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Sala B3

27/08 · 12h00–13h0060 min de oficinaresumo em 12 min

Invista em Ads e multiplique seus leads

Público desenhado, criativo que diz o que, onde e pra quem, formulário com lógica condicional e leitura de CPM e CTR: os quatro pilares apresentados para transformar verba de anúncio em lead qualificado — tráfego pago como estratégia, não como aperto de botão.

Rogério Fernandes

O essencial

Contexto

Palestra individual do dia 27/08 na sala B3 (Bloco B, Sala 3), apresentada em duas edições, às 12h e às 16h, com a plateia acompanhando por fones de ouvido. Pouco menos de uma hora por edição sobre anúncios pagos no Meta (Instagram e Facebook) para corretores e imobiliárias: segmentação de público, construção de criativo, formulários de qualificação e leitura de métricas, fechando com um QR code que dava acesso a um grupo de WhatsApp com aula completa e material de perguntas de formulário. Este resumo consolida as duas edições, que seguiram o mesmo roteiro.

A sessão em detalhe

O método

Os quatro pilares do tráfego pago

A sessão abriu pelo diagnóstico repetido nas duas edições: todo mundo gosta de lead, poucos sabem gerar — e menos ainda quando a conversa é lead qualificado. A tese que organizou a aula: tráfego pago não é achismo, é estratégia — não é "jogo do tigrinho", não é sorte, não é apertar botão. Na proporção apresentada, 90% do que decide o resultado é a parte estratégica; os 10% operacionais, o clique-a-clique de subir a campanha, se aprendem em vídeo rápido de YouTube. Ficou também o aviso contra o botão "turbinar publicação" do Instagram: o atalho que a própria plataforma oferece é anunciar na sorte.

Quem conduziu se apresentou como corretor de imóveis há 13 anos, atendendo leads pelo WhatsApp desde 2016, dono de agência de marketing que presta tráfego imobiliário a corretores e imobiliárias do Brasil inteiro, de um canal de YouTube dedicado a tráfego pago imobiliário — apresentado como o maior do nicho, com mais de 300 mil inscritos — e de um curso com mais de 5 mil alunos. Entre os resultados relatados em aula: uma venda de R$ 1 milhão a partir de R$ 500 investidos e, em parceria com outra corretora, R$ 4 milhões de VGV com R$ 1.400 de verba de tráfego.

Daí os quatro pilares que estruturaram tudo: público (para quem o anúncio aparece), criativo (a imagem ou o vídeo que aparece), formulário (as perguntas que filtram o lead) e análise de métricas. E um alerta recorrente sobre terceirização: gestores de tráfego e agências genéricas não são corretores e não conhecem um mercado que vai do Minha Casa Minha Vida ao altíssimo padrão — e raramente dão palpite no criativo do cliente, justamente onde a campanha se decide. O convite da sessão foi o inverso: entender a estratégia para cobrar melhor o gestor, a agência ou a própria campanha.

Pilar 1

Público: para quem o anúncio aparece

O pilar abriu por um vocabulário que a sessão fez questão de separar: lead qualificado é o que atende o perfil do imóvel do anúncio em que clicou; desqualificado é o que clicou num imóvel de R$ 2 milhões podendo comprar um de R$ 300 mil; frio é o qualificado que começou a jornada mas não está no momento de compra — cabe ao corretor esquentá-lo; quente é o que já chega querendo agendar — e esse, provavelmente, foi aquecido antes por outros corretores, que mandaram book, tabela e textão, e estava parado no CRM da concorrência; curioso é o que clica sem saber do que se trata. A confusão apontada como comum: tratar lead frio como desqualificado — às vezes o lead é desqualificado porém quente, ou qualificado porém frio, e só o atendimento revela.

A plataforma permite desenhar o público por localização, idade, interesses, dados demográficos, estado civil e profissão — e até por aparelho: um lançamento de salas comerciais para médicos e dentistas pode rodar só para quem usa iPhone. As regras de bolso ditas para alto padrão: faixa de idade de 35 a 60, público casado ou em relacionamento sério (solteiro comprando alto padrão é exceção, não regra) e anúncio somente no Instagram. O que a segmentação não alcança é renda — o Meta não sabe quanto as pessoas ganham e não tem parceria com SPC ou Serasa —, e esse filtro fica para o criativo e para o formulário.

O exemplo numérico repetido nas duas edições: uma cidade de 1 milhão de habitantes (Campinas, no caso) e um imóvel na faixa de R$ 3 a 5 milhões. Sem desenho, o anúncio roda para todo mundo de 18 a 65 anos; só o filtro de idade 35–60 tira 800 mil pessoas que não têm o perfil do produto — 80% do desperdício eliminado antes do primeiro real gasto, sobrando uns 200 mil. Interesse em apartamentos derruba para 100 mil; mais uma segmentação, 50 mil. A prática relatada para lançamentos de médio-alto padrão: anunciar para 40 a 60 mil pessoas, no máximo.

Disso saiu um mito desmontado nas duas edições: anunciar alto padrão não exige verba grande — exige menos, porque o público certo é minoria. No Minha Casa Minha Vida é o oposto: idade de 20 a 50 e interesse em compra do primeiro imóvel dão uns 300 mil na mesma cidade de 1 milhão. Errar o público é pagar para mostrar o anúncio a quem nunca compraria — e é dali que nasce o lead desqualificado. A figura usada em aula para fechar o pilar: anunciar sem segmentação é entrar num salão de olhos vendados tentando acertar um alvo, gastando munição; com o público desenhado, é mirar com uma sniper enxergando o alvo.

O segundo mito derrubado: "fulano clicou no meu anúncio e gastou meu dinheiro". Não é o clique que cobra — paga-se um orçamento diário pela veiculação, entre lead ou não. No exemplo feito em aula: R$ 20 por dia viram R$ 100 levados pelo Meta no quinto dia; se nesses R$ 100 entraram 10 contatos, o lead saiu a R$ 10 — se entraram 2, saiu a R$ 50. Custo por lead é isso: o que foi gasto em anúncio dividido pela quantidade de pessoas que entraram em contato.

Pilar 2

Criativo: o que, onde e pra quem

A moldura do pilar foi a diferença entre plataformas: o Google é ferramenta de intenção — a pessoa abriu, digitou "imóvel na Barra da Tijuca" e veio atrás de você, com nível de consciência alto; o Instagram é ferramenta de interação — ninguém acorda para ver anúncio, e o anúncio de certa forma atrapalha quem está rolando o feed, como os 5 segundos que se esperam para pular a propaganda no YouTube. Nessa disputa por atenção, o criativo tem cerca de 3 segundos para prender; vídeo comunica mais que imagem, e começar se apresentando é receita para ser pulado — o gancho abre pelo principal diferencial do produto, como localização ou preço do metro quadrado.

A fórmula martelada nas duas edições: o criativo precisa dizer o que é, onde é e para quem é. O caso usado como prova, contado de manhã e à tarde: uma aluna com lançamento de lotes de alto padrão numa cidade fora de Brasília queria atrair o comprador da capital e subiu um vídeo de produção impecável — filmmaker, drone e uns 15 segundos de "já pensou acordar em meio ao canto dos pássaros, onde a natureza encontra…" — sem dizer o que era, onde era, para quem era. O resultado descrito: gente clicando sem saber do que se trata, imaginando qualquer coisa menos loteamento em outra cidade, e sumindo da conversa ao descobrir. O vídeo refeito abria com "você, que mora em Brasília e quer comprar um lote aqui na cidade… lançamento de lotes de alto padrão" — e o clique passou a vir já sabendo. A síntese dita em aula: vídeo bonito não vende; o lead curioso, na maior parte das vezes, é o próprio criativo que fabrica.

O conceito central do pilar: o criativo é a torneira do anúncio. Quanto mais específica a fala — o bairro (Cambuí, no exemplo de Campinas), a renda mínima ("você que tem renda familiar a partir de R$ 8 mil"), o público-alvo —, mais fechada a torneira: menos cliques, lead um pouco mais caro e mais qualificado. Quanto mais genérico, mais aberta: volume alto e lead barato que muitas vezes não serve. Não há regra única, e os dois lados apareceram em aula: a construtora que contratou agência avisando que não queria qualidade, queria volume para municiar a equipe de corretores, abriu a torneira sem falar renda; quem omite o bairro de propósito pode estar buscando leads para oferecer outros produtos na conversa; e o corretor de produto único, sem mais nada a oferecer, fecha tudo. Cada estratégia é uma estratégia.

Qualidade de criativo é entrega: o algoritmo dá uma nota de 0 a 10 e o principal cliente da plataforma é o usuário que rola o feed, não o anunciante — criativo com cara de panfleto, ou de ChatGPT, entrega mal mesmo pagando. Na comparação mostrada em aula entre dois clientes da agência, o que investia R$ 50 por dia alcançava mais gente que o que investia R$ 100, por ter criativo melhor; a imagem usada para o leilão foi a de 200 anúncios disputando cada abertura de celular. E variação alimenta a máquina: num lançamento em Alphaville (Barueri), três vídeos do mesmo empreendimento mudando só o gancho dos 10 segundos iniciais — um pelo menor preço do metro quadrado da região, outro por localização e mobilidade —, porque as pessoas compram por motivos diferentes: o investidor liga para o metro quadrado, quem cuida da casa se interessa pelo lazer. A variação ainda ajuda a inteligência artificial de entrega do Meta, o Andromeda, a encontrar o melhor público.

Produção cara não é garantia: num lançamento em Osasco, quatro vídeos subiram na mesma campanha — três produzidos com filmmaker e um caseiro de 30 segundos, gravado de celular no espelho do banheiro do decorado ("atenção, você de Osasco: lançamento de 3 quartos, conheça o decorado, clica no link abaixo"). O caseiro foi apontado como o criativo campeão, e a conclusão dita em aula foi essa: nem sempre o exuberante feito por filmmaker contratado é o que dá certo — às vezes é o simples; o que vende é o gancho e a dor que o vídeo comunica, e criativo se descobre testando.

Pilar 3

Formulário: perguntas que eliminam

Campanha que joga o clique direto no WhatsApp é rápida e fácil — e por isso mesmo gera lead mais curioso. A alternativa defendida foi a campanha de formulário com o que a aula chamou de lógica condicional: o lead vai sendo eliminado conforme a resposta que dá. Os exemplos combinados das duas edições: pergunta de intenção ("deseja falar com o corretor de imóveis?"); pergunta de cidade — quem responde "achei que fosse em outra cidade" cai fora, filtrando os DDDs de fora que o Meta às vezes alcança quando alguém só passou pela região; e pergunta de renda bruta familiar em múltipla escolha, em que responder abaixo do corte do produto (R$ 4 mil num exemplo, R$ 6 mil noutro) encerra o formulário com a mensagem de que não há imóvel dentro daquele perfil.

A dose importa: o formulário roda com 4 ou 5 perguntas. Cliente de agência que quer perguntar renda, tempo de procura, dia preferido de visita e mais um rosário está querendo o lead perfeito — o cliente abre o formulário, cansa e sai. E a última pergunta foi relatada como proposital: preferir ser atendido por ligação ou por WhatsApp. Na experiência contada, todos marcam WhatsApp — o valor não está na resposta, está no comprometimento: a resposta configurada induz o lead a ler que um corretor vai chamá-lo no WhatsApp, e quem preencheu assim responde depois. As perguntas certas elevam o nível do lead — e as pessoas respondem.

Com o filtro no lugar, o corretor não perde tempo atendendo quem está fora do perfil. A ponta seguinte — ligar ou digitar, como conduzir a conversa no WhatsApp — foi remetida em aula ao material do grupo e aos vídeos do canal, com o registro de que o tema renderia outra hora.

Pilar 4

Métricas: CPM, CTR e o preço do lead

Mesmo com público, criativo e formulário bem feitos, às vezes o lead não entra — o cenário descrito foi a campanha de R$ 50 por dia que passa dois dias rodando, consome R$ 100 e não gera nada. A análise começa no gerenciador de anúncios por duas métricas. CPM, custo por mil impressões, é o que se paga para aparecer a mil pessoas — o leilão: dez corretores anunciando para o mesmo interesse na mesma região é uma concorrência, cem é outra. CPM alto significa muita gente disputando aquele público, a ponto de nem dar para saber se o criativo é bom, porque a entrega fica baixa; a saída apontada foi trocar região, interesse ou público. CTR, a taxa de cliques, é o termômetro do criativo — a referência citada nas duas edições é da ordem de 1%: alcance alto com clique baixo denuncia criativo que não chama atenção.

E o erro pode estar em qualquer pilar: no público, no criativo ou no próprio formulário que qualificou demais. A régua final é o custo por lead lido junto com a qualidade — lead barato ilude. A comparação feita em aula: R$ 30 num lead qualificado de alto padrão valem mais que dez leads de R$ 3 sem perfil; "não adianta nada o barato que não tem qualidade" — é gastar dinheiro para se iludir. Torneira fechada encarece o lead, mas poupa o atendimento de quem nunca compraria.

O fechamento das duas edições foi o mesmo: o tempo é curto para o tema — cada pilar renderia uma hora, e na edição da tarde a conta saiu explícita, 50 minutos para tudo. O aprofundamento ficou num QR code exibido no fim, que levava a um grupo de WhatsApp onde seriam enviados uma aula completa de criação de campanha do zero, do público ao formulário, e um material com 30 perguntas e respostas de formulário usadas nas campanhas relatadas em aula, até o alto padrão.

O que ficou

Assentado

  • Tráfego pago se decide na estratégia: público, criativo, formulário e métricas antes de qualquer botão — o "turbinar publicação" do Instagram foi desaconselhado como anúncio na sorte.
  • Errar o público é pagar para aparecer a quem não tem perfil: o lead desqualificado nasce na segmentação, antes do atendimento — e alto padrão, por ter público menor, pede menos verba, não mais.
  • O criativo qualifica ou contamina: dizer o que é, onde é e para quem é nos primeiros segundos evita o lead curioso que o próprio anúncio fabrica; vídeo bonito, sozinho, não vende.
  • Paga-se pela veiculação diária, não pelo clique; o custo por lead (gasto dividido pelos contatos) só faz sentido lido junto com a qualidade — R$ 30 num lead certo valem mais que dez de R$ 3.
  • Formulário com lógica condicional, em 4 ou 5 perguntas, entrega lead mais comprometido que o clique direto no WhatsApp.

Em aberto

  • Quanto abrir ou fechar a torneira não tem resposta única — volume para municiar equipe ou qualidade para produto único; "cada estratégia é uma estratégia", calibrada pela carteira e pelo momento de cada corretor.
  • O passo a passo operacional — montar a campanha no gerenciador, as 30 perguntas de formulário, o atendimento no WhatsApp — ficou remetido à aula e ao material prometidos no grupo de WhatsApp da sala: pela conta feita no fechamento da tarde, cada pilar renderia uma hora e a palestra inteira tinha 50 minutos.

Termos citados

Lead curioso
O que clica no anúncio sem saber do que se trata e não avança no atendimento; na leitura da aula, na maior parte das vezes é o próprio criativo vago que o gera.
Caso do vídeo de lotes perto de Brasília que abria com 15 segundos de natureza sem dizer o que, onde e para quem.
Torneira do anúncio
Figura usada para o grau de especificidade do criativo: falar bairro e renda mínima fecha a torneira (menos leads, mais qualificados e mais caros); ser genérico abre (mais volume, menos perfil).
Aplicada aos exemplos do bairro Cambuí, da renda "a partir de R$ 8 mil" e da construtora que pediu volume.
CPM
Custo por mil impressões: quanto se paga para o anúncio aparecer a mil pessoas; sobe quando muita gente disputa o mesmo público — é o leilão da plataforma.
Uma das duas métricas apontadas como principais no gerenciador de anúncios; CPM alto pede troca de região, interesse ou público.
CTR
Taxa de cliques do anúncio; indica se o criativo está chamando atenção. A referência citada em aula é da ordem de 1%.
Segunda métrica principal do gerenciador; alcance alto com CTR baixo aponta criativo fraco.
Custo por lead
Divisão do que foi gasto em anúncio pela quantidade de pessoas que entraram em contato.
Exemplo em aula: R$ 100 gastos com 10 contatos dão lead a R$ 10; com 2 contatos, a R$ 50.
Lógica condicional
Formato de formulário em que o lead é eliminado conforme a resposta que dá — renda abaixo do corte, por exemplo, encerra o formulário.
Base da campanha de formulário defendida como alternativa ao clique direto no WhatsApp.
Meta Andromeda
Inteligência artificial de entrega do Meta, citada como chegada há cerca de dois anos, que analisa os criativos em alta velocidade para encontrar o melhor público.
Argumento para variar criativos e escrever neles a informação do produto: isso alimenta o algoritmo.

Citados na oficinaMeta·Instagram·Facebook·Google·YouTube·WhatsApp·Meta Andromeda·Minha Casa Minha Vida·Canva·ChatGPT·SPC·Serasa

TemasTráfego pago·Meta Ads·Geração de leads·Qualificação de leads·Marketing imobiliário

Quem falou

A seguir nesta sala

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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