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Sala A4

28/08 · 10h00–11h0060 min de oficinaresumo em 13 min

Como usar suas emoções a favor da venda

O desgaste emocional apresentado como o que de fato tira o corretor do mercado — e, contra ele, cinco pilares, a regra "pare, pense, responda" e a separação entre o fato e a interpretação quando o cliente some no fim da negociação.

Claudia Dietrich

O essencial

Contexto

Oficina solo apresentada duas vezes na Sala A4 do Bloco A em 28/08 — às 10h00 e às 14h00 —, sobre inteligência emocional aplicada à carreira de corretor de imóveis. As duas edições seguiram o mesmo roteiro: um bloco de perguntas feitas à sala, o relato pessoal de um burnout no ano anterior, os cinco pilares da inteligência emocional e a parte prática que o formato de oficina do congresso pede — o cenário do cliente que para de responder quando a venda parece fechada. As duas trouxeram cumprimentos pela data da categoria, comemorada na véspera, e terminaram com a mesma frase: sejam emotivos, mas com muita inteligência. A edição da tarde detalhou mais o episódio da escola e a semana descrita na cama, com burnout e depressão; a da manhã trouxe a analogia do medo de avião e o exemplo doméstico com a filha adolescente.

A sessão em detalhe

Ponto de partida

O que o mercado ensina e o que ele não ensina

As duas edições abriram do mesmo jeito: um bloco de perguntas à sala, com o pedido, na edição da manhã, de que a resposta viesse com a mão levantada. Quem já perdeu uma venda ou uma locação e ficou remoendo aquilo por dias. Quem já sentiu ansiedade com meta, comissão e cobrança. Quem já atendeu um cliente que sumiu depois de semanas de negociação. Quem já perdeu o sono por causa de uma negociação. E quem já deixou de participar de uma data importante da família para atender um cliente em potencial. A sequência tem função dupla na oficina: reconhecer a rotina da plateia e preparar o relato que vem logo depois.

O diagnóstico apresentado foi de um vazio de formação. O congresso, observou-se do palco, está cheio de oficina sobre como vender mais, como alugar mais, documentação imobiliária, captação em exclusividade, organização da imobiliária e inteligência artificial — tudo técnico e tudo necessário. Sobre a parte emocional se aprende pouco, e foi ela que a sessão descreveu como a mais difícil de administrar e a que pode mudar uma carreira. O objetivo anunciado para quem saísse da sala foi lidar melhor com a pressão do mercado e tomar melhores decisões.

A lista do que o mercado não ensina veio em quatro itens: lidar com a rejeição, controlar a ansiedade, gerenciar a pressão e processar a frustração. Rejeição, porque quando o cliente some o primeiro pensamento é ter feito alguma coisa errada — a culpa cai sempre do lado de cá. Pressão, porque ela chega do proprietário que quer vender, do comprador que quer abaixar o preço, do gerente e da franquia, ao mesmo tempo. E há a pressão das redes sociais: o corretor que posta venda todo dia e a comparação inevitável que vem junto. A conclusão trazida foi que não se vende todo dia e que não é assim que o mercado funciona.

A incerteza entrou como fonte permanente de desgaste: não há a previsibilidade financeira de quem é CLT e sabe que no dia X o valor cai na conta; tem dia em que a conta está bonita e dia em que não está, e nenhuma proposta em andamento é certeza de venda. Sobre a frustração, a formulação usada foi que não se controla o que o cliente pensa — o que dá para treinar é o processamento do não. A comparação feita foi com o pessoal do telemarketing, descrito como treinado para receber recusa e xingamento; o corretor, que também vive de ouvir não, não recebe esse treino.

Relato

O burnout contado no palco

A resposta às perguntas de abertura, do lado de cá do microfone, foi sim para todas, sem exceção — e o que veio depois foi contado em detalhe. O episódio narrado como virada foi uma reunião na escola da filha, em João Pessoa. A filha tem 15 anos e estuda na mesma escola desde os 9; a turma é pequena, 13 alunos. Na reunião, as mães vieram se apresentar, com um "muito prazer", porque não se conheciam. A imagem usada foi a de um soco no estômago, e o sentimento nomeado foi culpa: o trabalho tinha passado à frente, e a filha estava deixando de participar de coisas da escola porque a mãe não participava.

O quadro descrito em seguida foi um burnout com depressão, no ano anterior: uma semana jogada na cama chorando, sem saber o que estava sentindo, com a família apavorada. A palavra usada nas duas edições foi "pifei"; à tarde, com a imagem de uma chavinha desligada. E o adoecimento não ficou em uma pessoa só: marido triste, filha triste, casa triste, e até a cachorra percebendo que havia algo errado. Foi dito na edição da manhã que, no dia em que decidiu renascer das cinzas, a casa virou outra casa e a dinâmica da família virou outra dinâmica.

Os sinais que passaram batidos formaram o trecho mais prático do relato. Chegar da imobiliária, abrir a geladeira e ir dormir. Não ver o marido chegar do trabalho, não saber se a filha tinha jantado. E explicar tudo com a mesma frase: meu dia foi muito cansativo. Só depois, estudando, veio a distinção que a oficina quer que a plateia leve para casa — não era cansaço físico, era desgaste emocional. A conclusão extraída foi ouvir o corpo, que fala e dá sinais, em vez de arrumar desculpa para ele; e a ressalva de que ninguém tem de dar conta de tudo.

A apresentação pessoal veio depois do relato, invertendo a ordem de propósito. Corretora de imóveis, com imobiliária própria sob franquia, e psicanalista. Até o ano anterior, a palestra que levava a eventos era sobre home staging, técnica descrita ali como a que ajuda a vender mais rápido o imóvel; depois do episódio veio o estudo, uma pós-graduação e a especialização em inteligência emocional. O motivo declarado para trazer o tema ao CIMI360 foi que ninguém na sala precise passar pelo mesmo: se soubesse um terço do que sabe hoje, disse-se, não teria passado pelo que passou.

Método

Os cinco pilares da inteligência emocional

Antes dos pilares, a definição — construída pela negativa, porque a confusão é comum: inteligência emocional não é virar uma pessoa fria que não sente nada. A emoção continua; o que muda é a reação. O exemplo dado na edição da manhã foi o medo de voar: o frio na barriga na decolagem não some, mas nomear aquele medo como irracional, sabendo que é o meio de transporte mais seguro do mundo, permite relaxar e fazer a viagem. E o exemplo da própria sala: antes de subir ao palco não era nervosismo, era ansiedade. A mesma régua vale para distinguir raiva de medo e medo de ansiedade — na conversa contada à tarde, uma amiga que se dizia ansiosa, pensando melhor, estava com medo. Cada emoção pede um manejo diferente, e por isso nomear é o primeiro passo.

Pilar 1, autoconhecimento. Consciência emocional: o que eu estou sentindo agora. Nomear ajuda a gerenciar. Identificar padrão: sempre que atendo um cliente novo eu fico nervosa; entro com muita sede ao pote, ofereço tudo de uma vez e não dá certo — e a pergunta que segue é o que precisa mudar. Autopercepção: ninguém conhece a gente melhor do que a gente mesmo, nem o marido, nem a amiga. O exemplo trazido do próprio dia foi a insônia da véspera, identificada como ansiedade por causa da palestra da manhã.

Pilar 2, autocontrole, apontado como a parte mais difícil e repetido em coro com a plateia: pare, pense, responda. O celular cobra resposta imediata, e a etapa que se pula é justamente a do meio. Quem está do outro lado não vê a intenção: uma mensagem escrita num dia mal-humorado, ou dirigindo, é lida de outro jeito — e foi estimado do palco que 99% da conversa com cliente hoje acontece por WhatsApp. O exemplo trabalhado foi a mensagem do cliente cancelando a visita: responder no impulso perde o cliente; parar, pensar e responder remarca para o dia seguinte, no mesmo horário. Ao lado disso, uma régua de escolha — que briga vale ganhar, que resposta vale dar. E vale igual em casa: na edição da manhã, o exemplo foi a filha adolescente chamando a mãe de "véi", com a pausa entre a vontade e a resposta.

Pilar 3, motivação: o que sustenta quando o resultado não aparece. Se a corretagem for só vender, o dia sem venda derruba, e quem não tem propósito claro acaba trocando de profissão. Ninguém é motivado 24 horas por dia — foi contado, na edição da tarde, o encontro com alguém que respondeu estar sempre bem, e o quanto aquilo soou arrogante. A motivação declarada na sessão foi a filha, extremamente tímida: subir ao palco para mostrar a ela que também é capaz, mesmo nos dias de preguiça ou de convite inconveniente. Ao lado da motivação, a sessão colocou propósito, disciplina e constância.

Pilar 4, empatia, também definida pela negativa: não é o blá-blá-blá de se colocar no lugar do outro, porque não há como saber como o outro sente. É ouvir mais e interromper menos, e compreender antes de convencer — insistir em convencer o cliente de que aquilo é o melhor para ele desgasta a relação e derruba a venda. O erro assumido em primeira pessoa foi falar do imóvel, do bairro, falar sem escutar. A lembrança usada à tarde foi a do claviculário: pegar todas as chaves da imobiliária, colocar o cliente no carro e rodar o bairro o dia inteiro, fim de semana após fim de semana — sem escutar o que ele tinha dito, mostra-se o imóvel errado. A frase que fecha o bloco apareceu nas duas edições: quem escuta mais, vende mais.

Pilar 5, habilidade de relacionamento. Venda é relacionamento: ninguém entrega um milhão de reais na mão de quem não inspira confiança, por melhor que seja o Instagram, a apresentação ou o imóvel. Comunicação e credibilidade entram aí. O argumento final do bloco foi o do rastro que fica: o cliente sai de uma visita e talvez não se lembre de uma característica do imóvel, mas se lembra do impacto que o atendimento causou nele — e um corretor com o emocional em dia impacta de outro jeito. O cliente, disse-se na edição da manhã, é o maior ativo do corretor.

Exercício

O cliente sumiu: fato contra interpretação

A parte prática usou um cenário só, apresentado como o mais comum do mercado. Semanas de atendimento, visitas feitas, imóveis apresentados, dúvidas tiradas, condições negociadas — e, no momento em que parece que a venda vai sair, o cliente para de responder. Mensagem no WhatsApp, nada. Ligação, caixa postal.

A sala foi convidada a dizer o que se pensa nessa hora, e as respostas foram organizadas do palco: onde foi que eu errei, não gostou do meu atendimento, fechou com outro corretor, estou perdendo meu tempo, preciso fazer alguma coisa para recuperar esse cliente. O que se sente: ansiedade, frustração, raiva, insegurança, medo de perder a venda e sensação de rejeição. E o que se faz: olhar o celular a cada minuto, insistir, mandar várias mensagens, cobrar resposta e remoer por semanas. A escalada descrita chega a vasculhar o Instagram do outro corretor para ver se ele postou a venda, tirar certidão para checar se o imóvel passou para outro nome e prometer processo; ou ligar para o proprietário pedindo cinco mil reais de abatimento para tentar forçar o fechamento.

A separação proposta foi a espinha da oficina. O fato é um só: o cliente não respondeu. Ponto final. Tudo o que vem depois — desistiu, não gostou, fechou com outro, falei alguma besteira — é interpretação, produzida pela própria cabeça. A analogia usada na edição da manhã foi a carta entregue a um namorado que não respondeu: não me ama mais é interpretação; o correio pode ter desviado a carta. E a conta da interpretação foi detalhada: desgaste emocional, dores que o corpo grita — cabeça, estômago, barriga — e uma comunicação pouco estratégica com o cliente, que segue a vida dele tendo respondido ou não. O maior prejudicado é quem fica remoendo.

O contraponto oferecido foi o que se chamou de pensamento emocionalmente inteligente: estou frustrado porque queria fechar a venda; não sei o motivo pelo qual o cliente não respondeu; não vou transformar uma ausência de resposta em rejeição pessoal; vou fazer meu contato profissional e seguir trabalhando. Junto veio a lista de motivos que existem do outro lado e não têm nada a ver com o atendimento — falta de tempo, emergência na família, trabalho. E o espelho doméstico do mesmo hábito, contado à tarde: a mensagem respondida com um "ok" seco que rende a pergunta "você está bravo comigo?". É a mesma leitura que se faz do cliente que não responde em dez minutos.

Fechamento

O espaço entre o comportamento do cliente e a reação

A frase de encerramento foi a mesma nas duas edições: entre o comportamento do cliente e a nossa reação existe um espaço, e é nesse espaço que mora a inteligência emocional. Entre o que se sentiu e o que se vai fazer. Nada disso é novidade, reconheceu-se do palco — todo mundo sabe que deveria fazer assim; o problema é que a etapa é atropelada o tempo todo, porque tudo é corrido.

Gerir emoção foi tratado como treino, não como talento: assim como existem técnica de venda, técnica de oratória e técnica de atendimento, parar-pensar-responder se aprende repetindo. O testemunho oferecido foi o de alguém que continua acelerada — a inteligência emocional não tirou isso — mas que hoje respira antes de responder, e a sala foi convidada a respirar junto, com o comentário de que a sensação é boa e que ninguém faz isso durante o dia.

Um recado prático fechou a lista de desgastes evitáveis: aprender a dizer não sem inventar justificativa. A mania descrita é a de recusar um convite ou um compromisso e emendar uma história inteira para explicar a recusa — o filho que chega de viagem, o compromisso que não existe. Não é preciso justificar tudo, disse-se, e a justificativa inventada também consome energia.

As duas edições terminaram com a mesma recomendação: sejam emotivos, mas com muita inteligência. O aprendizado que se pediu que a plateia levasse embora foi o de parar, pensar e responder, dentro e fora do trabalho. Na edição da tarde, o encerramento incluiu o convite para escrever pelo Instagram e contar a própria história.

O que ficou

Assentado

  • Inteligência emocional, na definição usada, não é deixar de sentir nem ficar frio: a emoção continua e o que muda é a reação — o espaço entre o comportamento do cliente e a resposta.
  • O desgaste emocional foi apontado como a causa da saída de bons profissionais do mercado, acima da falta de técnica e da falta de dedicação.
  • Pare, pense, responda funcionou como o método prático da oficina, aplicado à mensagem escrita e estendido à vida pessoal.
  • Diante do cliente que some, a única informação disponível é a ausência de resposta; a leitura de rejeição é construção própria e cobra o preço de quem a constrói.
  • Empatia foi definida como escuta — ouvir mais, interromper menos, compreender antes de convencer — e venda, como relacionamento e confiança.

Em aberto

  • A motivação de cada um ficou como pergunta devolvida à plateia: nas duas edições a sala foi convidada a responder o que a sustenta quando o resultado não aparece.
  • A separação entre fato e interpretação foi treinada em um cenário só, o do cliente que some; levar a mesma leitura para outras situações da rotina ficou como tarefa de quem assistiu.
  • Gerir emoção foi tratado como treino comparável às técnicas de venda e de atendimento — o resultado depende da repetição fora da sala.
  • O canal de contato oferecido no encerramento da edição da tarde foi o Instagram, para quem quisesse continuar a conversa depois da oficina.

Termos citados

Inteligência emocional
Definida na fala como reconhecer o que se está sentindo, compreender a origem e o impacto daquela emoção e administrá-la — e não como deixar de sentir ou ficar frio diante do cliente. Quem gerencia a emoção não é gerenciado por ela.
Abertura conceitual das duas edições, antes dos cinco pilares.
Pare, pense, responda
Regra de autocontrole repetida em coro com a plateia: inserir uma pausa entre o que aconteceu e a resposta, sobretudo em mensagem escrita, onde o outro lado não enxerga a intenção de quem escreveu.
Segundo pilar, retomado no encerramento das duas edições.
Fato e interpretação
Separação usada no exercício prático: o fato é que o cliente não respondeu; desistência, rejeição e fechamento com outro corretor são interpretação construída depois, pela própria cabeça.
Exercício do cliente que some.
Home staging
Técnica citada como o tema que a apresentação ocupava até o ano anterior, descrita como a que ajuda a vender mais rápido e a acelerar a venda do imóvel.
Apresentação pessoal, nas duas edições.
Claviculário
Porta-chaves grande da imobiliária, com as chaves de todos os apartamentos — citado na lembrança do tempo em que o corretor pegava todas as chaves e rodava o bairro o dia inteiro com o cliente.
Bloco de empatia, edição da tarde.

Citados na oficinaCIMI360·WhatsApp·Instagram·CRECI·Home staging (tema das palestras anteriores citado na sessão)·Dia do corretor de imóveis (data da categoria, comemorada na véspera e saudada nas duas edições)

TemasInteligência emocional·Saúde mental do corretor·Burnout·Relacionamento com o cliente·Atendimento·Oficina prática

Quem falou

A seguir nesta sala

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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