← Programação completa
Sala D1

27/08 · 12h00–13h0060 min de oficinaresumo em 6 min

Alavanque retorno com imóveis nos EUA

No exercício feito em sala, o mesmo imóvel de US$ 500 mil rende 9,6% ao ano comprado à vista e vai à casa dos 15% quando 60% saem financiados — cash é escolha, não pressuposto.

Michelle Vainstok

O essencial

Contexto

Oficina da sala D1 (Bloco D, Sala 1) na grade de 27/08, com sessões às 12h00 e às 16h00. Exposição com slides, um exercício de simulação comparando compra à vista e financiada e rodada de perguntas da plateia, dirigida a corretores que atendem o investidor brasileiro interessado nos Estados Unidos. À frente, Michelle Vainstok, diretora da The Q Kapital Group; a autoapresentação situou a palestrante na vice-presidência do que foi descrito como o maior correspondente bancário independente dos EUA, com formação em andamento em análise de investimentos imobiliários na Wharton.

A sessão em detalhe

Contexto

Previsibilidade, dólar e a compra em cash

A sessão abriu com uma cena de trânsito no caminho até o evento — o desvio forçado, a volta maior — para chegar à tese que organiza tudo o que veio depois: investidor gosta de previsibilidade, e o ambiente americano, jurídico e tributário, foi apresentado como o lugar onde ela existe.

Quando o dólar sobe, o investidor brasileiro trava — e a reação típica descrita foi querer comprar em cash, pelo medo da dívida. Os dados de 2025 mostrados em slide dimensionam esse comprador: o brasileiro já responde por 7% das compras de imóveis na Flórida, terceiro colocado entre os estrangeiros. No recorte de operações exibido no mesmo slide, 52% saíram com mortgage e 42% em cash.

O contraste que sustenta a proposta: com a inflação, o juro real brasileiro foi situado em 9 a 10% ao ano, enquanto nos Estados Unidos o dinheiro é barato e o mercado trabalha com o dinheiro dos outros — lá, a dívida imobiliária não foi tratada como problema.

Crédito

Três linhas de financiamento para o estrangeiro

O brasileiro pode comprar imóvel para morar, terra para construir depois, propriedades multifamiliares e imóveis comerciais — tanto residencial quanto investimento. Para isso, foram apresentadas três linhas de financiamento.

Na Foreign National, a renda entra por declaração simples do contador, cobrindo os dois últimos anos. Na linha de cobertura do débito, quem sustenta a aprovação é o próprio imóvel: se a projeção do aluguel cobre o financiamento, o crédito sai sem nenhuma comprovação de renda do cliente. A terceira atende quem vive de capital aplicado — os rendimentos da carteira comprovam a capacidade de pagamento. A taxa mínima citada para o estrangeiro foi de 5,875%.

Da experiência de correspondente bancário no Brasil entre 2008 e 2017, relatada no palco, veio a comparação: se o brasileiro pudesse financiar de forma tão fácil aqui, seria maravilhoso — a facilidade de crédito apareceu como um ativo do próprio mercado americano, e como argumento na mão do corretor.

Exercício

O exercício: US$ 500 mil à vista contra 60% financiado

O exercício central simulou um imóvel de US$ 500 mil — cerca de R$ 2,5 milhões — com aluguel na casa de US$ 4 mil por mês e valorização média de 5% ao ano. Depois de taxas, manutenção e gestão, o NOI (Net Operating Income, o que sobra antes da dívida) ficou em US$ 23 mil anuais; somada a valorização, o ganho total do ano chegou a US$ 48 mil. Sobre os US$ 500 mil colocados à vista, taxa de retorno de 9,6%.

No cenário financiado, a entrada cai para US$ 200 mil — cerca de R$ 1 milhão — com crédito de 60% e taxa de 5,875%. A parcela traz juros e amortização, mas o capital imobilizado é bem menor: o coeficiente de retorno sobre o dinheiro efetivamente investido sobe para a casa dos 15% ao ano no quadro apresentado. A provocação ao fim do quadro foi guardar a foto do slide e levar essa comparação ao cliente.

A objeção que o quadro quer vencer apareceu em voz alta, encenada como fala do investidor: a Selic pagando 14, o idioma próprio, a zona de conforto. A resposta apresentada foi a diversificação — R$ 2,5 milhões concentrados é muito dinheiro — e a exposição ao dólar.

Estratégia

Dedução de juros, depreciação e o ciclo do refinanciamento

Financiado, o imóvel muda de figura no imposto americano: os juros do financiamento são deduzidos do lucro do aluguel, e a depreciação do imóvel também entra na conta — combinadas, as deduções podem deixar a renda do aluguel livre de imposto. Do lado brasileiro, o quadro tributário do ano seguinte foi tratado como incógnita — ninguém sabe quanto vai ser — reforçando o argumento da previsibilidade americana.

A estratégia de ciclo fechou o raciocínio: o imóvel valoriza, a dívida diminui, o proprietário refinancia para sacar recursos e comprar o próximo imóvel — e o dinheiro sacado no refinanciamento não é tributado, porque é dívida. Se o imóvel é bom, vai girando; quando o exercício é diluído numa saída feita anos depois, o retorno pode chegar a até 20%.

O freio veio junto: não adianta financiar ao máximo. A régua apresentada é financiar o que a receita do aluguel cobre, num cenário conservador, com folga para não depender de 100% de ocupação — mais reservas financeiras, atenção ao custo total e um plano de saída, seja vender, seja refinanciar. O hábito brasileiro de raspar a conta na compra foi o contraponto, com a orientação de guardar, além de despesas como ITBI e registro, 12 meses de reserva financeira.

Plateia

Perguntas da plateia e o papel do corretor

Na rodada de perguntas, um participante trouxe um caso real: uma casa vendida recentemente em Orlando por US$ 415 mil, com aluguel fechado em US$ 2,5 mil mensais — US$ 30 mil ao ano, na faixa de 0,6% ao mês, rendimento descrito como muito parecido com o do Brasil. O contraponto mirava o aluguel de US$ 4 mil usado no exercício.

A resposta situou a simulação: os US$ 500 mil foram escolhidos como porta de entrada, o valor mais baixo possível, e existem imóveis com retorno melhor — o caminho apontado foi a curadoria caso a caso. No desenho de trabalho apresentado, quem conduz o financiamento não atua como corretora: faz a curadoria, indica corretores parceiros, e o corretor brasileiro pode entrar no contrato como co-broker, com divisão de honorários citada entre 20% e 50%, conforme a parceria. Os mercados citados foram Califórnia, Nova York, Texas e Miami; em Orlando, apareceu o perfil de quem compra casa de temporada para uso da família.

O fechamento condensou o método em três etapas — entender o perfil, simular e estruturar —, com apoio até o closing e uma calculadora de cenários disponibilizada por QR Code para o corretor fazer as próprias contas. A síntese final: cash é escolha, não pressuposto — compare sempre, porque nem tudo é para financiar.

O que ficou

Assentado

  • A comparação entre compra à vista e financiada entra no repertório do corretor como argumento de venda — cash é escolha, não pressuposto.
  • Existe crédito imobiliário americano acessível ao brasileiro não residente, inclusive linha aprovada pela projeção do aluguel, sem comprovação de renda do cliente.
  • No exercício da sessão, a alavancagem elevou o retorno anual sobre o capital do mesmo imóvel em relação aos 9,6% da compra à vista.
  • Prudência como parte do método: financiar o que a receita do aluguel cobre, com folga para vacância, reservas financeiras e plano de saída.

Em aberto

  • A régua de aluguel do exercício (US$ 4 mil mensais num imóvel de US$ 500 mil) contra o caso trazido da plateia (US$ 2,5 mil num imóvel de US$ 415 mil): a distância ficou endereçada à curadoria caso a caso.
  • O retorno de até 20% ficou condicionado ao momento e à forma da saída, anos depois da compra.
  • Quanto o investidor pagará de imposto no Brasil no ano seguinte — tratado na sessão como incógnita.

Termos citados

NOI (Net Operating Income)
O que a operação do imóvel deixa antes da dívida: a receita do aluguel menos taxas, manutenção e gestão.
Definido no exercício de simulação — US$ 23 mil ao ano no cenário apresentado.
Foreign National
Linha de financiamento em que a renda do comprador estrangeiro entra por declaração simples do contador, cobrindo os dois últimos anos.
Primeira das três linhas de crédito apresentadas.
Cobertura do débito
Aprovação baseada na projeção do aluguel do próprio imóvel cobrindo a parcela do financiamento, sem comprovação de renda do cliente.
Segunda linha de crédito apresentada na sessão.
Co-broker
Figura em que o corretor brasileiro entra no contrato da operação junto ao corretor parceiro nos Estados Unidos, formalizando a divisão de honorários.
Resposta à plateia sobre como participar da venda — divisão citada de 20% a 50%, conforme a parceria.
Closing
O fechamento da operação de compra nos Estados Unidos.
Etapa até a qual a estrutura apresentada acompanha corretor e cliente.

Citados na oficinaWharton·CRECI

TemasInvestimento nos EUA·Financiamento imobiliário·Alavancagem·Mercado internacional

Quem falou

A seguir nesta sala

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

Ver a programação