← Programação completa
Sala A2

28/08 · 10h00–11h0060 min de oficinaresumo em 13 min

Foto e vídeo de imóveis que convertem leads

Quatro pilares de posicionamento — foto, vídeo, presença e consistência — sustentados por ajustes gratuitos do celular que o corretor já tem no bolso, e a advertência de que tráfego pago sobre material ruim só mostra coisa feia para mais gente.

Tiago Sirena

O essencial

Contexto

Oficina solo apresentada duas vezes na Sala A2 do Bloco A em 28/08 — às 10h00 e às 14h00 —, sobre produzir foto e vídeo de imóvel com o aparelho celular. As duas edições seguiram o mesmo roteiro: os quatro pilares de posicionamento em rede social (foto, vídeo, presença e consistência), os três pilares de uma boa fotografia (home staging, iluminação e ajustes do aparelho), os formatos de vídeo por etapa do funil e a edição em dois aplicativos. Houve exercícios com a plateia de celular na mão, e nas duas edições o material com o passo a passo de ajustes para iPhone e Android ficou prometido aos presentes para depois da sessão.

A sessão em detalhe

Abertura

Posicionamento em rede social e o básico bem feito

As duas edições abriram pelo mesmo lugar: o Instagram tratado como rede social exibida, aquela em que ninguém entra para dizer que está dando tudo errado — todo mundo treina, todo mundo viaja, e até quem está quebrado posta foto tomando café de frente para o mar. A conclusão puxada dali é que o tipo de conteúdo entregue à rede faz diferença, e que no mercado imobiliário o jogo muda em relação ao criador de conteúdo comum: quem fala de imóvel não vende a própria imagem falando, vende o que a foto e o vídeo mostram.

A referência de método veio da caneta BIC, apresentada como a caneta mais vendida do mundo e que, da concepção até hoje, teve uma alteração só: o furo na tampa, para que o ar passasse e a pessoa distraída não morresse asfixiada. O princípio extraído foi o do básico bem feito — e, no caso do corretor, o básico bem feito também é deixar de rasgar dinheiro.

A demonstração foi um par de fotos do mesmo ambiente e do mesmo imóvel. A primeira, feita pelo que a oficina chamou de corretor maratonista: entra no imóvel, fotografa 300 metros quadrados em 6 minutos e o material está pronto. A segunda, feita com o método apresentado na sessão. O primeiro anúncio, patrocinado com R$ 100 de tráfego pago, registrou 5 mil impressões e 100 cliques; o segundo, 10 mil impressões e 800 cliques — oito vezes mais gente interessada na foto tratada.

A leitura oferecida para o resultado foi que o alcance orgânico fez o trabalho: o tráfego pago sozinho não faz milagre, só obriga a rede a mostrar para mais gente algo que ela não quer mostrar, e o dinheiro vai para o lixo. Daí a ordem proposta na oficina: arrumar o material primeiro, impulsionar depois.

Foto · pilares 1 e 2

Home staging e exploração da iluminação

Home staging foi definido na fala como técnica de marketing imobiliário para preparar o imóvel — para a visita ou para a fotografia. À objeção antecipada do palco ("vou ter que virar diarista do dono do imóvel?") a resposta foi outra: transformar isso em diferencial. E aqui apareceu a tese de captação da oficina — o processo de venda não começa quando o cliente entra na imobiliária ou chama no Instagram, começa na captação do imóvel, porque o dono do imóvel é o comprador de amanhã.

O roteiro descrito começa com um telefonema ao proprietário para agendar a captação, avisando que o trabalho é um pouco diferente e que será preciso mexer algumas coisas de lugar para extrair o máximo potencial do imóvel: retirar as fotos da família, para resguardar a privacidade; tirar a toalha e os produtos de higiene do banheiro e fechar a tampa do vaso; limpar a bancada da cozinha. O efeito relatado é duplo — o proprietário costuma deixar o imóvel quase pronto para quando o corretor chega, e conclui que, entre os corretores com quem falou, foi esse o único a demonstrar interesse em explorar o potencial do imóvel. Para quem trabalha em equipe, a sugestão foi levar dois colegas na captação: mais gente conhecendo o imóvel e um trabalho de especialista entregue ao proprietário.

O segundo pilar foi a luz, com a formulação de que iluminação não serve apenas para iluminar — serve para acolher, trazer aconchego. A rotina descrita: chegar e pedir ao proprietário para ligar todas as luzes, porque ele mesmo não lembra de todas; procurar luz dentro de cristaleira, no painel de TV, no rodapé dos móveis, na cabeceira da cama. Com as luzes acesas, fechar cortina e persiana e fotografar assim a maioria dos ambientes, deixando uma ou duas fotos com a janela aberta para mostrar a vista e a posição solar.

O caso citado nas duas edições foi o de um imóvel com parede de vidro na lateral e sem cortina que fechasse: a equipe voltou à noite para fotografar. A justificativa dada para o trabalho extra é a que a oficina repetiu em vários momentos — ganhar dinheiro dá trabalho. E o custo de errar a luz foi ilustrado por um imóvel de R$ 3 milhões que, mal iluminado na foto, pode parecer cenário de investigação criminal.

Foto · pilar 3

Formato, HDR, linhas de grade, lente e edição

O terceiro pilar da foto foi apresentado como o mais delicado: três ajustes no aparelho. O primeiro é o formato — 4x3 fixo, sem ficar mexendo na configuração, porque o celular tem de estar pronto para sacar do bolso e fotografar. A comparação mostrada foi entre 4x3 e 16x9 no mesmo ângulo e na mesma posição: o formato mais largo passa a impressão de mostrar mais do ambiente, mas o que aparece a mais nas laterais se perde na altura. Foto para site e para feed, sempre na horizontal; para stories, gira o aparelho na vertical e mantém o 4x3, porque o próprio stories corta as bordas que sobram.

O segundo ajuste é o HDR, descrito como o recurso que equilibra a iluminação quando se fotografa contra uma janela ou uma porta — sem ele, o branco estoura, a claridade toma a cena e o interior do imóvel fica escuro. Foi dito que aparelhos recentes, entre eles o iPhone 17, já vêm com HDR automático, e que nos modelos anteriores é preciso entrar na configuração e ativar.

O terceiro são as linhas de grade, o "jogo da velha" que aparece na tela da câmera. O exercício feito com a plateia de celular na mão mostrou os três eixos que distorcem a imagem: inclinar para frente e para trás faz a parede parecer que está caindo, e girar o aparelho pelo lado deixa tudo torto. Com a grade ativada, a linha superior se alinha ao teto, ao topo da janela, ao móvel ou à linha do porcelanato, e a linha vertical se alinha à parede ou à lateral da janela — resultado descrito como foto plana, com aspecto de revista. Junto veio a recomendação de ativar também o nível, a linha amarela que ajuda a equilibrar o movimento, e o uso da grade para composição: a árvore não precisa ficar no quadrante central.

A lente 0,5 foi apresentada como tema polêmico e como recomendação pessoal padronizada na imobiliária de origem — a distorção que fazia o ambiente parecer maior está cada vez menor, e o que se ganha é informação: o espaço na frente do balcão, o pilar que parecia parede. Na edição da tarde entrou uma dica para ambiente pequeno, closet e banheiro: encostar na parede ou no móvel e abaixar, para mostrar mais chão e aumentar a sensação de espaço.

A edição das fotos foi demonstrada no Snapseed, com a ressalva declarada do palco de que não há nenhum ganho envolvido com quem criou o aplicativo e de que outro editor serve igual. Dentro dele, apenas a aba de ajustes, numa sequência própria: brilho, ambiente, realces (ou altas luzes, conforme a versão), sombra, calor e, por último, saturação — deixada para o fim justamente para corrigir o tom alaranjado que a edição vai criando. O contraste foi apontado como algo em que não se precisa mexer. Percentual fixo não existe: o instrumento citado foi o olhômetro, ajustando e olhando o resultado, porque a incidência de luz muda de foto para foto. E sobre volume a formulação foi direta: se são 60 fotos, editam-se as 60.

Vídeo

Takes curtos, tour pelo imóvel e edição no CapCut

O bloco de vídeo abriu com três formatos. Os takes curtos são tomadas de poucos segundos — a bancada da cozinha, um espaço de leitura, a fachada à noite — montadas num reels de 30 a 40 segundos no máximo: vídeo de topo de funil, feito para atrair. O tour pelo imóvel é o vídeo longo, publicado na vertical no Instagram e na horizontal no YouTube; não tende a viralizar, mas alcança quem realmente quer comprar — e a comparação oferecida foi a de muitas visualizações contra 50 visualizações e uma proposta. O terceiro formato, tratado como o calcanhar de Aquiles da maioria, é o vídeo pessoal.

Sobre o YouTube veio um argumento de audiência: na Copa do Mundo recém-passada, o canal que mais transmitiu jogos e teve maior audiência estava no YouTube, não na TV aberta; e quem compra um equipamento novo e tem preguiça de ler o manual vai procurar vídeo lá. A recomendação prática para quem não tem site foi usar o canal como vitrine, com uma aba de vídeos, e para quem tem site, colar o link do vídeo no descritivo do imóvel com um título logo acima anunciando o vídeo. Na edição da tarde entrou também o Google Ads para anunciar só na própria cidade, e o caso de um alto padrão com dificuldade de venda, em que o material foi para a TV aberta ao mesmo tempo em que o mesmo material foi para o YouTube.

O cuidado central do tour é o ritmo: não filmar como quem está jogando tênis, com o cliente quase desmaiando na tentativa de acompanhar. Entrar lentamente em cada ambiente, dar o giro, sair, seguir para a ala íntima, entrar no dormitório, girar — sem pressa, porque quem assiste até o fim é quem está interessado. Do lado técnico, dois ajustes: FPS, com o vídeo parecendo travar em 24 fps e ficando suave em 60, e novamente as linhas de grade, agora alinhadas à parede durante o deslocamento — sem isso, os móveis entram tortos no quadro.

Os movimentos foram ensinados a partir de um ponto de interesse escolhido no ambiente — uma bancada, uma banheira, uma mesa de centro. Sobre ele: aproximação lenta, deslocamento paralelo, meia-lua começando e terminando no meio do ambiente, orbital erguendo o aparelho e descendo girando, e entrada e saída de frame. Cinco takes já montam o vídeo curto. Para quem não tem gimbal, ou esqueceu o gimbal, ou ficou sem bateria, a estabilização manual apresentada como a dica mais sofisticada da oficina: erguer a mão, girar o dorso para fora, encaixar o aparelho com a lente para baixo, deixar o braço em meia-lua e travar o ombro.

A edição de vídeo foi demonstrada no CapCut, também com a ressalva declarada de que não há ganho envolvido. A primeira providência é silenciar todos os clipes — há som captado durante a filmagem que não merece sobreviver à edição, do cachorro latindo ao casal conversando —, religando o volume só no take em que há fala. Depois, transição entre os cortes, com o alerta de não usar todas no mesmo vídeo, porque o astro central é o imóvel e não a transição. Quando o clipe começa e termina parado, a solução mostrada é puxar as duas bordas para dentro e eliminar o frame estático. Filtros discretos e o filtro 4K entraram como acabamento, e os modelos prontos do próprio aplicativo como saída para quem não consegue editar do zero — o modelo corta o take no tempo dele e entrega o vídeo pronto.

Posicionamento · pilares 3 e 4

Vídeo pessoal, presença e consistência

A virada do material para a pessoa foi feita por um caso contado nas duas edições. Um casal de alto padrão visitou tudo o que a carteira tinha e nada agradou; a busca seguiu no site de outras imobiliárias, um link de uma casa foi enviado à cliente e a resposta foi que não gostaram. Na semana seguinte, o proprietário daquela mesma casa — já anunciada por outras imobiliárias e sem retorno — procurou a equipe para fazer o material. Publicado o primeiro conteúdo no Instagram, a mesma cliente mandou o print dizendo que queria visitar aquela casa. Mesma metragem, mesmo IPTU, mesma sogra reclamando do valor. O que mudou foi o material — e a pergunta deixada foi quantos imóveis bons estão escondidos atrás de material ruim no site do corretor.

O princípio repetido ao longo da oficina é o de que o ser humano é visual: compra com os olhos e valida com o bolso — e, para quem é casado, valida com a esposa antes do bolso. Na leitura de visita apresentada, o homem olha churrasqueira e garagem, enquanto a mulher olha tamanho de cozinha e de quarto, área de circulação e posição solar; a maior parte da decisão de compra foi atribuída às mulheres.

O terceiro pilar, a presença, começa pelo diagnóstico de que a profissão não permite mais anonimato: a melhor logomarca do corretor é o próprio rosto, e um perfil só com foto de imóvel é um perfil frio que não conversa com ninguém. Contra a vergonha de aparecer, a frase que fechou o argumento nas duas edições foi que boleto não tem empatia — a fatura vence de qualquer jeito, então melhor se antecipar. O caminho proposto para quem trava é o take curto com frase curta: gravar uma frase por ambiente, em tomadas separadas, até virar natural. O exemplo desenvolvido foi o do espaço gourmet — qual é a finalidade de um churrasco, reunir família e amigos, e essa casa tem esse espaço. Também foi sugerido gravar conteúdo explicando o próprio ofício, como a diferença entre matrícula e escritura, e preparar as falas antes, pedindo a um chat as três frases do vídeo. Para quem quiser ir além, curso de dicção e oratória.

O fecho, igual nas duas edições, amarrou os quatro pilares: uma boa foto faz o cliente parar, um bom vídeo faz ele prestar atenção, a presença faz ele lembrar de você e a consistência faz ele confiar — porque a consistência vence a intensidade e o talento, e quem não é visto não é lembrado. A convocação final foi começar hoje, com o aparelho que se tem, sem esperar o gimbal do mês que vem, e não parar até as pessoas próximas terem ainda mais orgulho da profissão.

O que ficou

Assentado

  • Tráfego pago sobre material ruim só amplia o material ruim: no par de anúncios comparado na oficina, a foto tratada rendeu oito vezes mais cliques que a foto sem tratamento.
  • Os três ajustes de câmera apresentados — formato 4x3, HDR e linhas de grade — não custam nada e são feitos uma vez, no aparelho que o corretor já tem.
  • Home staging entra antes da foto e começa no telefonema ao proprietário: organizar o imóvel é parte do serviço de captação, não tarefa extra.
  • Cada formato de vídeo tem um lugar: takes curtos para atrair no topo do funil, tour longo para reter quem já quer comprar, vídeo pessoal para gerar confiança.
  • Consistência foi colocada acima de talento e de equipamento: publicar sempre é o que faz o corretor ser lembrado na hora de comprar e de vender.

Em aberto

  • O material com o passo a passo de ajustes de foto e de FPS para iPhone e Android ficou prometido aos presentes para depois da sessão; na edição da tarde, o caminho indicado foi o contato direto pelo Instagram ou por e-mail.
  • A escolha entre lente 0,5 e lente normal foi apresentada como tema polêmico e como recomendação pessoal, com a decisão deixada a critério de cada corretor.
  • Os percentuais de edição no aplicativo ficaram sem valor de referência: a orientação foi ajustar no olhômetro, foto a foto, porque a incidência de luz muda a cada imagem.

Termos citados

Home staging
Técnica de marketing imobiliário para preparar o imóvel — retirar objetos pessoais, organizar bancadas e banheiro, arrumar o ambiente — antes da visita ou da sessão de fotos.
Primeiro pilar da fotografia, nas duas edições.
Corretor maratonista
Expressão usada para o corretor que entra no imóvel e fotografa tudo em poucos minutos, sem preparar o ambiente nem ajustar o aparelho.
Comparação das duas fotos do mesmo ambiente na abertura.
HDR
Recurso da câmera que equilibra a iluminação da cena, apresentado como indispensável ao fotografar contra janela ou porta, quando o branco estoura e o interior escurece.
Segundo dos três ajustes do aparelho.
Linhas de grade
O "jogo da velha" exibido na tela da câmera, usado para alinhar os três eixos da imagem ao teto, ao topo da janela, ao móvel ou à linha do porcelanato — e para compor a cena em terços.
Terceiro ajuste, com exercício de celular na mão na plateia.
FPS
Fotos ou frames por segundo da gravação: em 24 o movimento parece travar, em 60 fica suave.
Ajustes técnicos do bloco de vídeo.
Ponto de interesse
Elemento escolhido no ambiente — bancada, banheira, mesa de centro, lustre — que serve de referência para guiar o movimento de câmera no vídeo.
Base dos cinco movimentos ensinados.
Olhômetro
Termo usado para o ajuste de edição feito no olho, sem percentual fixo, mexendo no controle até a foto ficar boa.
Bloco de edição de fotos.

Citados na oficinaInstagram·YouTube·Google Ads·Snapseed·CapCut·BIC·iPhone·Android

TemasFotografia imobiliária·Vídeo imobiliário·Home staging·Redes sociais·Edição no celular·Captação

Quem falou

A seguir nesta sala

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

Ver a programação