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Sala B3

27/08 · 10h00–11h0060 min de oficinaresumo em 9 min

Conteúdo que converte: do clique ao lead

O corretor não precisa de mais posts, e sim de função para cada conteúdo: a oficina desenhou a jornada atrair–interessar–confiar–desejar–agir, ensinou a ler o tempo de retenção nos insights e avisou que impulsionar conteúdo sem estratégia é queimar dinheiro.

Leandro Knepper

O essencial

Contexto

Oficina de marketing de conteúdo para o mercado imobiliário na sala B3 do Bloco B, em 27/08, com sessões às 10h00 e às 14h00, conduzida pelo CEO da Agência Arkona — agência com mais de 15 anos de mercado, que atende uma associação nacional do setor imobiliário presente em mais de 200 cidades e 23 estados, e mantém um podcast sobre empreendedorismo no ar desde 2015. Na terceira participação do palestrante no CIMI360, segundo relatado em aula, a sessão alternou exposição, enquetes com a plateia, análise de vídeos reais de corretores e um exercício ao vivo nos insights do Instagram, com o objetivo declarado de criar conteúdo com função, estratégia e foco em conversão; materiais e exemplos foram prometidos em grupo de WhatsApp acessado por QR code ao final.

A sessão em detalhe

Diagnóstico

Função antes do formato

A oficina abriu com uma enquete à sala: quantos conteúdos cada um publicou no último mês e quantos leads esses conteúdos geraram — houve quem relatasse 30 leads nos últimos 7 dias. A distinção proposta: visualização, curtida, lead e venda são medidas diferentes, que precisam ser entendidas como uma estrutura que conversa entre si. Como contexto, o dado de mercado: 150 milhões de brasileiros conectados às redes sociais — Instagram, Facebook ou outra — e acesso à internet alcançando praticamente toda a população.

A tese central: muitas vezes o volume de produção já está adequado; o que falta é finalidade. A premissa de que é preciso postar todo dia para ter resultado foi contestada — três postagens por semana, bem estruturadas e bem planejadas, geram resultado quando cada peça tem função. Conteúdo não converte por ser bonito: produções caras, com modelo, storytelling e edição forte, às vezes performam menos que peças simples com objetivo claro. Não existe conteúdo bom ou ruim; existe conteúdo que cumpre uma função no fim do dia ou não.

O exemplo do dia: a oficina aconteceu no Dia do Corretor de Imóveis, e as felicitações genéricas — descritas em aula como coisa feita no ChatGPT, sem história nem conexão — foram contrapostas ao conteúdo com propósito, que conecta a data a um objetivo e gera conexão com a audiência.

O pano de fundo é a disputa por atenção: excesso de conteúdo e pobreza de atenção, com o conceito repetido em aula de que o excesso de informação cria a pobreza de atenção. A rolagem que consome cinco, quinze, trinta minutos sem que se registre o que foi visto ilustrou o ambiente em que a atenção virou o maior ativo — e conquistá-la é o trabalho mais desafiador antes de qualquer mensagem.

Estratégia

Cada formato com uma função na jornada

Formato é diferente de função. O reels — curto, de até 90 segundos — cumpre papel de descoberta: 'fura a bolha' e alcança quem ainda não segue o perfil, para além da base de mil, cinco mil ou dez mil seguidores. Carrossel, fotos e stories trabalham a conexão com a comunidade que já segue: reter o seguidor conquistado, que é a parte mais difícil. À queixa recorrente de quem tem 2.000 seguidores e vê só 200 pessoas nos vídeos, a resposta foi o poder desses 200 quando o material tem intencionalidade.

Duas orientações práticas: legendar os stories com o botão de transcrição, porque no mundo de hoje boa parte da audiência assiste sem som — sem legenda, é como se a mensagem não passasse; e usar o canal de transmissão, ferramenta apontada como subutilizada e poderosa, com material novo e personalizado só para quem se dispõe a entrar.

A jornada estrutura tudo: atrair (reels com tendência, anúncio, conteúdo de descoberta), interessar (comparativos entre perfis de imóvel — usado, pronto, loft, antigo —, perguntas, problemas e conteúdo educativo, que também constroem autoridade), confiar (case, dados de mercado, análise, depoimento e bastidores, que firmam a percepção de especialista), desejar (conteúdo vivencial que faz a pessoa se ver no imóvel — o exemplo da corretora cuja gravação, nas palavras usadas em aula, faz 'sentir o chão' e 'o cheiro do bolo saindo do forno') e agir (formulário, WhatsApp).

Esperar que um único conteúdo faça a jornada inteira é esperar demais: um conteúdo pode cumprir mais de uma função, mas a estratégia é entender em que momento da cadeia cada peça entra.

Método

Anatomia do conteúdo que converte

Todo conteúdo, seja qual for o propósito, precisa responder quatro perguntas: por que ele prende a atenção? Por que a audiência continua assistindo? Por que ela acredita no que está sendo dito? E por que ela age? A estrutura correspondente: gancho, atenção sustentada, entrega e ação.

O gancho é a parte inicial que interrompe a rolagem — movimento no vídeo, surgir de um cenário inesperado, entrar em cena tomando um chimarrão ou um café, ou uma pergunta direta na locução, no estilo de 'compraria um imóvel sem fazer isso?'. Não precisa ser bizarro, como pular na piscina: precisa puxar a atenção de quem consome sem tempo. A régua veio de uma máxima clássica da publicidade citada em aula: cinco vezes mais pessoas leem a manchete do que o texto — antes de convencer, é preciso conquistar a atenção.

Conquistada a atenção, ela não é garantida: sustenta-se com promessa, curiosidade, história, novidade, benefício ou um problema reconhecido — e escolhendo um nicho para falar diretamente com ele. No final, é preciso entregar o que foi prometido, algo que valha o minuto ou minuto e meio de quem assistiu: relevante, útil, capaz de transformar um pensamento. E pedir sempre algo — comentar, salvar, compartilhar, seguir, inscrever-se: todo conteúdo leva do ponto A ao ponto B.

Os exemplos exibidos ancoraram o método: dois vídeos de corretoras — uma, de Porto Alegre, mostra o apartamento inteiro, com legenda e gancho, sem aparecer o rosto; outra foi apontada como uma das líderes de venda da Auxiliadora Predial, rede forte da região Sul —, além de um vídeo aberto em preto e branco com voz alterada, puro gancho; um vídeo de precificação, com imóveis vendidos em 15, 40 e 90 dias e a 'mágica' atribuída à precificação correta; o comparativo do refrigerante que encolheu no mercado com o poder de compra no imóvel — o apartamento de 100 metros que hoje vira um de 60; e o casal de microfone de lapela analisando a casa de 600 m² — excelente, mas no condomínio errado —, cercada de casas de 250 a 300 m² vendidas por no máximo R$ 2,6 a 2,7 milhões — fechando com a regra de entender o que vende naquela região antes de construir.

Medição

Insights e tempo de retenção

No exercício ao vivo, a plateia abriu o próprio Instagram, escolheu o último reels publicado e entrou nos insights. A leitura combina o subjetivo — observar o que os outros estão postando — com o quantitativo: comentários, compartilhamentos e, principalmente, o volume total de visualizações e o tempo médio de retenção, tratado como um dos principais indicadores. Na sala, houve quem encontrasse tempo médio de 17 segundos de vídeo, celebrado como bom resultado.

A curva de retenção sempre começa em 100% e vai caindo: queda acentuada denuncia o conteúdo que não segurou a audiência; queda mais lenta indica material que prendeu. O gancho é determinante nesse desenho — é ele que decide se a pessoa para de rolar. E a retenção alimenta a distribuição: quanto maior o tempo de retenção, mais o algoritmo sugere o vídeo de maneira orgânica, ajudando a furar a bolha da base de seguidores.

Sem essa análise, o caminho comum é pegar o conteúdo criado sem estratégia e botar no tráfego — e o tráfego não gira, queima o dinheiro. A comparação feita em aula: melhor pegar essa verba e fazer um churrasco com um cliente, que gera mais oportunidade de negócio do que anúncio em cima de conteúdo ruim.

Distribuição

Conteúdo em todos os lugares e a cadeia até a venda

A quarta parte da oficina, nomeada 'conteúdo em todos os lugares', tirou o foco exclusivo de Instagram e Facebook. Na busca — Google, YouTube, site próprio — existe intencionalidade: em vez de interromper, trabalha-se quem já está procurando. O caso contado em aula: uma pesquisa feita em Pelotas devolvida por conteúdo de uma imobiliária de Minas Gerais via IA, com a pergunta incômoda de por que nenhum site da região respondia. Daí a orientação de semear material sobre o próprio trabalho em diversas plataformas, para facilitar que ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, sugiram o nome do profissional — 'não é líquido e certo', mas ajuda bastante. A assessoria de imprensa — rádio, jornal, matérias sobre a empresa, o lançamento ou o trabalho da corretora — completa o mapa.

No tráfego pago, compra-se atenção no meio da rolagem: quanto menos panfletagem e mais conversa, melhor — o anúncio precisa fazer parte daquilo que a pessoa está consumindo. E a conversão é uma cadeia, não um ato isolado: depois do clique, da visita ao perfil e da inscrição no link ou no WhatsApp, um atendimento demorado e enrolado desperdiça a demanda gerada; olhar para o processo comercial faz parte do mesmo sistema.

O encerramento foi prático: montar um mapa de conteúdo — escolher um produto (imóvel, empreendimento, serviço, oferta), definir a etapa da jornada, criar um contexto e definir o próximo passo para onde levar a audiência — e, antes de publicar, rodar o checklist de quatro perguntas: por que alguém vai dar atenção, por que vai continuar, por que vai acreditar que aquilo é verdade e por que vai agir e deixar os dados — num tempo em que as pessoas resistem a passar contato. Se alguma resposta falha, 'volta uma casa' e analisa de novo.

A provocação final: sair da oficina com um conteúdo que conecte o Dia do Corretor a um objetivo real de negócio — como um lançamento na cidade — em vez do post genérico de felicitação, que interrompe a vida das pessoas sem entregar nada. Para o calendário de conteúdo, a aula remeteu ao curso de Ana Gasparotto na programação do evento; os exemplos exibidos e os materiais ficaram de ser enviados no grupo de WhatsApp aberto por QR code.

O que ficou

Assentado

  • Função antes do formato: a pergunta-base de qualquer produção é o que se quer provocar na audiência — o formato é apenas o veículo.
  • Não é preciso postar todo dia: três postagens semanais bem planejadas, cada uma com função definida, geram mais resultado que produção aleatória.
  • Cada formato tem papel próprio na jornada atrair–interessar–confiar–desejar–agir, e nem todo conteúdo precisa gerar lead.
  • O tempo médio de retenção nos insights é o indicador central de que o conteúdo prende — e retenção alta faz o algoritmo distribuir mais.
  • Impulsionar conteúdo sem estratégia queima dinheiro; e o lead gerado se perde sem atendimento e processo comercial que respondam.

Em aberto

  • Aparecer nas sugestões das ferramentas de IA foi tratado como aposta: semear conteúdo em muitas plataformas ajuda, mas 'não é líquido e certo'.
  • O dever de casa ficou com a plateia: montar o próprio mapa de conteúdo — produto, etapa da jornada, contexto e próximo passo — e publicar já conectando o Dia do Corretor a um objetivo de negócio.

Termos citados

Gancho
Abertura do conteúdo desenhada para interromper a rolagem e prender a atenção nos primeiros segundos — um movimento, um cenário inesperado, uma pergunta direta.
Base da anatomia do conteúdo que converte e da curva de retenção.
Furar a bolha
Fazer o conteúdo alcançar quem ainda não segue o perfil, para além da base de seguidores.
Função atribuída aos vídeos curtos de descoberta, como o reels.
Tempo médio de retenção
Métrica dos insights que mostra por quanto tempo a audiência permanece no vídeo antes de abandonar.
Apontado como um dos principais indicadores no exercício com o Instagram da plateia.
Canal de transmissão
Lista de difusão dentro da rede social que entrega material novo e personalizado só a quem escolhe entrar.
Citado como ferramenta subutilizada de conexão com a base que já segue.

Citados na oficinaAgência Arkona·Auxiliadora Predial·Instagram·Facebook·Google·YouTube·ChatGPT·WhatsApp·Gramado Summit

TemasMarketing de conteúdo·Redes sociais·Geração de leads·Tráfego pago

Quem falou

A seguir nesta sala

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

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