27/08 · 10h00–11h0060 min de oficinaresumo em 8 min
O que o corretor deixa de ganhar por não diversificar
Da rotina de treino de Oscar Schmidt à régua PHD — paixão, habilidade e dinheiro —, a oficina sustentou que o corretor preso à renda pontual deixa de ganhar nas receitas que já circulam em volta da própria carteira.
6receitas possíveis mapeadas só na operação de locaçãocontagem apresentada na oficina
34dias do desafio de hábitos: três bons para criar, três ruins para eliminarcalendário proposto na oficina, de 27/08 a 30/09
4 a 6 milhõescorretores de imóveis registrados no mundo, na estimativa citadaestimativa citada na oficina; a NAR foi referida como fonte dos dados oficiais
500arremessos por dia no treino de Oscar Schmidt, o exemplo que estruturou a oficinahistória de carreira de Oscar Schmidt, contada nas duas edições
O essencial
O custo de não diversificar
O corretor que vive só da renda pontual — a que entra apenas quando a transação fecha — deixa de ganhar nas receitas que já circulam em volta da própria carteira. Foi a tese que deu nome à oficina e uma das duas missões declaradas no encerramento.
Quatro rendas para o corretor
A diversificação foi organizada em frentes: renda pontual da transação, renda recorrente da carteira, renda do conhecimento — palestras e conteúdo — e renda do investimento, com o corretor se tornando investidor e dando o exemplo ao cliente.
Pelo menos seis receitas na locação
Um único aluguel abre o primeiro aluguel, vistorias de entrada e saída, contrato, administração e parcerias remuneradas com os serviços em volta do imóvel — pintura, conserto, limpeza de ar-condicionado.
PHD adaptado ao corretor
Do doutorado em filosofia — amor ao conhecimento, que nunca se esgota — a oficina tirou a régua P-H-D: paixão, habilidade e dinheiro, ilustrada pela rotina de treino de Oscar Schmidt.
Paixão e motivação
Na imagem usada na oficina, motivação é o palito de fósforo, que acende e apaga; paixão é a fogueira que segue em brasa — e é ela que sustenta a rotina nos dias de preguiça, cansaço ou resultado que ainda não veio.
O calendário de hábitos
Exercício para casa: escolher três hábitos bons para criar e três ruins para eliminar, marcar o calendário a cada dia cumprido e rodar o ciclo por 34 dias, até 30 de setembro, com acompanhamento oferecido por QR code.
Contexto
Oficina realizada na Sala A4 (Bloco A) em 27/08, em duas sessões — 10h00 e 14h00 — sobre o mesmo conteúdo. O formato foi interativo do começo ao fim: dinâmicas de levantar da cadeira para mapear as formações presentes na sala, perguntas respondidas em troca de bombons de castanha e cupuaçu trazidos do Pará e exercícios para anotar e aplicar depois do evento. Este resumo reúne as duas edições como uma única sessão.
A sessão em detalhe
Abertura
PHD: do doutorado em filosofia ao corretor
A oficina abriu mapeando quem estava na sala: corretores ficaram de pé, depois quem acumula outra formação — advogados, administradores, contadores, técnicos em edificações, professores. A própria oficina foi apresentada como cruzamento de áreas — tem a ver com esporte e tem a ver com corretagem —, na linha das três formações declaradas do palco.
O exemplo que estruturou tudo foi a rotina de treino de Oscar Schmidt: dois períodos por dia, 500 arremessos diários e a regra de só sair da quadra depois de 20 cestas de três seguidas — errou a décima nona, recomeça do zero. A média de carreira citada, da ordem de 30,7 pontos por jogo, foi apresentada como superior à de Michael Jordan; e o registro de que, mesmo sendo o cestinha, ele treinava para o time ganhar — não adiantava fazer 30 ou 40 pontos e o time perder.
Daí veio a sigla da oficina. PhD é o doutor em filosofia, e filosofia foi definida como amor ao conhecimento e à sabedoria — que nunca se esgotam. Platão foi citado nesse ponto: todo governante, para ser justo e tomar as melhores decisões, deveria ser filósofo. A adaptação para o corretor de imóveis ficou assim: P de paixão, H de habilidade, D de dinheiro — cada letra com desdobramentos próprios ao longo da sessão.
O P
Paixão, pessoas, propósito e postura
A primeira distinção do bloco: paixão não é motivação. Motivação é o palito de fósforo — acende rápido e apaga; paixão é a fogueira que, mesmo baixa, mantém a brasa. É ela que faz continuar todos os dias, com preguiça, cansaço, medo ou o resultado que ainda não chegou.
A paixão foi desdobrada em pessoas: conectar-se e servir. A referência usada foi O Curioso Caso de Benjamin Button — a gente nasce sendo servido e morre sendo servido, e ao longo da vida se é mais servido do que se serve. Como ilustração de conexão que vira negócio, a oficina citou uma parceria nascida de uma conexão feita no ano anterior, encaminhada para virar prestação de serviço em outro estado.
Propósito ganhou uma definição ditada para a plateia anotar: fazer o melhor que puder, nas condições que tem, até ter condições de fazer melhor ainda. Quem decidiu ser corretor — ou pai, ou qualquer outra escolha — resolve o próprio propósito sendo o melhor possível com o que há hoje, sem transformar a palavra em enigma.
O bloco fechou com postura e profissionalismo: o corretor é empresa e se vende pelo que as pessoas observam. Entraram na lista manter o CRECI — ou o CREA — em dia, não chegar atrasado à visita e cuidar da comunicação, a primeira forma de atrair pessoas.
O H
Habilidade, humildade e hábito
Habilidade se constrói como no exemplo da abertura: treinar, treinar, treinar — ler, ouvir podcast, buscar quem sabe mais, procurar especialista no que não se domina, de documentação a obra. Junto veio a humildade: o estado permanente de 'eu não sei, tenho que aprender'. O contrário dela foi definido na fala como complacência — achar que já sabe, se acomodar com a comissão gorda e parar de buscar.
A técnica proposta para o hábito foi a do calendário: escolher três hábitos bons para criar e três ruins para eliminar; a cada dia cumprido, um traço no calendário. O ciclo proposto foi de 34 dias — do dia da oficina, 27/08, até 30 de setembro — com acompanhamento oferecido por QR code e WhatsApp para quem quisesse fazer o desafio junto.
Os exemplos vieram da rotina relatada na própria oficina e das respostas da plateia: beber água, treinar todos os dias, aula diária de inglês, leitura — cinco páginas por dia terminam um livro de 150 páginas em trinta dias — e, do lado ruim, refrigerante, fritura, o rolar de tela sem propósito e o estresse no trânsito, que ninguém vai resolver se estressando.
O hábito público também entrou: a série Minuto GO UP, vídeo de um minuto publicado toda segunda-feira, mantido sem falha desde que a rotina começou — quando o domingo chega sem gravação, grava-se à noite mesmo. A régua apresentada: vídeo de um minuto por semana, todo mundo consegue.
O D
Dinheiro, desenvolvimento e diversificação
Dinheiro foi colocado como o primeiro item mensurável do resultado: se não está entrando, alguma coisa está errada — na paixão ou na habilidade. Dinheiro existe para desfrutar do próprio trabalho. Desenvolvimento é analisar onde se está falhando: visita muito e não fecha; capta muito aluguel e não converte a administração.
O mercado foi dimensionado: entre 4 e 6 milhões de corretores registrados no mundo, na estimativa citada — com a ressalva de que em muitos lugares a atividade não é regulamentada e a intermediação nem sempre é registrada; a NAR apareceu como referência dos dados oficiais. Nesse mar, a oficina descreveu o 'corretor de uma renda só', que vive da renda pontual: fez transação, ganhou; não fez, não ganhou. É o corretor que chega ao fim do mês sem vender nem alugar — a figura usada foi a do passarinho molhado no canto da mesa — e, no extremo, o que antecipa dinheiro de transação que não se realizou e depois precisa devolver, caso descrito como recorrente nos processos que chegam ao CRECI.
A saída apresentada foram as outras rendas. Na locação, pelo menos seis receitas em volta de um mesmo contrato: o primeiro aluguel — cujo percentual variou na própria sala, de 10% a 50%, conforme a praça —, vistorias de entrada e saída (no exemplo simulado, uma parceria fixa com repasse de 10% por vistoria), contrato, administração como renda recorrente e parcerias remuneradas com pintor, consertos e limpeza de ar-condicionado. Somam-se a renda do conhecimento — ser o nome da sua região em palestras e conteúdo — e a renda do investimento: o corretor precisa se tornar investidor e dar o exemplo ao cliente.
A venda na planta abre mais três ou quatro caminhos por cliente: a documentação e a legalização quando o imóvel for entregue, o aluguel que o comprador vai desocupar — que vira nova captação e remunera quem indicou — e as indicações em cadeia. Terreno e construção puxam engenheiro, arquiteto e financiamento via correspondente, tudo em parceria. E a regularização é uma frente inteira: imóveis sem documentação em dia pelo Brasil, baixa de hipoteca, usufruto, inventário.
O fecho do bloco: quem movimenta o ecossistema imobiliário — banco, engenheiro, arquiteto, correspondente — é o corretor, e por isso não dá para se acomodar no nicho. A regra repetida: quanto mais se conhece, mais oportunidade se enxerga; e a parceria só amarra o sistema quando o parceiro tem a mesma postura e o mesmo profissionalismo, porque a confiança emprestada é a do cliente.
Encerramento
As duas missões e o recado sobre o tempo
O encerramento declarou as duas missões do encontro: tornar os corretores PHD — paixão, habilidade e dinheiro — e mostrar que o corretor que não diversifica deixa de ganhar dinheiro.
O encerramento trouxe uma história pessoal: uma conversa em que o pai listou planos a dois — cuidar da saúde, voltar a treinar, retomar o tênis que jogavam em dupla, o passeio de jet ski que nunca tinham feito juntos — e a data marcada para começar, 3 de agosto às oito da manhã, que foi a do aviso de que ele havia morrido antes de qualquer um deles acontecer. O arremate: nada fica para daqui a pouco; é hoje, é agora. Na mesma linha entrou o sonho realizado da viagem de moto ao Alasca.
O convite final foi voltar para casa mais forte, mais determinado e apaixonado, buscar habilidade, ganhar — e desfrutar.
O que ficou
Assentado
Quem não diversifica deixa de ganhar dinheiro: a mesma carteira comporta renda pontual, recorrente, do conhecimento e do investimento.
Dinheiro é o primeiro item mensurável do resultado — quando não entra, a falha está na paixão ou na habilidade, e é isso que se vai buscar.
Quanto mais o corretor conhece — de financiamento a métodos construtivos —, mais oportunidade enxerga; quem movimenta o ecossistema é o corretor, não o banco.
Parceria só amarra o ecossistema quando o parceiro tem a mesma postura e profissionalismo, porque a confiança emprestada é a do cliente.
Hábito se constrói com marcação diária e constância — paixão, não motivação.
Em aberto
O desafio dos 34 dias ficou em execução até 30 de setembro, com acompanhamento oferecido pelo QR code e WhatsApp da oficina.
A sede do CIMI do ano que vem foi tratada como segredo na sala: anunciada como já definida, mas não revelada.
O desdobramento dos temas de venda na planta ficou combinado para outros momentos, com convite para levar a oficina às cidades dos participantes.
Termos citados
PHD (paixão, habilidade e dinheiro)
Adaptação do doutorado em filosofia — amor ao conhecimento e à sabedoria, que nunca se esgotam — para a carreira do corretor: P de paixão, H de habilidade (com humildade e hábito), D de dinheiro (com desenvolvimento e diversificação).
Fio condutor das duas edições da oficina.
Renda pontual
A renda que só entra quando a transação acontece: fez, ganhou; não fez, não ganhou.
Diagnóstico do 'corretor de uma renda só', na abertura do bloco de diversificação.
Complacência
Achar que já sabe e se acomodar — deixar de buscar mais. O contrário da humildade, resumida no 'eu não sei, tenho que aprender'.
Discussão do H de habilidade.
Propósito
Fazer o melhor que puder, nas condições que tem, até ter condições de fazer melhor ainda.
Definição ditada para a plateia anotar, no bloco da paixão.
Palito de fósforo
Imagem usada para a motivação: acende rápido e apaga. A paixão, em contraste, é a fogueira que fica em brasa.
Apresentada nas duas edições e retomada no encerramento, como alerta para não sair da sala como um fósforo que apaga.
Citados na oficinaOscar Schmidt·Michael Jordan·Platão·O Curioso Caso de Benjamin Button (filme)·NAR — National Association of Realtors·CRECI·CREA·GO UP Soluções Imobiliárias
TemasDiversificação de receitas·Carreira do corretor·Locação e renda recorrente·Hábitos e rotina