Schafer (autor do livro de persuasão citado do palco)·FBI (referência do livro citado)·Benjamin Franklin (frase citada no encerramento)

TemasVenda consultiva·SPIN·Atendimento ao cliente·Treinamento de corretores·Captação e locação·Roleplay

Quem falou

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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