← Programação completa
Sala D3

28/08 · 10h00–11h0060 min de oficinaresumo em 13 min

Calibre seu discurso com IA gratuita

No levantamento apresentado, de cada dez clientes qualificados três tinham comprado imóvel seis meses depois e só um comprou com quem o atendeu — e a oficina propôs fechar essa distância colando a conversa de WhatsApp do cliente numa IA treinada, para ler o perfil e recalibrar a abordagem antes de enviar a mensagem.

Diego Diehl

O essencial

Contexto

Oficina prática apresentada duas vezes na Sala 3 do Bloco D em 28/08 — às 10h00 e às 14h00 —, construída como uma linha de raciocínio única, recapitulada várias vezes do palco: vender mais passa por fidelizar mais; fidelizar passa por adaptar a abordagem; adaptar exige um método de perfil comportamental; e o método só funciona com pistas tiradas das próprias mensagens do cliente. As duas edições terminaram com a plateia no celular, selecionando conversas de WhatsApp para colar num GPT preparado para a sessão, o Calibrador de Discurso, distribuído por QR Code. A edição da tarde reorganizou o tempo para dar mais espaço à parte prática, que na manhã ficou apertada.

A sessão em detalhe

Ponto de partida

Primeira impressão e o cliente que some no visualizado

A abertura foi uma pergunta à plateia: quem já teve um cliente que visualizou a mensagem no WhatsApp e sumiu — tinha interesse, tinha dinheiro, e parou de responder. Antes de responder a ela, a oficina passou por dois estudos. O primeiro, de um pesquisador de comportamento animal que catalogou formas de saudação pelo mundo, encontrou um padrão comum a povos muito distantes entre si: o levantar rápido de sobrancelhas, descrito como o cumprimento mais primitivo e universal do ser humano — a conexão começa antes da primeira palavra. O segundo, atribuído à Universidade de Princeton, mediu em 0,1 segundo o tempo que se leva para julgar e classificar alguém, com um detalhe que foi o ponto do palco: a opinião formada nesse intervalo tende a não mudar depois.

A ponte com o mercado veio em seguida. No presencial, a primeira impressão é o cumprimento; no atendimento que hoje começa e muitas vezes se decide no digital, a primeira impressão é a mensagem de WhatsApp que o corretor manda. É esse o trecho que a oficina se propôs a trabalhar.

O dado que sustentou o resto da sessão foi apresentado como levantamento em pequena escala, feito com algumas imobiliárias por meio de um aplicativo — não como estudo. Entre dez clientes já qualificados, e não topo de funil, seis meses depois três tinham comprado imóvel; apenas um comprou com a imobiliária que o atendeu, e dois compraram com outra. A pergunta de trabalho ficou nesses dois: o que dá para fazer de diferente para não perdê-los pelo caminho.

Antes de responder, a oficina abriu um parêntese sobre a causa: o atendimento centrado no produto, e não no corretor. Como o mercado de lançamentos está cada vez mais conectado — em praças grandes, qualquer corretor consegue vender qualquer lançamento da cidade —, o cliente que procura um segundo e um terceiro profissional está atrás do produto, não de atendimento melhor, e ainda paga o preço de repetir a mesma história para quatro ou cinco pessoas. A prática recomendada nas duas edições foi dizer isso ao cliente de forma explícita, avisando que se tem acesso a todo o mercado de lançamentos, e perguntar diretamente como está o atendimento e o que ele quer ajustar. A conta que fecha o raciocínio foi proposta como comparação: atender cem clientes para fazer três vendas, ou atender quarenta para fazer as mesmas três.

Base do método

Fazer mais ou fazer melhor, e o estudo que sustenta a escolha

Há duas formas de vender mais, e as duas foram postas na mesa. A primeira é fazer mais: quem trabalha doze ou dezesseis horas vende mais do que quem trabalha oito, quem faz mais ligações vende mais do que quem faz menos — com a ressalva, dita nas duas edições, do custo disso na vida pessoal. A segunda é fazer melhor, e foi por ela que a oficina seguiu. O papel da inteligência artificial nesse caminho foi descrito em duas frentes: de um lado liberar tempo de burocracia, de outro melhorar a qualidade da abordagem.

A busca por base veio explicada: comparado a outras ciências, o mercado tem poucos estudos e muito achismo — cada vídeo de rede social traz alguém com dez dicas e uma convicção forte, sem que se saiba se a dica vale. A formação em engenharia foi citada como origem da busca por material mais sólido, com a observação de passagem de que nos Estados Unidos os estudos universitários ficam mais colados na indústria. O que trouxe foi uma meta-análise com 31 mil vendedores, apresentada como um dos maiores estudos já feitos em vendas, e uma conclusão única: quem adapta a abordagem ao cliente performa melhor.

A demonstração dessa conclusão foi feita ali mesmo, com apertos de mão. Cumprimentar com a mesma força uma pessoa de aperto firme e outra de aperto leve não funciona para ninguém; o que todo mundo faz naturalmente é sentir a pressão da mão do outro e calibrar a sua. O ponto foi assumido como óbvio de propósito: o problema não é saber adaptar, é que essa inteligência fica no presencial e não atravessa para a mensagem escrita.

Daí a crítica ao gatilho mental usado como frase pronta. Urgência, escassez, "últimas unidades" e "a tabela vira no fim do mês" foram citados como o repertório que todo mundo dispara igual para todos. A palavra calibrar foi definida no palco justamente contra isso: calibragem é escolher o ponto exato e eficiente de conversão, e esse ponto depende de quem recebe. Com plateia de Cabo Frio, Recife e Curitiba na mesma sala, a pergunta feita foi se a mesma mensagem engatilharia os três do mesmo jeito — a força do gatilho não está na frase, está na conexão com o receptor.

Metodologia

Mapa dos bichos: tubarão, lobo, águia e gato

Para adaptar é preciso um mapa, e o escolhido foi uma metodologia de perfil comportamental atribuída ao IBC, o Instituto Brasileiro de Coaching, descrita como mistura do DISC com um método de dominância cerebral. A apresentação foi deliberadamente prática — não como curso de perfil comportamental, mas como ferramenta de calibragem. A plateia escolheu entre quatro colunas de valor: fazer rápido, fazer certo, fazer diferente e fazer junto. Cada uma ganhou um bicho: o tubarão é a ação e o resultado rápido; o lobo, o fazer certo e a organização; a águia, o fazer diferente e a idealização; o gato, o fazer junto e a comunicação. Ninguém é só um deles — o mapa serve para reconhecer a predominância e modular o próprio comportamento.

O exercício que fixou a ideia foi corporal e rodou nas duas edições: pedir a quem levantou a mão em "fazer junto" que se abrace, e a quem levantou em "fazer rápido" que faça o mesmo. Quem valoriza estar junto abraçou-se sorrindo; quem valoriza objetivo e resultado achou desconfortável. O inverso também foi encenado — dar soco no ar diante de uma meta, ou montar uma lista e um plano de ação organizado para a semana seguinte, cada um empolgando um perfil e deixando o outro indiferente. A conclusão prática: o que engatilha uma pessoa trava a outra, e mandar a mesma mensagem para todas é ignorar isso.

Cada perfil recebeu palavras-chave. Para o tubarão, oferta objetiva, urgência, ação estratégica, "vamos agendar" — sem conversa de aquecimento. Para a águia, novidade e convite a imaginar; lista, nesse caso, foi apontada como o caminho errado. Para o lobo, análise detalhada com números para avaliar o investimento e um passo a passo claro — e novidade, foi dito, não converte com ele. Para o gato, a mensagem que lembra da pessoa, o emoji, a conversa. Ao lado dos perfis, a sessão citou ainda os canais de percepção — visual, auditivo e sinestésico — como uma segunda camada de calibragem.

A própria abertura da oficina foi mostrada como exemplo montado: dizer que era bom estar todo mundo junto e reunido engatilhava quem valoriza fazer junto; anunciar uma oficina focada em resultado, quem valoriza resultado; prometer uma visão geral, quem valoriza o diferente; e avisar que havia método e passo a passo, quem valoriza fazer certo. Uma frase para uma plateia de perfis desconhecidos, cobrindo os quatro. O parêntese que fechou o bloco veio do próprio estudo de perfis: nos testes com CEOs, as pessoas mais desenvolvidas nesse quesito não tinham um perfil forte, tinham todos os quatro desenvolvidos — daí o convite a parar de se rotular com o "eu sou assim, eu faço assim" e tratar a adaptação como expansão do próprio repertório.

Prática

Pistas na conversa e a análise que a IA devolve

O primeiro exercício de mão na massa foi de leitura: aprender a circular mentalmente palavras-chave na mensagem que o cliente mandou. O exemplo usado nas duas edições foi uma mensagem curta — "vi o anúncio de vocês, achei bem diferente esse projeto". A palavra "diferente" aponta para quem valoriza o diferente, e responder a essa pessoa com uma lista organizada é o oposto do que a engaja; já quem pede para ver a planta e os números é outro perfil e pede outra resposta. A plateia foi convidada a abrir o WhatsApp ali mesmo, escolher uma conversa longa com um cliente e achar uma palavra que dissesse algo sobre a pessoa.

O reconhecimento veio logo depois: não é trivial. Perfil não se lê de uma frase, a pessoa muda de humor de um dia para o outro, e reler quatro anos de conversa antes de cada atendimento não cabe na rotina. É aí que entra o procedimento central da oficina, mostrado em vídeo: abrir a conversa no WhatsApp, usar a seleção múltipla de mensagens — recurso que boa parte da plateia levantou a mão dizendo nunca ter usado —, rolar a conversa selecionando tudo, copiar e colar numa IA treinada em venda de imóveis e perfil comportamental, pedindo a análise do perfil e uma boa forma de abordar aquela pessoa para vender um apartamento. No WhatsApp Web, descrito como o caminho mais prático, basta arrastar o mouse e selecionar.

O que a análise devolveu, na conversa real usada como demonstração, foi um perfil dominante com influência e um canal predominantemente sinestésico — alguém que decide pelo sentir e pela experiência. A abordagem sugerida mudou de forma correspondente: em vez de mostrar a paisagem ou falar da música, levar à sacada e chamar para sentir a brisa. A observação feita sobre o resultado foi que dificilmente se chegaria sozinho àquela clareza, e que quanto mais conversa colada, mais nítida fica a leitura. O mesmo movimento vale para dentro: colando as próprias mensagens, é o corretor que passa a ser analisado.

Para o cliente que ainda não se conhece, a saída apresentada foi outra. Nas incorporadoras acompanhadas, o combo que mais aumentou conversão na abordagem por WhatsApp era de três peças na mesma mensagem — uma imagem, um texto curto e um áudio curto —, cobrindo de uma vez os diferentes canais de percepção. Relatou-se que o vendedor de melhor desempenho chegava a 32% de conversão na abordagem, e o relato é que ele acabou contratado para a empresa de onde partiu a observação.

Onde aplicar

Preparação de visita, o limite do copiar e colar e as tarefas

A objeção prática foi levantada do próprio palco: fazer isso a cada mensagem é trabalhoso e ninguém sustenta. A resposta foi escolher o momento crucial da jornada, e o momento apontado foi a visita — ao imóvel, ao estande. É a hora que está na mão do corretor: chegar mal ou chegar conectado muda a conversão daquela visita. Uma imobiliária visitada cerca de um ano antes implantou por isso um processo padrão, chamado de preparação de visita: antes de sair, rodar a conversa do cliente na IA, somar um áudio contando o que já se sabe dele, e chegar sabendo o que ele valoriza e qual é o gatilho.

O número que acompanhou o processo veio de uma operação de incorporadora: a conversão de visita em venda era de 7%, o equivalente a treze ou catorze visitas para cada venda, ou 70 vendas a cada mil visitas. Com a preparação de visita aplicada, foram 90 — vinte vendas a mais sem aumentar o volume de visitas.

O limite do uso da ferramenta foi dito com a mesma clareza. No início do uso de IA no time, a regra imposta era não copiar o texto gerado e colar para o cliente: quem faz isso vira robô, e o texto de máquina é reconhecido. O roteiro produzido pela IA tinha de ser gravado em áudio, falado pelo corretor. O efeito relatado foi de treino — ao ler e falar aquele texto, o profissional absorvia o vocabulário do mercado e o fluxo de aprendizado ficava, na descrição usada, muito mais rápido do que só receber a resposta pronta.

As ferramentas e as tarefas fecharam as duas edições. Um GPT preparado para a oficina, apresentado como Calibrador de Discurso e distribuído por QR Code, foi descrito como de uso gratuito, ilimitado para quem tem conta, com a dica de fixar o GPT para não perdê-lo entre uma conversa e outra — e a observação de que as ferramentas de IA seguem queimando caixa, o que ainda permite esse uso. A primeira tarefa deixada: colar a conversa de um cliente e ler o dossiê de perfil com atenção, para enxergar o que não se enxergava. A segunda: diante de uma mensagem importante já escrita, não enviar — colar antes a conversa e a mensagem, pedir a reescrita conforme o perfil do cliente e, principalmente, pedir que a IA explique as mudanças que fez, que é onde está o aprendizado. Foi mostrado também o caminho inverso, copiando as informações de um empreendimento na plataforma de lançamentos citada como gratuita para corretores e pedindo a mensagem de divulgação pronta. O fechamento resumiu a linha inteira: quem entende a pessoa calibra o discurso, conecta e converte — ao lado da frase atribuída no palco a Einstein, de que uma mente expandida jamais retorna ao estado antigo.

O que ficou

Assentado

  • Vender mais tem dois caminhos — fazer mais e fazer melhor —, e a oficina inteira foi construída sobre o segundo, com a IA entrando para liberar tempo e para melhorar a abordagem.
  • A conclusão do estudo citado com 31 mil vendedores é que quem adapta a abordagem ao cliente performa melhor; no presencial isso já acontece por instinto, na mensagem escrita não atravessa sozinho.
  • O mapa de quatro perfis serve para escolher palavra-chave e gatilho: o que engatilha um perfil trava o outro, e a mesma frase pronta disparada para todos perde força.
  • Copiar a conversa inteira do WhatsApp e colar numa IA treinada devolve uma leitura de perfil que dificilmente se faria à mão — e a visita é o momento da jornada em que essa leitura mais paga.
  • Texto de IA não vai colado para o cliente: o roteiro vira áudio falado pelo corretor, e é nisso que o vocabulário é aprendido.

Em aberto

  • A qualidade da leitura de perfil depende do volume de conversa colado; com pouco histórico a análise perde clareza, e foi reconhecido do palco que às vezes falta contexto — a dica da IA foi tratada como dica de mentor, não como veredito.
  • As duas tarefas propostas — ler o dossiê de perfil de um cliente e reescrever uma mensagem importante antes de enviá-la — só mostram resultado no uso diário, e ficaram para depois do evento.
  • O acesso gratuito às ferramentas foi tratado como janela aberta enquanto as empresas de IA queimam caixa; parte da plateia não tinha o aplicativo de IA instalado no celular, e instalá-lo ficou como tarefa.

Termos citados

Calibrar o discurso
Calibragem foi definida na fala como escolher o ponto exato e eficiente de conversão — e esse ponto depende de quem recebe a mensagem, não da frase enviada. Calibrar é ajustar a abordagem ao perfil do receptor, como se ajusta a força do aperto de mão.
Definição dada no bloco sobre gatilhos mentais.
Mapa dos bichos
Metodologia de perfil comportamental atribuída ao IBC, descrita como mistura do DISC com um método de dominância cerebral, organizada em quatro perfis pelo que a pessoa valoriza: tubarão (fazer rápido, ação), lobo (fazer certo, organização), águia (fazer diferente, idealização) e gato (fazer junto, comunicação).
Metodologia central da oficina.
Pistas na conversa
Palavras-chave que o cliente usa nas próprias mensagens e que indicam o perfil predominante naquele momento — como "achei bem diferente esse projeto", que aponta para quem valoriza o diferente. Não definem a pessoa, dão a pista do estado em que ela está.
Exercício de leitura antes da parte com IA.
Preparação de visita
Processo padrão descrito numa imobiliária: antes de cada visita, rodar a conversa do cliente numa IA treinada para mapear o perfil e planejar a visita, chegando com o gatilho e o que o cliente valoriza já identificados.
Bloco sobre onde aplicar o método sem inviabilizar a rotina.
Sinestésico
Canal de percepção citado ao lado do visual e do auditivo: o cliente que decide pelo sentir, pelo tocar e pela experiência — e que por isso é convidado a sentir a brisa na sacada, em vez de ouvir a descrição da paisagem.
Resultado da análise de perfil demonstrada em vídeo.

Citados na oficinaÓrulo·IBC — Instituto Brasileiro de Coaching·DISC (metodologia de perfil comportamental)·Universidade de Princeton (estudo de primeira impressão citado)·Ivy League·ChatGPT·WhatsApp e WhatsApp Web·Palestras Inspiradoras (livro), com o capítulo "O poder do refinamento contínuo"·Calibrador de Discurso (GPT preparado para a oficina)

TemasInteligência artificial·Perfil comportamental·Atendimento e fidelização·WhatsApp·Conversão de vendas·Preparação de visita

Quem falou

A seguir nesta sala

Tradução simultânea em legendas — PT, EN e ES — durante todo o evento.

Ver a programação