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Sala A4

27/08 · 10h00–11h0060 min de oficinaresumo em 8 min

O que o corretor deixa de ganhar por não diversificar

Da rotina de treino de Oscar Schmidt à régua PHD — paixão, habilidade e dinheiro —, a oficina sustentou que o corretor preso à renda pontual deixa de ganhar nas receitas que já circulam em volta da própria carteira.

Guilherme Oliveira

O essencial

Contexto

Oficina realizada na Sala A4 (Bloco A) em 27/08, em duas sessões — 10h00 e 14h00 — sobre o mesmo conteúdo. O formato foi interativo do começo ao fim: dinâmicas de levantar da cadeira para mapear as formações presentes na sala, perguntas respondidas em troca de bombons de castanha e cupuaçu trazidos do Pará e exercícios para anotar e aplicar depois do evento. Este resumo reúne as duas edições como uma única sessão.

A sessão em detalhe

Abertura

PHD: do doutorado em filosofia ao corretor

A oficina abriu mapeando quem estava na sala: corretores ficaram de pé, depois quem acumula outra formação — advogados, administradores, contadores, técnicos em edificações, professores. A própria oficina foi apresentada como cruzamento de áreas — tem a ver com esporte e tem a ver com corretagem —, na linha das três formações declaradas do palco.

O exemplo que estruturou tudo foi a rotina de treino de Oscar Schmidt: dois períodos por dia, 500 arremessos diários e a regra de só sair da quadra depois de 20 cestas de três seguidas — errou a décima nona, recomeça do zero. A média de carreira citada, da ordem de 30,7 pontos por jogo, foi apresentada como superior à de Michael Jordan; e o registro de que, mesmo sendo o cestinha, ele treinava para o time ganhar — não adiantava fazer 30 ou 40 pontos e o time perder.

Daí veio a sigla da oficina. PhD é o doutor em filosofia, e filosofia foi definida como amor ao conhecimento e à sabedoria — que nunca se esgotam. Platão foi citado nesse ponto: todo governante, para ser justo e tomar as melhores decisões, deveria ser filósofo. A adaptação para o corretor de imóveis ficou assim: P de paixão, H de habilidade, D de dinheiro — cada letra com desdobramentos próprios ao longo da sessão.

O P

Paixão, pessoas, propósito e postura

A primeira distinção do bloco: paixão não é motivação. Motivação é o palito de fósforo — acende rápido e apaga; paixão é a fogueira que, mesmo baixa, mantém a brasa. É ela que faz continuar todos os dias, com preguiça, cansaço, medo ou o resultado que ainda não chegou.

A paixão foi desdobrada em pessoas: conectar-se e servir. A referência usada foi O Curioso Caso de Benjamin Button — a gente nasce sendo servido e morre sendo servido, e ao longo da vida se é mais servido do que se serve. Como ilustração de conexão que vira negócio, a oficina citou uma parceria nascida de uma conexão feita no ano anterior, encaminhada para virar prestação de serviço em outro estado.

Propósito ganhou uma definição ditada para a plateia anotar: fazer o melhor que puder, nas condições que tem, até ter condições de fazer melhor ainda. Quem decidiu ser corretor — ou pai, ou qualquer outra escolha — resolve o próprio propósito sendo o melhor possível com o que há hoje, sem transformar a palavra em enigma.

O bloco fechou com postura e profissionalismo: o corretor é empresa e se vende pelo que as pessoas observam. Entraram na lista manter o CRECI — ou o CREA — em dia, não chegar atrasado à visita e cuidar da comunicação, a primeira forma de atrair pessoas.

O H

Habilidade, humildade e hábito

Habilidade se constrói como no exemplo da abertura: treinar, treinar, treinar — ler, ouvir podcast, buscar quem sabe mais, procurar especialista no que não se domina, de documentação a obra. Junto veio a humildade: o estado permanente de 'eu não sei, tenho que aprender'. O contrário dela foi definido na fala como complacência — achar que já sabe, se acomodar com a comissão gorda e parar de buscar.

A técnica proposta para o hábito foi a do calendário: escolher três hábitos bons para criar e três ruins para eliminar; a cada dia cumprido, um traço no calendário. O ciclo proposto foi de 34 dias — do dia da oficina, 27/08, até 30 de setembro — com acompanhamento oferecido por QR code e WhatsApp para quem quisesse fazer o desafio junto.

Os exemplos vieram da rotina relatada na própria oficina e das respostas da plateia: beber água, treinar todos os dias, aula diária de inglês, leitura — cinco páginas por dia terminam um livro de 150 páginas em trinta dias — e, do lado ruim, refrigerante, fritura, o rolar de tela sem propósito e o estresse no trânsito, que ninguém vai resolver se estressando.

O hábito público também entrou: a série Minuto GO UP, vídeo de um minuto publicado toda segunda-feira, mantido sem falha desde que a rotina começou — quando o domingo chega sem gravação, grava-se à noite mesmo. A régua apresentada: vídeo de um minuto por semana, todo mundo consegue.

O D

Dinheiro, desenvolvimento e diversificação

Dinheiro foi colocado como o primeiro item mensurável do resultado: se não está entrando, alguma coisa está errada — na paixão ou na habilidade. Dinheiro existe para desfrutar do próprio trabalho. Desenvolvimento é analisar onde se está falhando: visita muito e não fecha; capta muito aluguel e não converte a administração.

O mercado foi dimensionado: entre 4 e 6 milhões de corretores registrados no mundo, na estimativa citada — com a ressalva de que em muitos lugares a atividade não é regulamentada e a intermediação nem sempre é registrada; a NAR apareceu como referência dos dados oficiais. Nesse mar, a oficina descreveu o 'corretor de uma renda só', que vive da renda pontual: fez transação, ganhou; não fez, não ganhou. É o corretor que chega ao fim do mês sem vender nem alugar — a figura usada foi a do passarinho molhado no canto da mesa — e, no extremo, o que antecipa dinheiro de transação que não se realizou e depois precisa devolver, caso descrito como recorrente nos processos que chegam ao CRECI.

A saída apresentada foram as outras rendas. Na locação, pelo menos seis receitas em volta de um mesmo contrato: o primeiro aluguel — cujo percentual variou na própria sala, de 10% a 50%, conforme a praça —, vistorias de entrada e saída (no exemplo simulado, uma parceria fixa com repasse de 10% por vistoria), contrato, administração como renda recorrente e parcerias remuneradas com pintor, consertos e limpeza de ar-condicionado. Somam-se a renda do conhecimento — ser o nome da sua região em palestras e conteúdo — e a renda do investimento: o corretor precisa se tornar investidor e dar o exemplo ao cliente.

A venda na planta abre mais três ou quatro caminhos por cliente: a documentação e a legalização quando o imóvel for entregue, o aluguel que o comprador vai desocupar — que vira nova captação e remunera quem indicou — e as indicações em cadeia. Terreno e construção puxam engenheiro, arquiteto e financiamento via correspondente, tudo em parceria. E a regularização é uma frente inteira: imóveis sem documentação em dia pelo Brasil, baixa de hipoteca, usufruto, inventário.

O fecho do bloco: quem movimenta o ecossistema imobiliário — banco, engenheiro, arquiteto, correspondente — é o corretor, e por isso não dá para se acomodar no nicho. A regra repetida: quanto mais se conhece, mais oportunidade se enxerga; e a parceria só amarra o sistema quando o parceiro tem a mesma postura e o mesmo profissionalismo, porque a confiança emprestada é a do cliente.

Encerramento

As duas missões e o recado sobre o tempo

O encerramento declarou as duas missões do encontro: tornar os corretores PHD — paixão, habilidade e dinheiro — e mostrar que o corretor que não diversifica deixa de ganhar dinheiro.

O encerramento trouxe uma história pessoal: uma conversa em que o pai listou planos a dois — cuidar da saúde, voltar a treinar, retomar o tênis que jogavam em dupla, o passeio de jet ski que nunca tinham feito juntos — e a data marcada para começar, 3 de agosto às oito da manhã, que foi a do aviso de que ele havia morrido antes de qualquer um deles acontecer. O arremate: nada fica para daqui a pouco; é hoje, é agora. Na mesma linha entrou o sonho realizado da viagem de moto ao Alasca.

O convite final foi voltar para casa mais forte, mais determinado e apaixonado, buscar habilidade, ganhar — e desfrutar.

O que ficou

Assentado

  • Quem não diversifica deixa de ganhar dinheiro: a mesma carteira comporta renda pontual, recorrente, do conhecimento e do investimento.
  • Dinheiro é o primeiro item mensurável do resultado — quando não entra, a falha está na paixão ou na habilidade, e é isso que se vai buscar.
  • Quanto mais o corretor conhece — de financiamento a métodos construtivos —, mais oportunidade enxerga; quem movimenta o ecossistema é o corretor, não o banco.
  • Parceria só amarra o ecossistema quando o parceiro tem a mesma postura e profissionalismo, porque a confiança emprestada é a do cliente.
  • Hábito se constrói com marcação diária e constância — paixão, não motivação.

Em aberto

  • O desafio dos 34 dias ficou em execução até 30 de setembro, com acompanhamento oferecido pelo QR code e WhatsApp da oficina.
  • A sede do CIMI do ano que vem foi tratada como segredo na sala: anunciada como já definida, mas não revelada.
  • O desdobramento dos temas de venda na planta ficou combinado para outros momentos, com convite para levar a oficina às cidades dos participantes.

Termos citados

PHD (paixão, habilidade e dinheiro)
Adaptação do doutorado em filosofia — amor ao conhecimento e à sabedoria, que nunca se esgotam — para a carreira do corretor: P de paixão, H de habilidade (com humildade e hábito), D de dinheiro (com desenvolvimento e diversificação).
Fio condutor das duas edições da oficina.
Renda pontual
A renda que só entra quando a transação acontece: fez, ganhou; não fez, não ganhou.
Diagnóstico do 'corretor de uma renda só', na abertura do bloco de diversificação.
Complacência
Achar que já sabe e se acomodar — deixar de buscar mais. O contrário da humildade, resumida no 'eu não sei, tenho que aprender'.
Discussão do H de habilidade.
Propósito
Fazer o melhor que puder, nas condições que tem, até ter condições de fazer melhor ainda.
Definição ditada para a plateia anotar, no bloco da paixão.
Palito de fósforo
Imagem usada para a motivação: acende rápido e apaga. A paixão, em contraste, é a fogueira que fica em brasa.
Apresentada nas duas edições e retomada no encerramento, como alerta para não sair da sala como um fósforo que apaga.

Citados na oficinaOscar Schmidt·Michael Jordan·Platão·O Curioso Caso de Benjamin Button (filme)·NAR — National Association of Realtors·CRECI·CREA·GO UP Soluções Imobiliárias

TemasDiversificação de receitas·Carreira do corretor·Locação e renda recorrente·Hábitos e rotina

Quem falou

A seguir nesta sala

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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